




Aconteceu nos dias 26 e 27 de novembro o XVI Campeonato Panamericano de Karate Tradicional, na cidade de Santiago, Chile. A competição contou com a presença de dez países. Paralelamente, foi realizada a IV Copa Internacional Interclubes.
O treinamento foi todo realizado na capital chilena, e a Seleção ficou junta todo o tempo, fosse nos quatro treinos diários, comandados pelo técnico, sensei Tasuke Watanabe, fosse nas refeições ou mesmo no pouco tempo livre que nos sobrava. Isso criou um vínculo muito forte e uma sensação de unidade na Seleção, o que nos fortaleceu para a competição.
A delegação foi composta por nove homens e nove mulheres, onde todos disputaram ao menos uma categoria.
No enbu misto, a dupla baiana Martinna Rey e Arlen brilhou, levando o ouro de forma incontestável; No kata por equipes feminino, a equipe liderada pela capitã Adairce Catanhetti (MT) também levou o título, deixando a equipe dos Estados Unidos com a prata. As mato-grossenses Arlene Amarante e Wildlayne Amarante completaram o time campeão. No kata individual feminino, nossa supercampeã Adairce (20 vezes campeã brasileira, consecutivamente), trouxe para o Brasil, mais uma vez, o título panamericano.
Na final do fuku-go feminino a brasileira Lélia Pires (BA) travou uma batalha com a argentina Augustina. As duas se alternavam no desempate do ko-go (modalidade que em 2011 substituiu o shiai kumite feminino, onde as atletas se alternam em ataques de, no máximo, quatro golpes), até que a baiana fez um wazari limpo, e levou o título. Walkyria Fernandes (PR) ficou com o bronze.
No ko-go, a novata da Seleção, Jamilly (BA), mostrou a que veio, sagrando-se campeã na final contra a norte-americana Soolmaz. Manuela Spesatto (RS), completou o pódio.
Os baianos Jefferson Aragão e Elias Carvalho ficaram com o bronze no enbu masculino. Jefferson levou a prata no kata individual, cujo título ficou com o pentacampeão mundial Marcos Morón (Peru). O multicampeão peruano fez Gojushiho dai na final, contra Gojushiho sho do brasileiro. Particularmente achei o kata do baiano bem superior, com mais velocidade e kime, além de uma técnica refinada (característica dos atletas da Bahia).
O time brasileiro do kata por equipes bateu na trave, conquistando a prata com um Sochin fortíssimo. Na aplicação, Vladimir Zanca (MT) não poupou os paranaenses Vinícius Sant’Ana e Jean Laure, batendo firme em cada golpe. Zanca e Vinícius disputaram o terceiro lugar no fuku-go, com vitória do mato-grossense por um jogai. A final foi decidida entre os norte-americanos Sasa Panic, que sagrou-se campeão, e Taichiro Daijima.
Kumite
No kumite individual, grande rivalidade entre os lutadores dos dez países participantes. No Panamericano, o contato no rosto foi muito tolerado, e não se viu nenhuma desclassificação. As lutas foram muito duras, e as pancadas firmes como devem ser no karate Tradicional.
Em minha estréia na Seleção Brasileira Tradicional, não tive moleza, e peguei o canadense Todd Parker, atual vice-campeão da Copa Mundial, evento que reúne os oito melhores lutadores do mundo. Depois de passar por essa pedreira, peguei Sasa Panic (EUA), que tinha acabado de sagrar-se campeão no fuku-go. Venci e segui adiante na chave. Do outro lado, Vinícius Moreno (MT), vinha vencendo suas lutas de forma convincente. O terceiro brasileiro na modalidade, Elias Carvalho(BA), perdeu para um canadense em uma decisão dividida dos árbitros, onde o central decidiu em favor do atleta do Canadá.
Esse mesmo canadense venceu um aluno do sensei Justo Gomes na semi-final, classificando-se para a grande final. Do outro lado, eu e Vinícius Moreno batalhamos pela outra vaga da finalíssima, com vitória do mato-grossense por um wazari.
Eu chutei mae geri, e ele defendeu e contra-atacou gyako tchudan no tempo exato. Depois disso corri atrás e chegei a encaixar um mae tobi geri que me rendeu um jogai, mas não consegui empatar. Mérito total de Vinícius, que na final não deu chances ao canadense e sagrou-se campeão panamericano, com todos os méritos. Na disputa do bronze venci o argentino e trouxe a medalha para o Brasil.
No kumite por equipes, passamos pelos fortes canadenses em uma semi-final, enquanto a Argentina vencia os Estados Unidos na outra. Mais rivalidade impossível na grande final...
Brasil VS Argentina.
O campeão individual Vinícius Moreno abriu a final, vencendo por um wazari. Vinícius Sant’Ana pegou o atleta que ficou em quarto lugar no individual, e segurou o resultado, empatando sua luta e entregando para mim com a vantagem de um wazari. Fechando a série, lutei com um argentino grandão, que tinha como maior arma o ashi barai. Mas consegui encaixar dois wazari e o título ficou com o Brasil.
Na Copa Interclubes, hegemonia brasileira, com os títulos de kumite individual masculino (Ruyter, PR), kata individual masculino (Roberto Mendes, RJ), kata feminino (Martinna Rey, BA) e Kogo feminino (Lélia Pires, BA).
Em breve, na página “Resultados Tradicional”, os resultados completos do Panamericano e da Copa Interclubes.
OSS!