quarta-feira, 1 de maio de 2013

Jogar os outros para baixo adianta?

Me entristece ver como há pessoas que parecem se alimentar do fracasso alheio. Mais do que isso, depreciam o sucesso de outros, como se isso fosse aumentar seu sucesso. Ou pensam que o fato de diminuir o sucesso de outras pessoas vai fazer com que seus próprios fracassos sejam amenizados.
Não sei.
Só sei que é deprimente.
Isso fica muito mais evidente na guerra entre as organizações de karate.
Tudo o que um atleta conquista em outra entidade é imediatamente rechaçado e depreciado pelos praticantes de outra. Todo o esforço, sangue e suor que ele derramou para conquistar um título é jogado no lixo por aqueles que, pelo simples fato de discordarem da organização de karate alheia (muitas vezes sem nem conhecer), acham que tudo o que acontece lá não presta.
Se o atleta é da wkf, dizem que é um karate pula-pula, que não é luta, que se pegarem um lutador "de verdade", não vão aguentar um minuto.
Se é do Tradicional, dizem que são lutadores duros, sem mobilidade, amadores, e que nem veriam os golpes se lutassem com outro supostamente muito mais rápido.
Se o atleta é da JKA, acaba sendo atacado por todos os lados.
Na verdade todo mundo se desentende, e ninguém consegue admirar um lutador de outra entidade.
Que tristeza...
Se você não gosta de determinado esporte, simplesmente não o pratique, ou não assista. Caso não goste de tênis, em vez de assistir a uma partida e depois falar mal, dizer que é ridículo duas pessoas rebatendo uma bolinha, simplesmente não assista. Você tem esse direito.
O mesmo vale para as diferentes organizações de karate.
Caso você se identifique mais com uma do que com outra, ótimo! Filie-se a ela, participe de competições como atleta ou espectador, ou apenas treine dentro da academia.
Falar mal de um lutador de outra entidade sem jamais ter lutado com ele, ou na entidade dele, fica com cara de dor de cotovelo...

OSS!

domingo, 21 de abril de 2013

Fotos dos treinamentos na Florida

 Junior Girafinha, Jayme Sandall e Gilbert Durinho na Blackzillians

 Treinos na American Boxing Club
 Pedro Diaz (treinador cubano de boxe que formou 21 medalhistas olímpicos e diversos campeões mundiais), Vitor Belfort e Jayme Sandall
 Treinos com borracha na Blaczillians
 Gilbert Durinho, Jayme Sandall, Kenny Monday (campeão olímpico de wrestling), Vitor Belfort, Jr. Girafinha e Andrews nakahara (campeão mundial de karate Kyokushin)
 Andrews Nakahara, Luiz Buscapé, Jorge Santiago, Thiago Silva, Yuri Villefort, Roberto, Kenny Monday, Davi Belfort, Vitor Belfort e Jayme Sandall. Agachados: Diego, Jr. Girafinha e Gilbert Durinho
Treinos de manopla na Blackzillians


Abaixo segue link da entrevista que concedi ao Portal do Vale-Tudo:

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Qua, 17 de Abril de 2013 13:00

Treinador de caratê de Belfort promete surpresas e aponta ponto fraco de Luke

  Alan Oliveira
Foto: arquivo pessoal
Treinador de caratê de Belfort promete surpresas e aponta ponto fraco de Luke
Jayme Sandall está há um mês na Blackzilians, nos EUA, auxiliando Vitor Belfort para o duelo contra Luke Rockhold no UFC no Combate 2, em Jaraguá do Sul, dia 18 de maio. O treinador de caratê e lutador, que disputa o Brasileiro da modalidade no dia 20, conversou com o PVT e se disse satisfeito com o camp que Belfort faz para a luta.

“Estou impressionado com a qualidade dos treinadores a disposição do Vitor, o Henry Hooft no muay thai, Pedro Dias no boxe. O trabalho casa muito bem, procuro conversar bastante com os dois. Vitor ainda evolui, a cada dia. Acho até que está na melhor fase da carreira”, elogiou Jayme.

O carateca trabalha com Belfort desde antes da vitória sobre Rich Franklin, e conhece bem o Fenômeno. Por isso, é um dos poucos que não se chocaram quando Vitor nocauteou Michael Bisping com incomum chute alto no UFC São Paulo. E prometeu mais surpresas para o duelo contra Rockhold.

“Ele treinou bastante caratê para enfrentar o Bisping, com Francisco Filho, Nakahara, e o resultado foi aquele chute. Essa semana também chega o Glaube Feitosa para melhorar os treinos. O jogo do Vitor é mais perigoso do que todos pensam, ainda pode surpreender”, garantiu Sandall.

O treinador aproveitou para apontar um ponto fraco de Luke, um movimento que segundo Jayme é comum do americano, e que pode resultar em mais um nocaute para o cartel do Fenômeno.

“O Rockhold confia muito no tamanho dele. Ele acha que, por ser alto, pode só jogar a cabeça para trás que foge dos golpes. Acho que aí que vai entrar o caratê, aliado ao boxe. Vitor está melhor na hora de encontrar a distância, e acho que o Luke não vai querer trocação. Vitor é mais forte, mais rápido, e vai caçar o Luke, e acho que vai nocautear, e bonito”, aposta Jayme.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Perder não é o fim do mundo

Todo atleta treina pensando na vitória.
Todas as horas de sacrifício durante os treinos sem fim; as muitas vezes em que a vontade de treinar é mínima, mas se vence a preguiça e o desânimo e treina-se ainda mais; as viagens cansativas e o nervosismo antes de lutar.
Tudo isso faz sentido quando se busca a vitória.
Mas a derrota vem, inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde.

Ninguém é o melhor o tempo todo. Ninguém é imbatível, invencível. Todo mundo perde um dia.

Particularmente tenho encarado as derrotas com mais naturalidade a cada dia que passa. Mesmo sendo campeão e tendo que defender um título, mesmo sabendo que a pressão quando se vence algum título de peso é grande, mesmo pisando em um koto sendo favorito naquele luta.

Então, quando se perde mesmo tendo toda essa pressão sobre os ombros, se percebe que o mundo não parou por causa disso. Se percebe que isso não faz com que você seja pior, ou menos capaz, ou tenha menos mérito. Perder não significa jogar todo o treino do passado fora. Significa apenas perder.

Para mim, o segredo é também não valorizar demais as vitórias. Vencer é ótimo, claro, ser campeão dá uma satisfação imensa. Mas nunca me fez sentir que eu era melhor do que ninguém. Sempre tive a consciência de que venci naquele dia, naquele momento, lutando naquela chave, e que qualquer mudança nisso poderia ter feito com que eu não fosse campeão. Fosse por uma diferença na chave, um árbitro diferente, ou mesmo uma outra hora.

Não me sentir "o melhor", mesmo quando sou campeão, faz com que eu não me sinta "o pior" quando perco.

OSS.

domingo, 7 de abril de 2013

Equipe completa

Com a chegada de Gilbert Durinho - que veio de vitória por finalização no primeiro round sobre Rodolfo Carneiro no último final de semana - o Team Belfort está completo. A preparação de Vitor entra na reta final, e ele está afiadíssimo.

Belfort treina muay thay com Henri Hooft - head coach da Blackzillians -, boxe com Pedro Diaz,  jiu jitsu com Durinho e karate Shotokan comigo, alem de ter uma série de pessoas que ajudam muito, como Jorge Santiago, Marcão (judô) e Paulo (preparação física), entre outros.
A partir do dia 19, o casca grossa Glaube Feitosa, karateca de primeira linha e campeão do K1 - o principal torneio de trocação do mundo -, virá integrar o time, afiando Vitor no kyokushin.

Todos sabemos que Luke Rockhold é uma pedreira, e por isso todos os treinadores montam suas estratégias em cima do jogo do americano.
Nessa reta final,  Belfort lapida suas técnicas visando chegar no dia da luta no ápice de sua forma física, técnica e mental.

Oss.

domingo, 31 de março de 2013

Antes da fama

Que o mma é o esporte que mais cresce no planeta, todo mundo já sabe. Os lutadores foram alçados ao status de celebridades. Fama, dinheiro, uma vida de sonho para aqueles que conseguem o sucesso no UFC. A vida parece fácil para eles.
Já vi muitas pessoas dizendo que o mma é um atalho para o dinheiro e a fama.
Mas e antes da fama?

Muito poucas pessoas sabem do caminho que os lutadores têm que percorrer para chegar até o nível de campeões no maior evento de mma do mundo.
São anos e anos de muito esforço,  entrega total, investimento de tempo e dinheiro.
Anos em que se fica longe dos amigos e família, muitas vezes morando em outra cidade e até em outro país,  sem sequer falar a língua local.
A solidão bate forte, a exaustão é companheira diária,  as lesões são constantes.
E tudo isso tendo pela frente apenas a incerteza.

Lá no fundo bate aquele medo de estar fazendo tudo isso a troco de nada. Sim, porque para um que cosegue viver do esporte, que consegue ganhar dinheiro apenas lutando profissionalmente, há dezenas, centenas que ficam pelo caminho.

E depois que se chega lá,  tem que se trabalhar muito, muito mais do que se pode imaginar. Caso contrário, os resultados deixam de vir, e rapidamente você perde aquilo que  levou tantos anos para conquistar.

Esse sábado, por exemplo, eu, Mutante e Vitor treinamos três horas e meia, sem parar. Não havia câmeras filmando, platéia olhando, ou algum observador do UFC para conferir. Eram apenas dois lutadores de mma que se cobravam até o limite. Treinaram Jiu Jitsu,  karate, boxe, clinche, e, no final, preparação física.

Quanto mais conheço lutadores profissionais de mma - famosos ou não - , mais respeito tenho por eles.
OSS

quinta-feira, 28 de março de 2013

Treinos na Flórida

Os treinos aqui na Flórida seguem a todo vapor. Poucas vezes vi o Vitor tão bem preparado, tão motivado quanto para essa luta. Ele e todo time de treinadores sabem que Rockhold é um lutador extremamente perigoso, que chega com o título do Strikeforce e apenas uma derrota em seu currículo.

Além dos treinos de karate comigo, ele tem treinado com o time de profissionais da Blackzillians -academia onde treina Rashad Evans, entre outros lutadores consagrados -, e com o treinador de boxe Pedro Diaz, que já formou 21 medalhistas olímpicos. Dono de uma técnica fantástica e de treinos extremamente inteligentes, Diaz é uma peça fundamental nos treinamentos de Belfort.

No karate, sua evolução tem sido muito rápida. Tendo trabalhado juntos em outras três lutas do UFC, criamos uma sintonia que nos permite avançar muito rápido nos treinamentos. O sensei Vinicio Antony segue no Brasil,  pensando em estratégias e desenvolvendo técnicas específicas para a luta contra Rockhold.

Tenho treinado também o campeão do TUF Brasil 1, Cezar Mutante, que irá enfrentar, no mesmo UFC de Vitor, em Santa Catarina, o norte-americano C. B. Dollaway, que vem de vitória sobre Daniel Sarafian, por decisão.
Eu e Mutante já tínhamos treinado karate em 2011, em Las Vegas. Agora, teremos um mês para trabalharmos algumas entradas específicas.

Em breve postarei fotos dos treinamentos.
OSS!

sábado, 23 de março de 2013

Continuidade

O karate é um legado, algo que deve ser aprendido e passado adiante. Caso contrário, o conhecimento se perde, e é como se jamais tivesse existido.
A imortalidade de uma filosofia, ou, no caso do karate, das técnicas, está exatamente na passagem do conhecimento adiante. Daí a importância gigantesca dos professores e técnicos.

Quando o Vitor treina karate comigo, na verdade está aprendendo todo o conhecimento que adquiri ao longo da minha vida.
Está treinando com meu sensei, Ugo Arrigoni, que por sua vez me passou os ensinamentos do seu mestre, Tanaka; Está treinando com o sensei Vinicio Antony, que aprendeu com seu professor, Victor Hugo.
Enfim, quando Vitor Belfort, lutador profissional do maior evento de mma do planeta, fizer um golpe do karate, estará colocando em prática o ensinamento de diversos professores.

Fica aqui registrado o agradecimento a todos os mestres que, ao ensinarem suas técnicas,
mantiveram o conhecimento do karate vivo.
OSS