A histórica imagem acima, onde os mestres Yasutaka Tanaka (de costas), Masahiko Tanaka (com o microfone), Tasuke Watanabe (camisa preta) e Yoshizo Machida (de barba) estão juntos, aplicando um gyako tsuki, foi registrada no XIII campeonato Brasileiro JKA, realizado em abril de 2012, no Rio de Janeiro.
Muito mais do que a reunião de quatro grandes ícones do karate Shotokan mundial, essa foto representa uma esperança: a união é possível.
Quando sensei Nishiyama criou a ITKF, na década de oitenta, seu objetivo era resgatar o karate da forma como o tinha aprendido no Japão, pois ele se preocupava com os rumos que o karate esportivo estava tomando. Com isso, nasceu o karate Tradicional.
A JKA, entidade mais antiga do mundo de karate Shotokan, e de onde saíram os principais mestres (Nakayama, Nishiyama, Asai, Kanazawa, Oishi, Yahara e muitos outros, além dos quatro mestres da foto acima), estava envolvida em uma batalha interna que gerou um racha na entidade. Mas hoje isso é passado. A JKA está unida no Japão, e no mundo as entidades representativas da JKA crescem a cada dia. No Brasil, a JKA vem crescendo de forma exponencial nos últimos dez anos.
Então eu pergunto: o que há de mais tradicional no karate Shotokan do que a JKA?
A ITKF jamais competirá com a JKA, e vice-versa, pelo simples fato de uma ser uma entidade federativa (ITKF) e a outra ser uma escola (JKA). Ou seja, elas podem - e devem - caminhar juntas, unindo forças, sem que uma entre em competição com a outra.
Essa foto é a prova definitiva de que a união entre a ITKF e a JKA é possível.
De um lado, Yasutaka Tanaka, presidente de horna da CBKT, e Tasuke Watanabe, técnico da Seleção Brasileira Tradicional; do outro, Masahiko Tanaka, instrutor-chefe da JKA do Japão e Yoshizo Machida, técnico da Seleção Brasileira JKA.
Juntos, unidos em prol do karate.
Sonho em ver as duas entidades juntas.
Particularmente, tenho o privilégio imenso de fazer parte das duas Seleções Brasileiras - JKA e Tradicional. Tenho a oportunidade de ouro de ser treinado pelos mestres Watanabe e Machida, e de conviver e treinar com a nata do karate JKA e do Tradicional.
Mas sonho um dia poder ver a Seleção unificada, um único grupo, composto pelos melhores lutadores do Brasil, representando nosso país nas competições internacionais da ITKF e da JKA.
OSS!
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Ser atleta de karate
É difícil de explicar os sacrifícios
que um atleta de karate passa.
Parece exagero, parece que quero
enaltecer os atletas elevando-os acima do que eles realmente são. Mas não é
isso.
A verdade é que é preciso muito
mais do que simplesmente querer ser atleta, competir em alto nível, chegar até
o topo. É preciso um desejo que beira a insanidade, uma vontade maior do que se
pode imaginar. É preciso estar disposto a ir muito além das suas forças, muito
além da fé das pessoas ao seu redor.
É enfrentar as adversidades sem
se deixar abater, é conviver com as dores, com a descrença, com a incerteza. É
estar preparado para treinar durante seis meses, seis dias por semana, deixando
de lado prazeres, festas, amigos, correndo o risco de ver a competição acabar
em vinte segundos, com um ipon a favor do adversário.
Ser atleta de karate é isso tudo
e muito mais.
É deixar a família em casa,
enfrentar o olhar triste da esposa, dos pais, ou filhos, para viajar em busca
de um objetivo.
É correr atrás de patrocínio e
ouvir mais vezes a palavra “não” o que a maioria das pessoas ouve durante toda
a vida.
É sentir medo e seguir adiante.
É se cobrar mais do que qualquer
pessoa cobraria você, é tentar do fundo do coração chegar o mais longe
possível, explorar seus potenciais até o limite, espremer cada gota de
capacidade, fazer coisas inacreditáveis.
E ainda por cima ter que
responder à pergunta incômoda que ronda a todos nós: “o que você está ganhando
com isso?”
Talvez seja difícil de
compreender, mas dinheiro não é tudo na vida. Nem fama. E se o karate
Tradicional ou JKA não é alvo dos holofotes, nem dá prêmios maravilhosos em
dinheiro, e se tudo o que se ganha são medalhas simples, ou muitas vezes
absolutamente nada, a satisfação pessoal é imensurável.
Então, tudo valeu a pena, as
viagens sem fim, as horas de espera nas arquibancadas desconfortáveis dos
ginásios, as lutas duríssimas, as dores constantes.
Então, no fim, ao olharmos para
trás, teremos certeza absoluta de que faríamos tudo de novo.
OSS.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Vice-campeão mundial ITKF no MMA
Em outubro, Damien Satasiak sagrou-se vice-campeão mundial Tradicional de kumite individual, perdendo a final contra o experiente romeno Cornel Mousat.
O polonês conquistou a prata com um karate muito forte, e com ushiro geri, ura mawashi e ashi barai como seus principais golpes.
Além de ser uma fera no karate Tradicional, Damien tem se aventurado com sucesso no MMA.
Nos links abaixo, o polonês em ação tanto no karate quanto no mma.
OSS!
http://www.youtube.com/watch?v=ytGVpkTwYgs
http://www.youtube.com/watch?v=effqtSTncvE
http://www.youtube.com/watch?v=KhDYrdJnosY
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Do Vale-Tudo ao MMA
Uma excelente pedida para quem gosta do MMA é o livro: "Do Vale-Tudo ao MMA", escrito por Marcelo Alonso e Susumu Nagao.
O livro conta a história do Vale-Tudo, que se confunde coma história do jiu-jitsu, desde seus primórdios, até a transformação para o esporte que mais cresce no planeta.
Alonso acompanha esse universo desde 1992, e é um perito no assunto. Fotógrafo de mão cheia, ele é um dos donos do site Portal do Vale-Tudo, um dos mais importantes instrumentos de mídia sobre o MMA, com mais de 5 milhões de pageviews por mês.
Leitura obrigatória para quem deseja conhecer o início do MMA, quando os desafios não tinham restrição de tempo e praticamente regra nenhuma. Eram verdadeiras batalhas onde os oponentes colocavam suas vidas em risco. Hoje, as bolsas são milionárias, mas nos primórdios se lutava para divulgar sua arte marcial e sua honra.
As muitas fotos que recheiam o livro são um acervo imperdível, que conta com os maiores nomes do MMA mundial, desde Rei Zulu até Anderson Silva, passando pela família Gracie, Marco Ruas, Wallid, Vitor Belfort, Wanderlei Silva e os irmãos Nogueira, entre muitos outros.
Recomendo!
OSS!
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Por que o karate não tem espaço na mídia?
Quem pratica karate se acha injustiçado, e com razão.
Por que, afinal, o karate não está na mídia? Por que é praticamente impossível se ver uma competição de karate na televisão, seja em qual canal for?
Parte disso é devido ao fato de nossa arte marcial não ser olímpica. Mas cabe a mesma pergunta: por que ainda não é olímpico?
O karate é, inegavelmente, uma das lutas mais populares em todo o mundo. O número de karatecas espalhados ao redor do mundo é absurdo. Mesmo assim, revistas espacializadas em artes marciais não dão espaço quase nenhum para essa luta.
Pensei muito sobre esse assunto, e cheguei a uma conclusão. A culpa é dos mestres e praticantes de karate.
Vou explicar...
O karate explodiu no final da década de sessenta. Começou a ser praticado por quase todo mundo que gostava de lutas. Nos Estados Unidos, principalmente. E os norte-americanos sempre foram uma excelente vitrine para qualquer coisa. Mas, também, são os reis do marketing. E foi isso o que começou a matar o karate.
Ao perceberem a dificuldade dessa arte marcial, e em como os japoneses estavam anos-luz à frente do resto do mundo, começaram a criar suas próprias escolas de karate, com federações e competições. Logo de cara, o karate começou a se fragmentar.
Um exemplo disso foi quando Chuck Norris chegou aos cinemas de todo o mundo, popularizando o karate. Em 1969 ele ganhou a coroa tripla de Karatê por mais vitórias em torneios durante um ano, e o Lutador do Ano da revista Black Belt. Mas eu pergunto: de qual karate?
Nessa época, o Japão tinha uma safra de gênios lutando, entre eles Oishi, Masahiko Tanaka e Tabata. O Brasil já começava a despontar com Paulo Góes, Ugo Arrigoni e Watanabe. Em 1972, inclusive, Watanabe sagrou-se campeão mundial individual em Paris. Mas Norris jamais lutou contra nenhum deles.
Pois é, Norris já foi campeão de alguma organização criada nos Estados Unidos, alguma entidade paralela. E isso se reproduziu inúmeras vezes.
Na década de setenta já havia diferentes campeões de karate, que se diziam campeões mundiais.
A partir dos anos oitenta a situação piorou muito, pois a única entidade oficial e, na época, a mais respeitada, se fragmentou.
Nos anos noventa e 2000, foi uma farra. Novas federações eram criadas a cada dia, e os campeões mundiais se multiplicavam. Isso sem falar nos estilos, que fazem suas próprias competições com regras diferentes entre si...
Hoje em dia a situação é tão complicada que há dezenas de campeonatos mundiais. Pior, há tantas entidades, organizações, estilos e federações que todo mundo pode ter a sua faixa preta. Se não conseguir em uma organização respeitada e forte, basta procurar outra menos conhecida, e com certeza você vai conseguir a sua faixa preta... e vou além: há grandes mestres com dans elevadíssimos, que lhe são conferidos por eles mesmos! Sim, os mestres criam suas entidades de karate, e depois vão ganhando os dans deles mesmos (já que são os mais graduados de sua própria entidade)
Os picaretas se proliferam como erva daninha, pois encontram o terreno fértil da desorganização pela frente. Um picareta em meio a pessoas sérias é facilmente identificável e eliminado. Mas um picareta em meio a uma mistura de picaretas e pessoas sérias... fica bem difícil.
Entre os próprios praticantes e mestres há imensa discórdia. Um campeão mundial é chamado de fraco pelos praticantes da outra federação. Imaginem então um leigo (um repórter, por exemplo), o que pensa disso tudo?
Ele acaba ficando tão confuso que prefere não cobrir nenhum evento.
O crescimento do karate foi a sua ruína. Aliado à falta de um órgão central que controlasse tudo com pulso firme. A fragmentação foi inevitável...
Pior é que parece não haver uma luz no fim do túnel...
OSS
Por que, afinal, o karate não está na mídia? Por que é praticamente impossível se ver uma competição de karate na televisão, seja em qual canal for?
Parte disso é devido ao fato de nossa arte marcial não ser olímpica. Mas cabe a mesma pergunta: por que ainda não é olímpico?
O karate é, inegavelmente, uma das lutas mais populares em todo o mundo. O número de karatecas espalhados ao redor do mundo é absurdo. Mesmo assim, revistas espacializadas em artes marciais não dão espaço quase nenhum para essa luta.
Pensei muito sobre esse assunto, e cheguei a uma conclusão. A culpa é dos mestres e praticantes de karate.
Vou explicar...
O karate explodiu no final da década de sessenta. Começou a ser praticado por quase todo mundo que gostava de lutas. Nos Estados Unidos, principalmente. E os norte-americanos sempre foram uma excelente vitrine para qualquer coisa. Mas, também, são os reis do marketing. E foi isso o que começou a matar o karate.
Ao perceberem a dificuldade dessa arte marcial, e em como os japoneses estavam anos-luz à frente do resto do mundo, começaram a criar suas próprias escolas de karate, com federações e competições. Logo de cara, o karate começou a se fragmentar.
Um exemplo disso foi quando Chuck Norris chegou aos cinemas de todo o mundo, popularizando o karate. Em 1969 ele ganhou a coroa tripla de Karatê por mais vitórias em torneios durante um ano, e o Lutador do Ano da revista Black Belt. Mas eu pergunto: de qual karate?
Nessa época, o Japão tinha uma safra de gênios lutando, entre eles Oishi, Masahiko Tanaka e Tabata. O Brasil já começava a despontar com Paulo Góes, Ugo Arrigoni e Watanabe. Em 1972, inclusive, Watanabe sagrou-se campeão mundial individual em Paris. Mas Norris jamais lutou contra nenhum deles.
Pois é, Norris já foi campeão de alguma organização criada nos Estados Unidos, alguma entidade paralela. E isso se reproduziu inúmeras vezes.
Na década de setenta já havia diferentes campeões de karate, que se diziam campeões mundiais.
A partir dos anos oitenta a situação piorou muito, pois a única entidade oficial e, na época, a mais respeitada, se fragmentou.
Nos anos noventa e 2000, foi uma farra. Novas federações eram criadas a cada dia, e os campeões mundiais se multiplicavam. Isso sem falar nos estilos, que fazem suas próprias competições com regras diferentes entre si...
Hoje em dia a situação é tão complicada que há dezenas de campeonatos mundiais. Pior, há tantas entidades, organizações, estilos e federações que todo mundo pode ter a sua faixa preta. Se não conseguir em uma organização respeitada e forte, basta procurar outra menos conhecida, e com certeza você vai conseguir a sua faixa preta... e vou além: há grandes mestres com dans elevadíssimos, que lhe são conferidos por eles mesmos! Sim, os mestres criam suas entidades de karate, e depois vão ganhando os dans deles mesmos (já que são os mais graduados de sua própria entidade)
Os picaretas se proliferam como erva daninha, pois encontram o terreno fértil da desorganização pela frente. Um picareta em meio a pessoas sérias é facilmente identificável e eliminado. Mas um picareta em meio a uma mistura de picaretas e pessoas sérias... fica bem difícil.
Entre os próprios praticantes e mestres há imensa discórdia. Um campeão mundial é chamado de fraco pelos praticantes da outra federação. Imaginem então um leigo (um repórter, por exemplo), o que pensa disso tudo?
Ele acaba ficando tão confuso que prefere não cobrir nenhum evento.
O crescimento do karate foi a sua ruína. Aliado à falta de um órgão central que controlasse tudo com pulso firme. A fragmentação foi inevitável...
Pior é que parece não haver uma luz no fim do túnel...
OSS
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Flavio Costa vs Ennio Vezzuli
As matérias de jornal acima (enviadas para mim pelo faixa-preta Ary Arsolino) falam sobre aquela que é considerada como a mais longa luta de karate da história (e uma das melhores)
Durante 11 minutos, Flávio Costa (RJ) e Ennio Vezzuli (SP), duelaram sem ceder um milímetro pelo título de kumite individual do IX campeonato brasileiro.
Dois verdadeiros samurais, dois exemplos de uma geração onde a postura valia muito mais do que qualquer título.
OSS!
sábado, 5 de janeiro de 2013
Calendário karate Tradicional/JKA 2013
2013 chegou. É hora de voltar aos treinos, e, para quem é atleta, focar nas competições desse ano.
Segue abaixo o calendário de competições nacionais e internacionais para 2013. Basta clicar em cima.
OSS!
Segue abaixo o calendário de competições nacionais e internacionais para 2013. Basta clicar em cima.
OSS!
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