domingo, 31 de março de 2013

Antes da fama

Que o mma é o esporte que mais cresce no planeta, todo mundo já sabe. Os lutadores foram alçados ao status de celebridades. Fama, dinheiro, uma vida de sonho para aqueles que conseguem o sucesso no UFC. A vida parece fácil para eles.
Já vi muitas pessoas dizendo que o mma é um atalho para o dinheiro e a fama.
Mas e antes da fama?

Muito poucas pessoas sabem do caminho que os lutadores têm que percorrer para chegar até o nível de campeões no maior evento de mma do mundo.
São anos e anos de muito esforço,  entrega total, investimento de tempo e dinheiro.
Anos em que se fica longe dos amigos e família, muitas vezes morando em outra cidade e até em outro país,  sem sequer falar a língua local.
A solidão bate forte, a exaustão é companheira diária,  as lesões são constantes.
E tudo isso tendo pela frente apenas a incerteza.

Lá no fundo bate aquele medo de estar fazendo tudo isso a troco de nada. Sim, porque para um que cosegue viver do esporte, que consegue ganhar dinheiro apenas lutando profissionalmente, há dezenas, centenas que ficam pelo caminho.

E depois que se chega lá,  tem que se trabalhar muito, muito mais do que se pode imaginar. Caso contrário, os resultados deixam de vir, e rapidamente você perde aquilo que  levou tantos anos para conquistar.

Esse sábado, por exemplo, eu, Mutante e Vitor treinamos três horas e meia, sem parar. Não havia câmeras filmando, platéia olhando, ou algum observador do UFC para conferir. Eram apenas dois lutadores de mma que se cobravam até o limite. Treinaram Jiu Jitsu,  karate, boxe, clinche, e, no final, preparação física.

Quanto mais conheço lutadores profissionais de mma - famosos ou não - , mais respeito tenho por eles.
OSS

quinta-feira, 28 de março de 2013

Treinos na Flórida

Os treinos aqui na Flórida seguem a todo vapor. Poucas vezes vi o Vitor tão bem preparado, tão motivado quanto para essa luta. Ele e todo time de treinadores sabem que Rockhold é um lutador extremamente perigoso, que chega com o título do Strikeforce e apenas uma derrota em seu currículo.

Além dos treinos de karate comigo, ele tem treinado com o time de profissionais da Blackzillians -academia onde treina Rashad Evans, entre outros lutadores consagrados -, e com o treinador de boxe Pedro Diaz, que já formou 21 medalhistas olímpicos. Dono de uma técnica fantástica e de treinos extremamente inteligentes, Diaz é uma peça fundamental nos treinamentos de Belfort.

No karate, sua evolução tem sido muito rápida. Tendo trabalhado juntos em outras três lutas do UFC, criamos uma sintonia que nos permite avançar muito rápido nos treinamentos. O sensei Vinicio Antony segue no Brasil,  pensando em estratégias e desenvolvendo técnicas específicas para a luta contra Rockhold.

Tenho treinado também o campeão do TUF Brasil 1, Cezar Mutante, que irá enfrentar, no mesmo UFC de Vitor, em Santa Catarina, o norte-americano C. B. Dollaway, que vem de vitória sobre Daniel Sarafian, por decisão.
Eu e Mutante já tínhamos treinado karate em 2011, em Las Vegas. Agora, teremos um mês para trabalharmos algumas entradas específicas.

Em breve postarei fotos dos treinamentos.
OSS!

sábado, 23 de março de 2013

Continuidade

O karate é um legado, algo que deve ser aprendido e passado adiante. Caso contrário, o conhecimento se perde, e é como se jamais tivesse existido.
A imortalidade de uma filosofia, ou, no caso do karate, das técnicas, está exatamente na passagem do conhecimento adiante. Daí a importância gigantesca dos professores e técnicos.

Quando o Vitor treina karate comigo, na verdade está aprendendo todo o conhecimento que adquiri ao longo da minha vida.
Está treinando com meu sensei, Ugo Arrigoni, que por sua vez me passou os ensinamentos do seu mestre, Tanaka; Está treinando com o sensei Vinicio Antony, que aprendeu com seu professor, Victor Hugo.
Enfim, quando Vitor Belfort, lutador profissional do maior evento de mma do planeta, fizer um golpe do karate, estará colocando em prática o ensinamento de diversos professores.

Fica aqui registrado o agradecimento a todos os mestres que, ao ensinarem suas técnicas,
mantiveram o conhecimento do karate vivo.
OSS

domingo, 17 de março de 2013

Treinos com Vitor Belfort na Florida





A equipe está reunida mais uma vez.
Nessa terça-feira (19/03), embarcarei para a Florida com o intuito de dar continuidade ao treinamento de karate Shotokan de Vitor Belfort.
Nesses 30 dias que ficarei por lá, treinaremos uma série de golpes que fazem parte da estratégia que o sensei Vinicio Antony e eu traçamos para que o Fenômeno possa vencer o norte-americano Luke Rockhold, que tem em seu cartel 11 lutas - com 10 vitórias -, e que já venceu, entre outros, o brasileiro Ronaldo Jacaré, um dos lutadores mais casca-grossa do mundo.

Vitor, que vem de uma belíssima vitória por nocaute técnico sobre o britânico Michael Bispin, terá que passar por esse difícil oponente se quiser lutar mais uma vez pelo título dos médios.
O intuito é deixar Belfort ainda mais rápido, com um alcance maior dos golpes e um timing ainda mais apurado. Treinaremos golpes específicos para situações que costumam se repetir muito nas lutas de Rockhold. Ou seja, será um trabalho totalmente calcado no estilo de luta do adversário.

Manterei os posts atualizados sobre os treinamentos.
OSS.

domingo, 10 de março de 2013

A evolução do karate

Evolução ou involução?
Essa é a minha maior dúvida.
Creio que a resposta seja: as duas coisas. Isso porque ao mesmo tempo em que vejo a parte física e as técnicas evoluírem, com diferentes golpes e estilos de lutar sendo aplicados com sucesso, vejo um declínio imenso no espírito de luta, na postura dos atletas.
E o que é mais importante?

Apesar de ser um lutador que preza e treina incessantemente em busca da técnica perfeita, acredito piamente que mais importante do que tudo é o espírito de luta.
Antigamente, mais do que criar lutadores que faziam golpes perfeitos, os mestres priorizavam a criação de guerreiros, samurais que encaravam qualquer coisa e que preferiam cuspir um dente a colocar a mão na cara acusando um golpe.
Isso era ser karateca.

Torço para que mestres, praticantes e dirigentes percebam que o caminho é a combinação dessas características. Se a evolução das técnicas e da parte física seguir lado a lado com a postura que os lutadores do passado tinham, teremos então uma arte marcial fortíssima, que será respeitada por todos.
Para isso as regras de competição deveriam ser mais rígidas e punir menos quem bate, e mais quem acusa o golpe; deveria desclassificar atletas que desrespeitem as regras ou os árbitros; permitir um pouco mais de contato, já que se usam luvas e protetores bucais hoje em dia.
Com isso, os professores de academia estimulariam seus alunos desde cedo a terem uma postura correta.

OSS!

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Lyoto Machida vs Dan Henderson





Uma luta morna.
Essa é a definição do combate entre Lyoto e Hendo.
No primeiro round, muito estudo de ambas as partes. Fugindo um pouco de seu estilo habitual de partir para cima, o americano preferiu estudar o oponente, mantendo-se a uma distância segura. Ficou evidente que ele estava preocupado com os contragolpes de Machida, e que por isso evitava se expor como faz normalmente.
Lyoto, por sua vez, lutava no mesmo estilo de sempre.
Henderson chegou a acertar um bom soco de direita - sua principal arma -, mas no final do assalto o brasileiro conseguiu uma linda queda, completando com uma bomba que deixou o rosto de Hendo bem marcado. Infelizmente o round acabou em seguida. Caso a queda tivesse acontecido trinta segundos antes, acredito que a história da luta poderia ser bem diferente, com o americano em maus lençóis.

No segundo round, Machida acertou bem mais golpes, mas nada contundente. Ele tentava muitos mae geris (chutes frontais) na linha de cintura, e uma vez chegou a acertar o rosto do adversário.

No terceiro e último round, a mesma história do segundo se repetia, com Lyoto acertando mais golpes, até um ushiro geri (chute giratório na linha de cintura) e um mae tobi geri (chute frontal com salto) no rosto. Mas, ao tentar uma joelhada, ele escorregou, e Hendo caiu por cima. Apesar de ser um especialista no ground and pound, o americano foi completamente anulado pelo brasileiro, que ficou agarrado até encontrar a oportunidade de ficar de pé novamente.

No final, decisão dividida dos árbitros, e vitória por pontos para Lyoto.

Para que vê de fora, pode ter sido realmente uma luta morna, como escrevi lá em cima. Mas com certeza para eles a tensão era gigantesca dentro do octagon. Se nenhum dos dois arriscou mais, foi pela certeza de que poderiam ser nocauteados caso o fizessem.

Parabéns a Lyoto, que mais uma vez passou por uma pedreira que o UFC escalou para ele, e agora contabiliza 19 vitórias e 3 derrotas em sua carreira de mma.
Provavelmente o próximo desdafio do carateca será encarar o vencedor de Jon Jones e Chael Sonnen na disputa pelo título mundial dos meio-pesados.

OSS!

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Reta final de Lyoto Machida vs Dan Henderson






Reta final de treinamentos para Lyoto Machida, que, na foto acima, ouve os conselhos do sensei Tasuke Watanabe (técnico da Seleção Brasileira de karate-dô Tradicional), sob o olhar atento de seu "head coach", Chinzô Machida.

O UFC 157, que será realizado no dia 23 de fevereiro, na Califíórnia, terá a luta de Lyoto contra a pedreira Dan Henderson (EUA)

O americano de 42 anos vem de uma sequência de quatro vitórias sobre lutadores de grande expressão como Renato Babalu Sobral, Rafael Feijão, Fedor Emelianenko e Maurício Shogum. Infelizmente, três de suas últimas quatro vitórias foram sobre brasileiros.
O jogo do veterano wrestler deve ser bem previsível, mas não menos perigoso por causa disso: ele tentará encurtar a distância para encaixar um de seus potentes swings, para então tentar derrubar e ficar castigando o karateca no ground and pound. Muito cuidado para o overhand (soco semi-circular que passa por cima do braço do oponente), que ele deve tentar quando Lyoto atacar com gyako tsuki (direto).

Já Machida deve procurar exatamente o caminho inverso: manter a distância, aproveitando sua maior velocuidade e maior envergadura para conseguir atingir o adversário sem se expor - como é de sua característica.
Se contra Machida pesa ao fato de Henderson ter vencido três brasileiros nas últimas quatro lutas, contra o americano pesam as duas vitórias recentes de Lyoto contra wrestlers natos (Randy Couture e Ryan Bader).

Para mim é uma luta perigosa contra um adversário de queixo duro, vasta experiência e muita disposição. Mas Lyoto tem tudo para vencer, contando com maior velocidade, visão de luta e, principalmente, timing.

O fato de, mais uma vez, os Machida terem trazido para o treinamento o renomado técnico da Seleção Brasileira de karate-dô Tradicional, sensei Watanabe, foi uma jogada brilhante. Isso porque com suas dicas precisas e sua visão genial, sensei Watanabe traz muita coisa para o cardápio de golpes de Lyoto.
Tive a oportunidade de treinar muito com sensei Watanabe nos dois últimos anos, quando ele foi meu técnico da Seleção. Ele é um especialista em enganar o adversário, trazendo-o para o seu jogo. Tem treinos que afiam ainda mais o deai (golpe de encontro), e o oi komi (direto lançado com todo o corpo)

Confio que mais uma vez o brasileiro vai sair com a vitória do octagon, quebrando a sequência do americano, que luta em casa.

OSS!

 No link abaixo, essa mesma matéria no Portal do Vale-Tudo, um dos mais acessados sites de luta do mundo, com cerca de 5 milhões de acessos mensais:
http://portaldovaletudo.uol.com.br/br/noticias/item/4340-parceiro-de-treinador-de-lyoto-na-sele%C3%A7%C3%A3o-de-karat%C3%AA-analisa-confornto-contra-hendo