quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Vítor Belfort treina karatê Shotokan

Vítor Belfort e Jayme Sandall treinando no octogon da academia dos irmãos Nogueira (Minotauro e Minotouro)
Jayme Sandall Vítor Belfort e Vinicio Antony

O sucesso estrondoso de Lyoto Machida fez com que o Shotokan ressurgisse no cenário das lutas. A enorme quantidade de diferentes federações de Shotokan fez com que a luta perdesse a credibilidade em relação ao judô, jiu-jitsu, boxe, muay thay... Desde que Lyoto conquistou o mundo do MMA, entretanto, os olhos dos lutadores se voltaram para o Shotokan, e uma busca por esse estilo - desde que o mesmo praticado por Machida - está se iniciando.

Vítor Belfort, fenômeno do Vale-Tudo desde os dezenove anos de idade, já tendo sido campeão do UFC em diferentes categorias de peso, procurou o karateca Vinicio Antony, multi-campeão e ex-integrante da Seleção Brasileira de Shotokan Tradicional, para treinar a arte marcial. Vinicio desenvolveu um programa específico de treinamentos, voltado para o MMA.
Belfort, dessa forma, pretende somar os pontos fortes do Shotokan (tempo, distância...) ao seu jogo diversificado - jiu-jitsu, boxe, muay thay, wrestling. Em momento algum ele quer trocar sua excelente base de lutas de trocação pelo Shotokan. O que ele quer é SOMAR.

Sob a supervisão do sensei Vinicio Antony, tenho treinado frente a frente com essa lenda do MMA, em uma troca de experiência formidável para mim. E posso testemunhar a evolução de Belfort, que já demonstra melhora nos fundamentos de deai, defesas, go no sen...

Agora é torcer para que Vítor vença a sua próxima luta - o retorno ao UFC, contra o duríssimo Rich Franklin, no dia 19 de setembro.

Novidades aqui no blog. OSS!

sábado, 1 de agosto de 2009

SULAMERICANO 2009

Ótimas notícias: o campeonato sulamericano JKA foi marcado para os dias 24 e 25 de outubro, na cidade de Buenos Aires, Argentina. Será o V sulamericano da JKA, em 8 anos.
O primeiro foi realizado em 2002, no Chile, tendo os donos da casa como campeões por equipe, e o Brasil ficando na segunda colocação (3x2). A Argentina fechou o pódio. Em 2005, foi a vez do Brasil (Porto Alegre) sediar o evento. O Brasil venceu a Argentina na final (3x2), deixando o Paraguai em terceiro. Nesta final, destaque para as vitórias espetaculares de Wagner Pereira (SP) sobre Gastón Gomes, e de Wladimir Zanca (MT) sobre Pablo Parasuco. No 3o sulamericano, na cidade de Montevidéo (Uruguai), a final de 2002 se repetiu, dessa vez com resultado oposto. Com uma equipe inspiradíssima, o Brasil cravou 5x0 em cima dos chilenos. Os argentinos ficaram em 3o. E por fim, no ano passado, em Santiago (Chile), o Brasil perdeu a semi-final para a Argentina (3x1), que fez a final contra os donos da casa, ganhando o título. Nós ficamos com o bronze.
Nos vemos na Argentina. OSS!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

UM ANO DESFAVORÁVEL

2009 tem se mostrado um ano desfavorável para a seleção brasileira JKA. De cara, a notícia do cancelamento do campeonato mundial do Japão, devido à crise econômica mundial. E agora, o sulamericano da Argentina, que seria realizado em setembro, foi adiado por causa da gripe suína. Os atletas continuam torcendo muito para que o sulamericano seja realizado, pois um ano sem nenhum evento internacional onde a seleção brasileira se reúna, treine junta, enfrente atletas de outros países, seria algo ruim.
Assim que souber de alguma novidade, divulgo aqui no blog.
OSS.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Brasileiro Tradicional 2009

José Renato, sensei Tanaka, sensei Inoki, Eduardo Santos e Jayme
Take Machida, Sensei Tanaka e sensei Machida (de pé). José Renato, Jayme, Eduardo Santos e Oswaldão.

O pódio


Kata individual



A equipe de kumitê: José Renato, Jayme Sandall, Oswaldão e Eduardo Santos


Aconteceu, nos dias 10 e 11 de julho, o XXI Campeonato Brasileiro de Karate-do Shotokan Tradicional, na maravilhosa cidade de Natal, RN.
A cerimônia de abertura foi muito bonita, com as delegações dos Estados desfilando ao som de músicas típicas, tocadas por uma banda militar. No caso do Rio, a música foi "Cidade Maravilhosa".
A delegação carioca foi composta por: Flávio Costa (responsável técnico), Eduardo Santos e Vinicio Antony (técnicos), e os atletas Jayme Sandall, José Renato, Oswaldo, Andréa, Ariane e Thaís. Ariane ficou em 3 lugar no kata da ategoria 16/17 anos. Thaís competiu na categoria 18-21,e se saiu bem em sua estréia em competições nacionais. Andréa, a gigante, ficou em 4 lugar no kata individual adulto, fazendo Unsu na semi e Basai Dai na final. Do alto de seus 1,47m, a aluna de Felipe (Shotokan), não fez bonito apenas no kata. Apesar de ter perdido na primeira luta, ela partiu para cima da filha de Niltão (RN), que acabou campeã, e tomou um wazari no finalzinho da luta, sendo elogiada pela proópria adversária. A baixinha impôs respeito e mostrou de uma vez por todas que tamanho não é documento. Foi um orgulho para os cariocas.
No masculino, José Renato ficou em 3 no kata individual, e foi vice-campeão de fuko-gô, perdendo a luta final para um baiano. Por muito pouco a final do fuko-go não foi carioca, porque perdi na semi-final (no Kanku dai) para esse mesmo baiano. Na disputa do terceiro lugar, fiz uma luta dura contra o atleta de Mato Grosso, Kleyber Moreno, e venci por 2 x 1. Repeti o terceiro lugar de 2008 na categoria que mistura kata e luta. Oswaldão acabou perdendo no kata, sentindo uma contusão antiga no joelho, na hora do salto.
No kumitê individual cheguei à final do meu dojô, e perdi para um goiano que foi vice-campeão. Oswaldão perdeu para Take Machida, que terminou como campeão brasileiro da categoria Absoluto.
O filho mais velho de sensei Machida estava muito bem, tanto física quanto mentalmente, e ganhou suas lutas de forma tranquila. Parabéns!
Na equipe, fizemos uma luta contra a fortíssima equipe do Paraná, e apesar de uma vitória para cada lado, com um empate na luta de meio, perdemos pela diferença de um wazari.
A equipe do Rio mostrou grande união, e esse foi o ponto forte da competição. Flávio, Eduardo e Vinicio foram fundamentais na consquista das medalhas, incentivando, orientando, ajudando de todas as formas todos os atletas. Obrigado!
Na categoria Especial, Ricardo Buzzi venceu o Kata Individual, merecidamente. No fuko-gô deu Alecssandro Jobson (bicampeão), deixando Zanca (MT) com o vice. No kumitê, Alecssandro foi bi também, vencendo Buzzi na finalíssima.


A MAIOR VITÓRIA DA MINHA VIDA


Essa competição foi, para mim, a mais importante da minha vida. Depois de lesionar o ombro pela enésima vez, tive que me operar. Para isso, procurei um dos melhores médicos da área, e decidi me operar com o dr. José Eduardo Amarante. Lesionei o ombro em Novembro de 2008, e entrei na faca no dia 29 de janeiro de 2009. A cirurgia foi um sucesso, graças a Deus e ao Dr. José Eduardo, e de lá para cá tenho feito um trabalho exaustivo e diário de fisioterapia. Aí entrou uma fera: José Vicente Martins, fisioterapeuta do CIRTA (Centro Integrado de Reabilitação e Terapia Aquática - http://www.cirta.com.br/), professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e faixa-preta de karatê. Por sorte, ele é meu aluno, e fez questão que eu fizesse minha reabilitação lá. Correndo contra o tempo, Vicente esenvolveu um trabalho específico de fisioterapia para o meu caso, levando em conta o fato de eu ser um atleta de karatê. Objetivando exatamente essa competição, ele conseguiu fazer um cronograma perfeito, me deixando em perfeita forma para competir. Sinceramente, nem eu acreditava que conseguisse voltar tão rápido às competições. Fiquei emocionado ao fazer kata (fiz 6, no total), e principalmente ao lutar (5 lutas, 4 vitórias e uma derrota).
Muito mais importante do que qualquer título ou medalha de recordação foi o fato de me sentir bem novamente. Se não fosse por um médico e um fisioterapeuta espetaculares, talvez eu tivesse que encerrar minha carreira.
O bronze do fuko-gô me deixou feliz. Mas voltar a treinar, a competir, e a viver bem com meu ombro, isso vale ouro.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Aulas no DEGASE


Vinicio Antony e Jayme Sandall

Há algum tempo, os agentes do DEGASE (Departamento Geral de Ações Socio Educativas), têm tido aulas de Karate Jutsu com uma equipe de professores, em um projeto promovido pela Federação do Estado do Rio de Janeiro de Karate-do Tradicional (FERJKT), sob a coordenação dos mestres Ugo Arrigoni, Eduardo Santos e Vinicio Antony. Nesse mês de junho, juntei-me à equipe, passando a dar aulas para os agentes.
Mas o que é Karate Jutsu, e por que os agentes do DEGASE têm aulas dessa arte marcial?
Os agentes que trabalham dentro dessa Unidade de Internação de menores infratores, normalmente, não possuem preparo técnico e físico ideal para lidar com as situações extremas a que são expostos muitas vezes - em casos de rebelião, ou mesmo um único menor infrator que fique descontrolado, tentando agredir os agentes. Por isso, Eduardo Santos e Ugo Arrigoni desenvolveram a idéia de preparar esses agentes através do Karate Jutso. Para isso, chamaram Vinicio Antony (faixa-preta quinto dan de karate Tradicional, faixa-preta segundo dan de jiu jitsu, e faixa-preta de Muay Thay). O ex-integrante da seleção brasileira de karate Tradicional desenvolveu um programa de aulas enfatizando chaves, torções, domínios de pegada. Ou seja, formas de se imobilizar e conter um menor descontrolado causando o mínimo de dano possível. Isso possibilitará que os agentes controlem uma situação extrema sem ferirem um menor.
O Karate Jutso, na verdade, é a volta à raiz de todas as artes marciais. No passado, as artes marciais preparavam o lutador de forma completa - da mesma forma como vem acontecendo com os atletas de Vale Tudo, por exemplo. O Karate Jutsu é o resgate desse tipo de treino.
Para aqueles que praticam karate Shotokan puro, pergunto: será que na nossa arte marcial não existem quedas, imobilizações, torções e chaves?
A resposta é sim, existe tudo isso. E no lugar mais evidente de todos: o kata. Desde técnicas para tirar o braço de alguém que o segura (Heian Shodan), passando por defesas de pegada na lapela (Heian Yondan), até torções e pegadas complexas (Basai dai, Kanku sho, etc...), os katas do nosso karate Shotokan possuem mil e uma técnicas do antigo Karate Jutsu. Só não são tão treinadas por nós.
As competições de karate - das quais sou admirador e adepto -, contribuíram em muito para a evolução de nossa luta. Elas nos deram visibilidade, popularizando o karate Shotokan. Além disso, são ótimas oportunidades do lutador se testar, verificar se um golpe realmente funciona "à vera", porque na competição, quem bate, bate com toda a força e velocidade, e quem defende faz de tudo para defender. Sem combinação, sem companheirismo de treino. É, como o nome diz, uma competição. Entretanto, com os campeonatos veio a parte prejudicial para o karate Shotokan. Muitos golpes - aqueles que não se utilizam nos torneios por não serem ponto - foram sendo treinados cada vez menos, até serem praticamente extintos (obviamente falo da maioria, pois sempre há exceções, mestres que mantém esses golpes em seu "cardápio" de aulas). Joelhadas, cotoveladas, golpes em gancho e em círculo, são exemplos. Tudo isso existe no Shotokan, mas são golpes pouco utilizados, bem como as torções e quedas.
Enfim, através do Karate Jutsu os agentes aprendem o karate Shotokan, com ênfase não nos golpes de competição, mas na parte de defesa pessoal, que para eles é essencial.
Mais informações sobre o projeto podem ser encontradas no site da FERJKT (http://www.ferjkt.com.br/), no site pessoal do sensei Vinicio Antony (http://www.vinicioantony.com/), ou ainda no site oficial do governo (http://www.imprensa.rj.gov.br/SCSSiteImprensa/detalhe_noticia.asp?ident=48305)

sábado, 27 de junho de 2009

O que é Machida Karate?

Quem acompanha o mundo do MMA (Mixed Martial Arts) - o bom e velho Vale Tudo - está presenciando o sucesso incontestável de Lyoto Machida como campeão invicto do UFC. E, pela primeira vez, ouve-se falar no termo "Machida karate". Mas o que seria isso? Seria um novo estilo de luta? Uma nova modalidade de karate, para inchar ainda mais os incontáveis estilos e federações da arte das mãos vazias?
Segue abaixo o link de uma antrevista com sensei Machida (foto), onde ele diz "O nosso estilo é diferente, você vê que a maioria é do KickBoxing, Jiu-Jitsu, e o nosso é realmente como o Caratê antigo..."
O karate que Lyoto usa nos ringues de MMA é o karate que seu pai aprendeu, lá atrás, no Japão, e depois desenvolveu durante décadas, treinando com vários mestres - entre eles Masahiko Tanaka e Yamamoto, lendas do karate JKA. Yamamoto, inclusive morou em Belém (PA).
É o karate Shotokan da JKA. Tanto que sensei Yoshizo Machida é o técnico da Seleção Brasileira da JKA, cargo que também ocupou no karate Tradicional. Os irmãos, Chinzô e Take, são da Seleção Brasileira JKA, e o próprio Lyoto integrou a equipe, saindo apenas quando iniciou sua vida no MMA. Lyoto e Chinzô integraram também a Seleção Brasileira de karate Tradicional.
Por que, então, Lyoto tem dito que pratica "Machida Karate"? Simples: foi ele quem meteu a cara, treinou como um condenado, teve coragem para se jogar de cabeça em busca de um sonho. E foi dentro de sua família que encontrou apoio quando fez suas primeiras lutas, e poucos apostavam nele. Então, nada mais justo que eles queiram diferenciar o karate que Lyoto coloca em prática em cima dos ringues dos tantos outros "karates" que existem por aí. Fica dificílimo para quem é leigo no assunto saber qual a diferença entre um ou outro karate. Além dos muitos estilos, há ainda diferentes federações dentro dos estilos. Até a gente, que pratica há anos, às vezes se perde. Nada mais justo que divulguem a luta como Machida Karate.
Nós, que praticamos karate Shotokan JKA / Tradicional, sabemos que lutamos exatamente a mesma coisa que a família Machida. Isso nos basta.
http://www.tatame.com.br/2009/06/05/Yoshizo-Machida

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Treinos em Floripa

Na semana passada tive o prazer de visitar a Ilha da Magia. Fui muito bem recebido por todos - em especial pelos professores Celso e Castro - e treinei na academia Budokan (foto), e no dojô Kolesnikovas, do sensei Celso Kolesnikovas. Fiquei feliz em ver que o karate tradicional / jka está muito bem representado em Florianópolis, onde todos os alunos demonstraram respeito, esforço e qualidade técnica - exatamente o que é exigido de um praticante de karate Shotokan. Obrigado pela acolhida, e espero voltar em breve para treinar em Floripa. OSS!