
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
OBRIGADO, JKA DO BRASIL

UMA FAMÍLIA NO KARATE JKA

MAIS IMAGENS SULAMERICANO JKA 2009




terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Golpe inacreditável
Reparem que o oponente chegou muito perto, numa distância perigosa, e não fez nada. Esse é um erro primário em uma luta de karatê Shotokan: chegar na distância de golpe e não fazer nada. Resultado...
OSS.
domingo, 13 de dezembro de 2009
Imagens do ano de 2001




terça-feira, 1 de dezembro de 2009
FOTOS SULAMERICANO JKA 2009 (2)



FOTOS SULAMERICANO JKA 2009





domingo, 29 de novembro de 2009
MUNDIAL JKA 2004 - PARTE 2





Nas quartas-de-final contra a Argentina, venci minha luta contra o então campeão sulamericano individual Pablo Parasuco por 2x0, mas o Brasil perdeu, e os hermanos terminaram como vice por equipes, perdendo a final para o Japão.
No individual, perdi para um belga carne de pescoço por 1x0. Na luta seguinte ele apagou um russo, e perdeu por hansoku – um dos poucos que vi no mundial.
Depois do mundial, no dia seguinte, fomos à universidade Kokushikan para participar de um desafio. Um “amistoso” entre seleção brasileira e seleção da Kokushikan. Amistoso... sei! O pau cantou dentro do impecável dojô da Kokushikan.
Lembro-me que antes houve um treinamento, puxado pelo sensei Yokomichi, que mais tarde foi o juiz central das lutas. Percebi que os japoneses estavam treinando bem leve, bem solto, enquanto os brasileiros davam tudo de sim, empolgados. Fui lá para o fundo do dojô, e comecei a treinar ainda mais leve do que os japoneses. Não sou bobo, entendi que eles estavam se poupando.
“Wagner, os caras tão se segurando para o desafio”, disse para meu amigo e companheiro de seleção.
Um kotô de tatame foi armado em minutos, e em pouquíssimo tempo havia quatro bandeiras sentados nos cantos do kotô, uma torcida barulhenta de caratecas universitários, e até um placar, com duas moças responsáveis. Sensei Yokomichi entrou para arbitrar, chamando os dois primeiros a lutar.
Os dois primeiro brasileiros perderam. Eu era o terceiro a lutar, e antes de entrar, o brasileiro que tinha acabado de perder me disse sorrindo: “não dá para ganhar deles não. Eles são muito rápidos”
Senti o sangue subir à cabeça, tirei o protetor de boca e disse para ele, antes de entrar no kotô: “não dá para ganhar é o cacete!”
Lutei, e venci por 2x0. Estava inspirado.
Wagner entrou e venceu também, 2x0 de novo. O último brasileiro perdeu. Kokushikan 3 x 0. Na verdade não era a seleção brasileira principal, até porque Zanca e Pestana não lutaram no desafio. Mas era o Brasil, de qualquer forma.
Mais uma rodada, 5 contra 5. O Brasil tinha 4, e faltava um. Sensei Sasaki perguntou para algumas pessoas, mas ninguém parecia querer lutar. Me ofereci uma vez, mas ele disse: “você não, Jayme, você está batendo muito no rosto”
“Deixa eu ir” pedi de novo.
Como não tinha mais ninguém querendo, ele suspirou e disse: “Vai, mas cuidado com rosto”
Cuidado nada. Eles estavam batendo pacas. Eu é que não ia esperar para apanhar.
Entrei quando estava 4x0 para os japoneses. Entrei com tudo, empolgado, cheio de vontade.
De cara meti um mawashi-bomba que explodiu na barriga do universitário: 1x 0. Em seguida, dei um ashi barai que desequilibrou o japonês; parti para cima com oi tsuki, crente crente que ia fazer mais um wazari. Mas o garoto tirou um mawashi geri relâmpago da cartola, e mesmo desequilibrado, quase caindo, me deu uma patada no meio da cara. Chegou a estalar. Fiquei com a marca do pé dele no meio do rosto, e senti a cara arder enquanto sensei Yokomichi marcava ipon mais que merecido para ele. Quem mandou querer lutar de novo, haha.
Depois de ver com o coração pesado toda a delegação indo embora, fiquei por um dia em Iidabashi, num albergue. No dia seguinte fui até Korakuen, na sede da NKK: Honbu Dojo. Fui atendido pelo mau-encarado Shimizu. Mas quando mostrei o cartão de sensei Tanaka, ele levantou da cadeira e me levou até uma salinha, me pedindo para esperar. Estava tão nervoso que não sabia se devia sentar ou ficar de pé. Resolvi esperar de pé, por mais de dez minutos.
Fomos de carro até um local afastado, onde só havia trem – nada de metrô -, e onde ocidental era coisa rara. Só fui ver um depois de três dias. Higashi-Koganei era onde ele tinha um escritório, uma espécie de casa de campo onde ele passava os finais de semana. Ele e alguns alunos da Universidade de Tóquio fizeram uma recepção para mim, com comes e bebes. Na hora de ir embora, ele me estendeu a chave e disse “don’t loose”. Eu poderia perder até a cabeça, mas aquela chave jamais.
Foram dias inesquecíveis para mim. Sozinho, eu comia quase sempre em casa, cozinhando macarrão ou comprando alguma coisa no Seven Eleven. Eu treinava na Universidade de Tóquio, em Kokubunji, na academia do sensei, onde além dele também dava aula sensei Imura, e no Honbu Dojo. Treinei muito, até as solas dos meus pés sangrarem pelas rachaduras.
Foi uma experiência incrível, da qual eu tenho muito orgulho.
Vitória, derrota, títulos, tudo isso é secundário. O que vale mesmo são as experiências que se acumulam na vida. É o que fica para sempre. Os troféus e medalhas acabam esquecidos dentro de uma gaveta, se quebram, oxidam. As lembranças ficam.
Depois de sair do Japão passei 6 dias sozinho em Toronto, Canadá. Mas essa história não tem nada a ver com karate...
OSS!
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
MUNDIAL JKA 2004 - PARTE 1





Lembro que ao descer do avião, naquelas escadas que eles acoplam à aeronave, parei por uns instantes antes de pisar pela primeira vez em solo japonês. Para quem pratica karate Shotokan JKA, aquilo era a realização de um sonho.
Nos primeiros três dias ficamos em Gotemba, aos pés do monte Fuji. Confesso que o monte foi uma leve decepção, pois esperava vê-lo com o topo coberto de neve, que é a imagem mais famosa do gigante. Mas naquela época do ano – setembro – Fuji estava marrom, sem nenhum traço de neve. Depois de muitos treinos, e da definição do que cada atleta faria – fui escalado para kata por equipe, com os irmãos Roberto e Paulo Pestana, para kumite por equipes, com Roberto Pestana (RJ), Wagner Pereira (SP), Vladimir Zanca (MT), Juarez (RS), Tiago Camata (PR) e Guilherme Picci (SP) e para o kumite individual – fomos para Tóquio, no bairro central de Shibuya.
Tóquio foi impressionante, desde o início. Um formigueiro humano, principalmente no cruzamento em frente à estação de metrô. Ali, quando todos os sinais de trânsito fecham, ao mesmo tempo, inúmeras pessoas atravessam as ruas, em uma confusão organizada. Sim, organizada, porque tudo no Japão é organizado. Até para fumar há regras rígidas. É proibido fumar na rua, a não ser em “currais”, pequenos espaços demarcados onde é permitido fumar. E as pessoas caminham pelas calçadas em mão e contramão. É o povo mais educado que já vi.
Os bairros de Asakusa (onde há os templos), Yoyogi (onde há um parque lindo), e Akihabara (o paraíso dos aparelhos eletrônicos), ficam bem próximos a Shibuya, e valem a pena serem visitados. Ropongi é o bairro das boates, bares, diversão noturna. Fomos para lá depois da competição, e acabamos bebendo cerveja e saquê em uma boate subterrânea – como a maioria delas.
Me lembro com saudade dos restaurantes nas estações de trem e metrô, onde comíamos oudon com tempura depois de comprar uma ficha por trezentos ou quatrocentos yenes nas maquininhas que ficavam logo na entrada. “Umizo kudasai”, pedíamos pela água, que era servida de graça. No final da refeição, o cozinheiro agradecia lá de dentro: “domo arigato gozaimasu...”
Entrar pela primeira vez na Budokan, cruzando o fosso e atravessando o imenso portão de madeira, foi uma emoção indescritível. Olhando para os imensos blocos de pedra do muro, imaginei a energia que aquele lugar repleto de história teria. Energia de guerras, lutas, guerreiros.
Alguns dias antes do início das competições, pedi para conversar com sensei Machida. “Fale”, disse ele.
“Sensei, depois do mundial eu quero ficar aqui no Japão, treinando. Será que você pode me indicar algum dojô?”
“Ficar aqui? Bem, posso ver. Você vai ficar onde?”
“Pois é, sensei, na verdade não tenho onde ficar.”
“Não tem? Porra, você maruco mesmo!”
Era exatamente aquilo. Ao marcar minha passagem, ainda no Brasil, decidi sem dizer nada para ninguém que ficaria mais quinze dias no Japão. Onde, como, com quem? Isso eu não sabia.
No dia seguinte dessa nossa conversa, Takê – o filho mais velho do sensei – veio conversar comigo.
“Jayme, o que você quer aqui no Japão? É turismo, ou treino mesmo?”, me perguntou com seu sotaque arrastado e sua fala mansa.
“Treino. Nada de turismo.”
“Tudo bem.” Disse, indo embora. Fiquei sem saber o que dizer.
Foi só no dia seguinte que sensei Machida veio de novo falar comigo.
“Jayme, você está disposto a treinar duro? Se quebrar dente, braço, perna, tem que continuar treinando, não pode desistir!”
“Oss, sensei. Não vou desistir. Quero treinar duro mesmo.”
“Então tá. Amanhã, na competição de criança, vou resolver isso.”
Para minha imensa surpresa, sensei Machida me chamou no meio da competição infanto-juvenil e me levou até a mesa dos mestres. Paramos diante de Masahiko Tanaka, ícone da JKA, tricampeão mundial de kumite individual. Eu estava diante de uma lenda viva do Shotokan.
“Você fala inglês?” perguntou-me Machida.
“Falo”
Depois de uma breve conversa com Tanaka, ele me deu um cartão, que parecia queimar em minhas mãos.
“Você liga para ele dois dias depois de competição de adulto. Ele vai levar você. Você vai ficar na casa dele”
Era bom demais para ser verdade.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
XV PANAMERICANO DE KARATE-DÔ SHOTOKAN TRADICIONAL

Infelizmente, por falta de recursos, não pude participar.
O caribano, ou barioca (nascido e criado na Bahia, mas agora residente no Rio de Janeiro) José Renato sagrou-se campeão do Torneio Internacional na categoria kata individual. O aluno de sensei Enobaldo Athaíde, membro da Seleção Brasileira JKA (V sulamericano, Argentina 2009) fez bonito também no kumitê, onde perdeu na segunda rodada para o campeão, o baiano Alfredo Gama.
Não houve categoria de fuko-gô ou equipe no Torneio Internacional.
No XV Panamericano, Rodrigo Lúcio fez a festa da torcida local, levando o título de kata individual, seguido por Ricardo Buzzi (PR) e Vladimir Zanca, outro mato-grossense. No kumitê, deu Alexsandro Jobson (RN), o atual bi-campeão brasileiro de kumitê individual. O potiguar confirma a ótima fase com o cobiçado título panamericano. No fuko-gô, deu Mato Grosso novamente: Tiago de Lima venceu a finalíssima contra um americano.
Na categoria por equipes festa da torcida brasileira, que viu a seleção ser campeã de kata – Rodrigo Lúcio, Tiago de Lima e Jardson (AC) - e kumitê – Alexsandro Jobson, Vinícius Moreno (MT – Seleção Brasileira da JKA), Helton Aragão (BA) e Ricardo Buzzi.
Parabéns a todos os integrantes da Seleção Brasileira Tradicional.
OSS!
FORMATURA DOS AGENTES DO DEGASE



Os agentes, treinados pelos mestres Ugo Arrigoni, Vinício Antony e Eduardo Santos, e pelos instrutores Valério Massimo e Jayme Sandall, mostraram uma enorme evolução, impressionando as autoridades e o público presentes.
Os fundamentos de karate jutsu foram demonstrados de forma mais que satisfatória. Chutes, socos, defesas, deslocamentos, bases, quedas, chaves, torções, técnicas de controle e condução. Tudo isso foi aplicado com consciência e competência, provando que quando se treina duro, com professores qualificados, a evolução é inevitável.
Parabéns aos mais de trinta agentes que se graduaram, às autoridades que compraram a idéia do projeto, e aos mestres que desenvolveram a idéia e trabalharam na formatação do curso.
OSS!
domingo, 15 de novembro de 2009
79 ANOS, E AINDA LUTANDO
Encontrei alguns vídeos de um campeonato master realizado pela JKA do Japão. Em uma das finais (da categoria acima dos 70 anos), o campeão tem 79 anos.
79 anos! E lutando, cheio de disposição. Essa é a essência do Shotokan, é a real aplicação da filosofia e da diretriz que prega a prática da arte marcial por toda a vida. Vale a pena conferir.
OSS!
http://www.youtube.com/user/tsuruhimeja#p/u/0/FJAHXK01AGc
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
150 lutas

quinta-feira, 29 de outubro de 2009
MACHIDA vs SHOGUM

Na madrugada de sábado para domingo Lyoto Machida fez sua primeira defesa do cinturão da categoria dos meio-pesados (até
O resultado da luta foi polêmico, e está gerando muita discussão entre os fãs de MMA. De um lado, os defensores do carateca de Belém; do outro, fãs do curitibano do muay thay. Quem terá razão?
Sei que minha opinião pode parecer parcial, até porque, além desse blog ser de karatê, sou amigo pessoal da família Machida. Mas tentei ver a luta com olhos neutros, e deixo aqui minha impressão sincera sobre o combate.
Lyoto não estava bem. Parecia um pouco desconcentrado antes da luta começar, apesar de já estar dentro do octagon. Parecia estar procurando algo, enquanto Shogum olhava para ele fixamente. Durante o combate, me pareceu não ter traçado uma estratégia específica para anular o jogo de fortes caneladas do curitibano. Do outro lado, entretanto, Shogum fez o dever de casa, e estava preparadíssimo para o combate. Segundo rumores, ele treinou com o campeão mundial de karatê Tradicional, o também curitibano Ricardo Buzzi, que deve ter passado dicas muito importantes para tentar anular o jogo do carateca. Shogum foi inteligente ao procurar um atleta do karatê Traicional, e os treinos me parecem ter sido muito bem feitos.
A luta, de uma forma geral, foi morna.
No primeiro e no quarto assaltos, na minha opinião, os dois empataram. Algumas joelhadas baixas de Lyoto, alguns chutes na perna de Shogum, e nada além.
No segundo e terceiro assaltos, vitória de Lyoto, por pouco. No terceiro, inclusive, o carateca encaixou uma seqüência de socos que balançou Shogum, mas não o suficiente para levá-lo à lona.
O quinto round foi de Shogum, apesar de Lyoto ter encaixado mais uma boa joelhada. O curitibano estava com mais gás, e foi bem mais agressivo, conseguindo inclusive encaixar bons chutes baixos, uma cotovelada e um soco que tirou sangue de Lyoto – pela primeira vez no UFC.
Bem, contando friamente, Lyoto venceu, por uma margem muito pequena. O justo mesmo seria um empate, porque na verdade nenhum dos dois fez nada de mais para merecer a vitória. Mas como em luta de título não pode haver empate, e como a vantagem é sempre do campeão, Lyoto venceu.
Por que então o público vaiou tanto, e tem tanta gente dizendo com convicção que Shogum saiu vencedor do confronto?
Bem, em primeiro lugar porque venceu o último round, e isso sempre deixa uma impressão de que foi melhor a luta inteira – o que não foi verdade. Segundo porque Lyoto sangrou, e esse fato inédito incendiou a galera. E terceiro porque sempre se espera muito de Machida. Ele não é invencível, muito menos invulnerável. Ele nunca disse isso, jamais se intitulou intocável. Esse foi um rótulo que colocaram nele. Então, passam a achar que se ele for tocado, sangrar, pronto! Tem que perder a luta.
Calma, gente, não é assim que a banda toca.
Shogum é um dos maiores lutadores de MMA que o Brasil já produziu em sua história. Ele foi o rei do Pride, vencendo lutas de forma impressionante. É jovem, bem preparado física, técnica e psicologicamente, além de ser muito experiente (mais até do que Lyoto). Então acho que é meio absurdo achar que Machida iria dar show, não ser tocado, nocautear com facilidade um atleta desse quilate. Lyoto fez uma luta parelha contra um dos mais talentosos strikers do planeta. Será que ele merecia sair vaiado? Será que ele correu, se acovardou, fez fita ou qualquer coisa de errado durante a luta? Será que foi ele quem mandou os juízes darem a vitória para ele? Ser vaiado foi uma injustiça.
Shogum merece uma revanche, imediatamente. Creio que seria justo que Dana marcasse a luta seguinte entre os dois. O público merece, Lyoto merece, Shogum merece. Vamos torcer para que esse confronto aconteça o mais breve possível, e que o melhor vença – sem margens para discussões.
OSS!
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
V CAMPEONATO SULAMERICANO JKA 2009


Nesses tempos de políticos corruptos e péssimos exemplos em todas as camadas da sociedade, às vezes dá até uma certa vergonha do nosso povo. Mas é só a seleção brasileira jka se reunir, pisar nos kotos para competir, que um sentimento de orgulho aflora. Orgulho de ser brasileiro.
Desde os pequeninos, com destaque para João Gabriel, do Pará, campeoníssimo do kumite individual, e que “mordeu” os adversários, atropelando todo mundo, passando pelas meninas da equipe 15-16 anos, pelos garotos do 15-16 que deram espetáculo – destaque para Thiago (RJ), que cravou 2 x 0 no chileno, na final – e pelos adultos, foi a melhor apresentação brasileira que já vi em sulamericanos.
Resultado não é tudo, principalmente em se tratando da arbitragem que vimos lá na Argentina, mas disso prefiro nem falar.
A postura dos brasileiros foi irrepreensível.
Entre as mulheres, dois terceiros lugares no kumite individual, com Manuela Spessato (RS) e Bruna Andrade (SP), e na equipe, simplesmente o tricampeonato sulamericano (2002/08/09). Completaram a equipe Marina Brito (atual campeã, mas que sofreu uma ruptura num ligamento do joelho, e por isso não pôde lutar 100 %), e Sônia Coutinho (campeã individual em 2005)
No kata individual feminino, mais uma vez deu Manuela Spessato. A gaúcha estava inspirada, e deu show com Gojushiho Sho.
No kata por equipes masculino, a fortíssima equipe brasileira, composta pelo mestre Rousimar Neves (MG) e seus alunos Bernardo e Fernando, infelizmente não conseguiu render tudo o que poderia, e ficou com a prata. É muito, mas é pouco para o nível dessa equipe, que poderia ter sido campeã com folgas. Mérito dos argentinos, que mereceram a vitória.
No kata individual, deu a lógica, e venceu pela terceira vez o argentino Cristian Salvemini, deixando Júlio Teixeira (SP) com a prata. José Renato (BA / RJ), debutante em competições pela Seleção Brasileira, ficou em quinto lugar, e fez um So Chin fortíssimo na final, honrando seu mestre, Enobaldo Athaíde, o “rei” do So Chin. Parabéns!
Bem, falar de kata sem falar do que houve nas eliminatórias seria injustiça com Andrew Marques (SP). Sem nenhuma parcialidade, ele fez um kata na eliminatória contra Salvemini que foi de arrepiar. No primeiro kata, os dois niveladíssimos: empate. Antes do desempate, uma cena, no mínimo, chata. Sensei Enoue entrou no dojo e mandou reunir os árbitros. Não acho que ele tenha dito nada para prejudicar o brasileiro, mas a simples presença do nome forte do karate jka sulamericano (e argentino) foi suficiente para desequilibrar a balança. Resultado, no novo kata (que Andrew fez melhor do que Cristian), vitória por 3x1 para o argentino. Uma pena.
Mas na final, Cristian realmente foi o melhor, com seu Gojushiho Sho. Muito bom mesmo. O cara realmente manda bem. Fazer o quê?
No kumite inividual, quanta honra! Honra de fazer parte desse grupo. Ninguém, mas ninguém mesmo, destoou nem um centímetro. TODOS os brasileiros lutaram lindamente, e perderam no detalhe. Cabral, com sangue nos olhos, devolveu a derrota sofrida no ano passado para Marcelo Monzon (Argentina), e sinalizou ao final da luta, indicando que estava um a um. Depois perdeu dando um kyzami-bomba em outro argentino, mas o gyako do sujeito parece ter entrado primeiro. A cabeça do gringo balançou bonito para trás...
Clésio fez uma excelente primeira luta, despachando um uruguaio experiente. Depois, pegou o temido Jorge Rivas (Argentina), campeão individual em 2007, com sobras. Pois é... não é que o atleta do sensei Paulo Bartolo (Santos) fez um wazari limpinho, e quase leva a luta. Nos segundos finais o gigante argentino empatou com um kyzami, e na luta de desempate, acabou levando a melhor. Linda luta!
Wagner Pereira (SP) pegou uma argentino muito chato de se lutar, e que tinha ganho de Chinzô Machida (PA) em 2005, no Brasil. Perdeu, e parecia ter entrado um tanto desatento. Falamos mais do Wagninho mais tarde...
Vinícius Moreno (MT) honrou o Estado de Zanca e estreou na Seleção da jka vencendo um paraguaio bem rápido. Na luta seguinte, pegou o temidíssimo Salvemini, considerado invencível na América do Sul. Creio que ele não perdia uma luta no continente (entre campeonatos argentinos e sulamericanos) desde 2005. Bem, sem tomar conhecimento de todo esse currículo, Vinícius tratou de cravar um gyako tchudan que explodiu na barriga do gringo: 1x0. Salvemini empatou,e depois virou num golpe que a meu ver pegou ao mesmo tempo que o de Vinícius (kyzamis simultâneos). Mesmo assim, foi o matogrossense que abriu o caminho, e mostrou que Salvemini não era tão invulnerável assim...
Eu tomei um wazari logo de cara contra o experiente Jaime Daza (Chile). Sem me afobar, consegui virar a luta. Ufa... depois venci um argentino e lutei contra o Gastón Gomes (Argentina) para decidir quem ficaria entre os oito melhores da América do Sul. Foi uma luta parelha, e ele fez um wazari de deai no meio de um mawashi tchudan. 1x0 e fim de papo.
Rafael (RS) pegou uma pedreira logo de cara, o chileno Julio Silva, um dos melhores da equipe, que vencera Gastón na disputa final por equipes de 2008. Bem ao estilo Rafael Moreira, ele deu um ashi barai que jogou o chileno gente fina de cabeça no chão: ipon. Depois atropelou Javier Acosta e Emmanuel Volpi, dois argentinos, e só foi parado por Fábio Simões, que, lutando do jeito “Fabinho” de sempre, vencia as suas lutas do lado de lá da chave. Os dois ficaram entre os oito melhores (Rafael pela quarta vez), e o paulista levou a melhor, indo para a semi-final, vencendo por 1x0 o duelo brasileiro. Em seu caminho, Fabinho virou uma luta no finalzinho contra um uruguaio na primeira rodada, e venceu bem contra um argentino muito técnico na segunda. Depois de passar por Rafael, fez uma semi parelha contra Jorge Rivas, perdendo por 1x0. Por pouco...
Na final, um Jorge Rivas meio fora de forma, que nem de longe lembrava o excelente lutador de 2007, venceu mais na catimba do que na técnica o muito superior Gastón Gomes, e sagrou-se bi.
E o todo-poderoso Cristian?
Bem, para surpresa geral, ele perdeu para um chileno muito rápido e esperto, nas quartas-de-final, levando um gyako tchudan de contra-ataque. O chileno perdeu para Gastón na semi.
No final, a disputa por equipes. Brasil x Paraguai, e 5x0 sem maiores dificuldades para os brasileiros. A equipe na ordem em que lutou: Jayme Sandall, Vinícius Moreno, Fábio Simões, César Fagundes Cabral e Rafael Moreira.
A semi, na verdade, foi uma final antecipada. Brasil x Argentina. Todo mundo parou para ver a disputa entre os maiores rivais no koto central.
A ordem da equipe foi alterada, numa jogada inteligente dos técnicos Ugo Arrigoni e Enobaldo Athaíde. Wagner Pereira abriu a série contra Cristian.
Bem, se Wagninho entrou meio desligado no individual, na equipe ele seguiu o conselho do sensei Sasaki, e ficou mais do que ligado. O argentino mexeu, e levou um kyzami que deve até agora estar se perguntando de onde veio. Wazari lindo. Wagner, quando inspirado, é o lutador de tempo mais afiado que já vi lutar em minha vida. Sem exageros. No lance seguinte, Cristian entrou, e levou um deai de gyako, no peito, que fez com que caísse sentado no chão. Mas para surpresa e decepção geral... a arbitragem viu ponto do argentino. Que pena. Wagner merecia essa vitória. No finalzinho da luta, o excelente karateca argentino virou com mãe geri/kyzami que realmente entrou: 1x0 Argentina.
Rafael entrou contra Gastón, muito inspirado esse ano. Perdeu de 1x 0, no detalhe.
Fabinho pisou no koto com a seguinte responsabilidade: se perdesse, a disputa estaria encerrada, pois a Argentina faria 3x0. Mas o aluno de Kazuo Nagamine (preparador físico e mental de Lyoto Machida) usou toda a sua catimba e experiência para vencer Marcelo Monzon por 1x0.
Entrei sabendo que se perdesse estaria tudo terminado. Confesso que prefiro abrir a disputa, ser o primeiro a lutar, mas me senti confortável sendo o quarto. Peguei Matias Sanchez, que ficou entre os oito melhores no individual. Magro, rápido e técnico, ele entrou para empatar, pois recuava e girava o tempo todo. Felizmente consegui achar a distância para meter um kyzami: wazari. Engatilhei meu deai, e ele percebeu, porque não entrou. Venci, e o Brasil fez 2x2.
Vinícius (MT) entrou para decidir contra o campeão individual, Jorge Rivas. Para tristeza da torcida brasileira, Jorge fez um wazari e montou na bicicleta: fugiu o resto do tempo de um Vinícius valente, que honrou a bandeira brasileira. Perdemos por 3x2.
No final, orgulho de ter feito parte dessa equipe.
Agradecimentos especiais aos árbitros brasileiros, imparciais e justos, e aos dirigentes e técnicos, que trabalharam demais, e estiveram presentes em todas as disputas, sem exceção.
Até o ano que vem, no Pará!
OSS!
* fotos oficiais do evento no site http://www.wsfotografias.com.br/
sábado, 17 de outubro de 2009
EXAME DE FAIXA DAS CRIANÇAS DO PROJETO SOCIAL
Sensei Tanaka mostrando uma flexibilidade de dar inveja
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
GOVERNADOR SÉRGIO CABRAL VAI AO DEGASE

terça-feira, 13 de outubro de 2009
KATA: O QUE É E PARA QUE SERVE?

Para um leigo, ou um lutador de outra arte, fica a pergunta: para que serve perder tempo treinando kata?
Os katas são excelentes instrumentos de treino para se aprimorar, lapidar, purificar a técnica do Shotokan; são fantásticos para o treino físico, pois é muito difícil explodir do nada, partindo de uma base baixa, certinha, para o movimento seguinte; são fundamentais para o treino de kime (contração), potencializando a força dos golpes; servem como treino do espírito, pois o praticante “luta” contra vários adversários imaginários.
Contudo, não posso deixar de dar minha opinião sincera: por mais importantes que os katas sejam, por esses fatores que escrevi acima, e muitos outros dos quais não tenho ainda capacidade técnica para comentar, o mais importante para um praticante de Shotokan é o kumite (luta).
No meu entendimento de apaixonado e atleta, a prática do kumite, seja na forma de shiai (luta por pontos), ou jyu (luta livre) deve ser prioridade nos treinamentos do dia a dia. Isso não quer dizer em hipótese nenhuma deixar de lado o treinamento de kata, mas sim dar mais espaço para o kumite.
Outro ponto: acredito que deveria se treinar mais a aplicação dos katas. Por um lado, isso estimularia as pessoas a quererem fazer ainda melhor os seus katas, visualizando as situações reais, e não apenas repetindo a sequência que decoraram. Por outro lado, é dentro dos katas que está a parte de defesa pessoal, de golpes traumáticos e contundentes, voltados para a vida real, e não para competições. Ora, em competições temos como golpes principais: kyzami (jeb), gyako (direto), oi tsuki (soco andando), ura ken (soco com as costas da mão), mae geri (chute reto), mawashi geri (chute em meia-lua), ura mawashi (meia-lua invertida), ashi barai (banda) e ushiro geri (chute rodado, de costas). Já nos katas, além desses golpes, temos cotovelada, joelhada (ex: Heyan Yondan), chutes traumáticos contra as pernas (ex: Basai Dai), dedo nos olhos (ex: Chin Te), torções (ex: Kanku Sho), quedas (ex: Meykyo) e técnicas para se livrar quando agarrado (ex: Heyan Shodan), além de defesas contra bastões ou pedaços de pau (ex: Ji Te), além de muitas outras variações nas aplicações.
Quando se vê isso em competições? E mesmo nos treinos dentro das academias? Quando se vê treinos de chaves, torções, joelhadas, cotoveladas, etc...
Até tem, mas é raro.
O objetivo do Shotokan é a luta, o combate, o confronto. Seja no jyu kumite (dentro da academia), no shiai kumite (competições), ou defesa pessoal.
Por isso no Tradicional e na JKA, é muito comum vermos atletas bons em kata e kumite (Chinzô Machida, Wagner Pereira, Alecsandro Jobson e até o próprio Lyoto, que antes de ir lutar mma, foi campeão brasileiro de kata, tanto no Tradicionl quanto na JKA).
Na minha opinião, essa é a essência do lutador de Shotokan.
OSS.
sábado, 10 de outubro de 2009
MAIS KARATE NA REVISTA TATAME

sexta-feira, 9 de outubro de 2009
UMA HISTÓRIA INTERESSANTE

No dia 22 de agosto de 2009, eu e Vitor fomos a um evento de MMA amador, no luxuoso hotel Orleans, em Vegas. Ryan Couture, filho de Randy, fecharia o evento fazendo a última luta da noite. Nos colocaram bem perto, encostados no ringue, e dali víamos as lutas se desenrolarem no ringue. Lá pelas tantas, mais dois lutadores foram apresentados. O público ficou confuso ao ver um homem sem a menor pinta de lutador, bem fora de forma, cara de professor de universidade, caminhando em direção ao ringue. Muita gente riu.
Por trás do improvável lutador vinha a equipe do Extreme Couture. Eu e Vitor não entendemos nada. O adversário também não estava em sua melhor forma, e a luta foi interessante, com o público passando dos risos aos aplausos conforme os dois trocavam golpes de forma séria. Ao final, o homem da Extreme Couture venceu por desistência do oponente, que estava com a mandíbula fraturada.
No dia seguinte, ficamos sabendo da história. O homem, fora de forma e com cara de professor, era Matthew Polly, um escritor famoso nos Estados Unidos, autor do best seller American Shaolin. O jornalista passara um longo tempo com monges chineses no intuito de escrever o livro. Seu novo projeto é um livro sobre o mma, e, segundo ele: “como eu poderia escrever sobre algo que não conheço? E para conhecer, tenho que fazer.”
Desnecessário dizer que viramos fãs do sujeito. Esse livro vai valer a pena comprar.
A luta está nesse link do youtube: http://www.youtube.com/watch?v=1F4fmu1ssFc
OSS!
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
LUTANDO CONTRA O TEMPO


Mas há pessoas que parecem desafiar ainda mais o tempo. O que dizer dos atletas na casa dos quarenta? Não quarenta e poucos, como Taniyama em 2006, mas quarenta e muitos, mais para cinquenta do que para quarenta.
Para mim há dois exemplos que definem bem como a idade está muito mais na cabeça do que no corpo, pois demonstram vigor físico de dar inveja em muito garoto de vinte e poucos.
Na luta profissional, temos a lenda Randy Couture, que aos 46 anos de idade fez uma luta épica contra o casca-grossa Rodrigo Minotauro. Para quem não teve a chance de ver essa batalha de gigantes, recomendo que procurem alguém que tenha gravado, ou um site que tenha o link. Mas vejam a luta. Foi, sem dúvida, uma das melhores lutas de mma de todos os tempos, terminando com a mais que merecida vitória do brasileiro, na decisão unânime dos juízes. E os dois receberam o prêmio de melhor luta da noite, uma bonificação de setenta mil dólares. Ao final, Randy disse que ainda não pretende se aposentar, pois se sente melhor do que nunca. “Nunca me senti tão bem” disse. Depois de ver a luta, alguém duvida?
No karate jka, temos outra lenda, o mineiro Rousimar Neves. Nosso atual campeão brasileiro de kata individual e por equipes da jka está com 47 anos! E, quem é carateca sabe, fazer kata é muito mais difícil do que lutar. E treinar kata, então, é muito mais cansativo. Mesmo assim, Rousimar segue treinando e competindo. E eu, que o acompanho há alguns anos, posso dizer sem exagero: o kata dele nunca esteve tão bom. Não só a técnica - que é algo que evolui com o tempo – mas a velocidade, a explosão muscular. Como pode? Bem, isso não sou capaz de explicar...
Parabéns aos guerreiros que não se deixam abater pelo tempo! OSS!