segunda-feira, 28 de março de 2011
DESUNIÃO TOTAL
Lembro bem que certa vez eu conversava com uma carateca de uma organização que eu não conhecia, e eu falava sobre o Tradicional e a JKA, e ela simplesmente não conhecia – e nem demonstrava o menor interesse em conhecer – ninguém. Nem os mestres, nem os atletas. Na época (2006) perguntei sobre os Machida, e ela fez uma cara como se eu estivesse falando de algum obscuro japonês sem importância. Depois do sucesso estrondoso do Lyoto, todo mundo começou a dizer que ele era do SEU karate. Engraçado...
Enfim, isso é muito triste. O cara se esforça, treina como um louco, alcança um título expressivo, e grande parte dos praticantes de karate nem sabem quem ele é. Em uma tentativa patética de solucionar esse problema, muitas pessoas começam a dizer que suas organizações são as mais fortes, as únicas, as verdadeiras. Essa tentativa de enaltecer o título diminuindo os outros é deselegante, para dizer o mínimo. O pior é que esse caminho de desintegração do karate, para mim, infelizmente parece sem volta. Hoje há tanto ressentimento entre as organizações, tantos interesses em jogo (dinheiro e poder são os principais, sempre), que ninguém vai querer dar o braço a torcer. Voltar atrás? Deixar de ser o presidente supremo todo-poderoso da MINHA organização para ter um cargo secundário em outra? Jamais!
Entre os praticantes, também, tem crescido um sentimento de desunião, todo mundo achando que a SUA é melhor que a do outro. “Ele foi campeão de tal organização? Grande coisa, esse karate não é tão bom quanto o que eu pratico...” Triste. Essa desunião gera enfraquecimento, confusão, afasta patrocinadores e público, e assusta a mídia, que não se interessa em divulgar os eventos, sem compreender como pode o fulano ter sido campeão, se o cicrano também foi na semana passada. Haverá solução?
Talvez o simples respeito entre os atletas e praticantes possa melhorar esse quadro.
E, para resumir: se você quer dizer que tal federação ou organização é fraca, por favor, primeiro vá até lá e seja campeão. Daí sim, se quiser falar mal, pode até ser deselegante ou errado, mas pelo menos não vai soar como dor de cotovelo.
OSS.
segunda-feira, 21 de março de 2011
Paulo Afonso está na equipe de Lyoto Machida
O grande carateca Paulo Afonso, um dos maiores lutadores de Shotokan do Brasil e do mundo, tem em seu currículo os títulos de campeão panamericano de luta individual, campeão sulamericano por equipes, e tetra-campeão brasileiro individual. Além, disso, tem 8 lutas de MMA em sua carreira, com seis vitórias por nocaute, um empate e apenas uma derrota, na decisão. Ele foi o precursor do karate Tradicional/JKA no MMA, na década de noventa.
Agora, essa lenda do karate se junta à equipe de Lyoto Machida, auxiliando na preparação do Dragão para a luta contra o norte-americano Randy Couture, no UFC 129.
Para enfrentar um dos maiores nomes do MMA mundial em sua luta de despedida, Lyoto recrutou Paulo Afonso, que traz toda a sua bagagem como atleta de karate e MMA, para se juntar à Chinzô, Take e sensei Yoshizo. Juntos, eles vão montar a estratégia que - tomara - traga a vitória para o brasileiro.
Com certeza a preparação sempre muito bem feita do carateca agora fica ainda melhor depois da chegada desse grande campeão.
OSS!
* Confiram o vídeo dos treinamentos de Lyoto: http://www.youtube.com/watch?v=GXQeX7_wqQA&feature=player_embedded
terça-feira, 15 de março de 2011
Brasileiro JKA 2011
Além da presença de grandes mestres do Brasil, como Sasaki, Machida, Ugo Arrigoni, Alfredo Aires, Ruy Koike, Kazuo Nagamine, Gérson, Enolbaldo Athaíde, Paulo Afonso, entre outros, haverá curso com o mestre Imura, 5 xs campeão mundial de kata pela JKA.
Detalhes do curso e da competição no site: http://www.nkkbrasil.com.br/ ou no link: http://www.nkkbrasil.com.br/home/documentos/campeonatos/2011/brasileiro/comunicado_br_jka2011.pdf
sábado, 12 de março de 2011
Entrevista 2006 e a eterna falta de patrocínio
Uma entrevista para a Record, do ano de 2006, pouco antes do mundial JKA da Austrália.
Infelizmente não consegui nenhum patrocínio, mas fui do mesmo jeito, pagando do meu bolso. Triste realidade dos atletas amadores no nosso país. Fica a impressão de que os empresários e donos de grandes marcas só apóiam algum atleta pensando no retorno que terão. Afinal, para que patrocinar um atleta que não vai aparecer na televisão?
Falta de patriotismo da parte de quem pode ajudar. Nós, os atletas, nos arrebentamos para levar a bandeira do nosso país para cima do pódio, mas parece que isso não conta nada, não significa nada. Agora, se você trouxer mídia, ah, aí todo mundo quer te patrocinar, sem importar quem você é ou o que você representa.
Quantos atletas profissionais, especialmente do futebol, não têm patrocínios milionários, mega-contratos com empresas gigantes, e só sabem sair à noite para a farra, se envolver em acidentes e confusões, promovendo festas regadas à álcool e prostituição? Mas as empresas querem patrocinar, porque eles estão com os rostos na televisão.
Muito triste essa mentalidade, essa falta de critério, que culmina com a formação de "ídolos" que são, na verdade, péssimos exemplos para a juventude brasileira.
Mudando de assunto, foi criada uma nova página no blog, intitulada "Vídeos", onde estarão vários vídeos de karate. Confiram.
OSS!
sábado, 5 de março de 2011
Mike Tyson & Team Belfort
Em um evento realizado na loja do nosso grande amigo Gutemberg, no hotel Hard Rock de Vegas, tive a chance de conhecer brevemente a grande lenda do Boxe: Mike Tyson.
O mais novo campeãos dos pesos-pesados da história fez com que uma imensa fila se formasse em frente à loja. Eram centenas de fãs em busca de uma foto ao lado do ídolo, ou atrás da fotos autografadas dele.
Ao ver o Team Belfort, Tyson - que é amigo de Vitor - quis tirar a foto segurando uma camisa do time.
Impossível ficar ao lado da lenda sem lembrar de suas lutas épicas nos anos oitenta e noventa, quando ele tratorizava seus adversários em segundos.
OSS!
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
A luvona e o karate Shotokan
Na última semana em Vegas, na quinta-feira de manhã, Vitor fez seu último treino antes da luta contra Anderson.
Com isso, fiquei livre, já que ele não mais precisaria de mim para treinar.
Peguei minhas coisas e fui para a Xtreme Couture, para o treino da tarde. Treino de sparring com os profissionais.
Primeiro, fizemos um round de corrida, para aquecer. Depois, dois rounds de sombra, sem luvas, bem leve. Ali, sentia minha movimentação muito boa, e a noção de tempo e distância do Shotokan funcionando perfeitamente. Mas depois...
Era hora de colocar as luvas e os capacetes para o treino forte. Luvas de boxe. Foi a primeira vez em minha vida que lutei com as luvonas, e assim que as calcei, senti dificuldade de fechar as mãos. Capacete eu preferi não usar, porque eu já tinha experimentado uma vez, e senti que prejudicou minha visão. Se viesse soco na cara, eu ia ter que agüentar.
Havia entre os lutadores de MMA três profissionais de boxe, que faziam o treino de sparring junto. Quem fizesse com eles não poderia chutar, seria apenas boxe mesmo, e por isso o pessoal evitava. Principalmente um cara alto, forte, que ninguém queria fazer. De cara, adivinhem com quem eu quis lutar?
Quem tá na chuva é pra se molhar...
Baixei minha guarda e meti uma postura de karate, pois meu objetivo principal era me testar. Por isso não fiquei com as luvas na frente do rosto, todo fechado.
Ele pareceu meio cismado, acho que nunca tinha visto uma postura como a minha. Ficamos mais ou menos um minuto nos estudando, sem muitos golpes além de um ou dois jabs dele que eu sai e morreram no vazio. Balancei um pouco e soltei meu bom e velho kyzami, que pegou em cheio no rosto dele, com força. Ele nem se mexeu.
Depois disso...
Foi um massacre. O boxeador veio para cima, com a cabeça bem baixa, quase na altura dos meus joelhos. Eu não podia chutar, então ficou muito difícil de acertá-lo. Tentei deai umas duas vezes, mas a cabeça dele estava baixa demais, e eu tomava o swing. Levei vários socos na cara, e comecei a clinchar. Ainda acertei um bom kyzami, mas foi só. Apanhei bastante.
Depois, seguindo minha lógica de quanto pior melhor, lutei com os dois outros boxeadores, ainda sem poder chutar, e me saí bem melhor, apesar da imensa dificuldade com as luvonas. Elas mudam inteiramente a distância, e atrapalharam bastante meu jogo de karate.
Mesmo assim tomei poucos golpes no rosto e consegui encaixar bons kyzami, um deai bem forte e um mawashi zuki recuando que quase fez um knockdown. Aliás usei muito os socos recuando, que funcionam que é uma beleza.
Nos dois últimos rounds, lutei com um gigante de mais de 1,90 e uns cento e dez quilos, especialista em muay thay. Ele lutava com as luvas na frente do rosto, e isso matou meu deai, que não conseguia furar a guarda. Nós lutamos com bem menos força do que fiz com os boxeadores – que querem mesmo é trocar porrada. Consegui encaixar alguns bons chutes, e alguns socos, principalmente tchudan, mas ele me acertou muitos socos no rosto e várias caneladas que se fossem à vera teriam me deixado sem andar.
Conclusão: a luva de boxe atrapalhou muito o meu jogo.
Mais tarde, nessa mesma noite, lutei com um rapaz que é tetra-campeão mundial de taekwondo tradicional (não olímpico). Eu tinha visto ele competindo alguns dias antes, atropelando os adversários para ser campeão de um torneio de Las Vegas. Muito rápido e com chutes fortíssimos.
Fomos lutar no octagon, e de cara falei: small gloves (luvas pequenas).
Aí foi bem diferente, e me dei muito melhor. Consegui enxergar todos os golpes dele, e apesar da velocidade superior, ele não conseguia me pegar. Eu encaixei bons chutes, e dois deai (um de kyzami um de gyako) que poderiam terminar qualquer luta.
Foi um dia de grandes experiências para mim, um dia de colocar à prova meu karate.
No final do treino deu até dor de cabeça, haha.
OSS.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Aula com sensei Tanaka

Além do sensei Tanaka, estavam presentes os professores Ugo Arrigoni, Flávio Costa e Eduardo Santos.
O que o sensei Tanaka ensina em uma simples aula de uma hora é algo inimaginável. É realmente incrível ver o tamanho do conhecimento dessa pessoa que vivenciou o karate toda a sua vida. É um exemplo a ser seguido, por sua busca infinita pelo aprimoramento, e por sua humildade (até hoje ele diz otaga-ni na hora do cumprimento, e não sensei-ni, e não fala o dojo-kun porque, segundo ele, já ele não é capaz de viver exatamente da forma como o dojo-kun prega, então prefere não falar. Coisas de um samurai).
A aula – gratuita para os federados na FERJKT – foi sobre distância. Sensei explicou sobre a distância crítica, onde você jamais pode ficar sem atacar. Se entrar nessa distância, ataque.
Essa simples frase engloba todas as situações de confronto em uma luta. Desde uma competição de karate, passando pela luta de academia, combates na rua, e até mesmo o MMA.
Para quem tiver a chance de aproveitar enquanto essa lenda do karate ainda está entre nós, vale a pena. Demais. Muito mais do que se pensa.
Sensei Tanaka não é um dinossauro que vive do nome. É um poço de conhecimento, um homem que evolui a cada dia, e que por mais que eu treine com ele, sempre aprendo coisas novas.
OSS!
