quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Chinzô Machida volta ao MMA
Dia 22 de novembro (sexta-feira), na cidade de Denver, Colorado (USA), o carateca Chinzô Machida fará o aguardado retorno ao MMA.
Desde sua última luta, em 15 de dezembro de 2010 (derrota por decisão para Leonardo Laiola), Machida enfrentou uma séria lesão na mão que o deixou de molho por um longo período.
Foi apenas em 2012 que ele voltou a lutar, sagrando-se campeão brasileiro JKA individual e por equipes, no Rio de Janeiro. Depois disso lutou ainda no sulamericano JKA de 2012 (campeão por equipes) e no I Amistoso Internacional JKA, realizado em 2013 no Rio de Janeiro.
Agora ele volta ao MMA, levando para o octógono o estilo inconfundível do Shotokan Tradicional/JKA.
Desejamos todo o sucesso do mundo para o integrante da Seleção Brasileira JKA nesse novo desafio. Que ele possa vencer o oponente de forma incontestável, e ainda voltar para o karate em 2014, visando o tão esperado mundial JKA do Japão.
OSS!
sábado, 26 de outubro de 2013
Lyoto Machida vence Mark Muñoz
Lyoto Machida venceu e convenceu.
Em sua estreia na
divisão até 84 kg, o brasileiro fez uma apresentação de gala. Muito mais do que
a vitória, muito mais do que o nocaute com um só golpe, Machida mostrou desde o
primeiro segundo de luta que estava diferente de sua última apresentação,
contra Phil Davis.
Dessa vez, ele se
mostrava focado, com uma postura bem mais agressiva, e com os reflexos bem mais
apurados.
Logo de cara, Muñoz
entrou com uma sequência que deve ter aprendido com o próprio Lyoto, seu amigo
e companheiro de treinos: ashi barai com oi zuki. Mas o golpe não levou nenhum
perigo ao brasileiro.
Apertando o filipino, o
carateca media a distância e preparava o bote. Ele deu dois excelentes mawashi
geri na linha de cintura do adversário. Depois variou a altura e desferiu um
mawashi na perna. Logo em seguida, chutou alto.
Muñoz até defendeu o
chute, mas não o suficiente: caiu nocauteado.
Machida partiu para cima,
e pairou sobre o oponente, que recobrou os sentidos quando bateu com a cabeça
no chão do octógono. Mas, dando um show de postura, o brasileiro não desferiu
um soco sequer, mantendo o filipino sob controle enquanto o árbitro corria para
interromper a luta.
O que Lyoto deve
perceber de uma vez por todas é que é exatamente esse tipo de postura, que
demonstrou nessa luta, o que trará para ele respeito em todo o mundo. Ele não
deve dar ouvidos para empresários ou quem quer que seja, que insistem em crer
que para um lutador de mma fazer sucesso, ele deve ser fanfarrão, lançar
desafios, e “brincar”durante a luta. Isso é para os outros. Para quem é oriundo
do karate Tradicional / JKA, o respeito deve estar acima de qualquer coisa.
Dessa vez o nosso
carateca veio sério, focado e respeitoso, e lutou o mais puro karate. Com isso,
além de uma vitória incontestável, mostrou a todos que está lutando em um nível
altíssimo.
Resta saber como será o
futuro dele. Caso Anderson Silva, amigo de longa data , vença a revanche contra
Criz Weidman, em dezembro, eles fatalmente deverão lutar pelo título. Claro que
Vitor Belfort, em excelente fase, também está no páreo, mas um confronto entre
Machida e Silva parece uma realidade cada vez mais próxima.
Será que os dois, que
já disseram que não se enfrentariam, voltariam atrás em suas declarações para
disputar o título da categoria? Resta esperar para ver...
De qualquer forma, com
Lyoto, Anderson e Vitor Belfort, parece que o cinturão dos médios acabará nas
mãos de um brasileiro.
OSS!
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Lyoto Machida vs Mark Muñoz
Nesse sábado (26/10/2013), Lyoto Machida fará sua estreia na categoria até 84 kg do UFC, no UFC Fight Night 30, em Manchester, Inglaterra.
A mudança veio após a derrota para Phil Davis em decisão polêmica em sua última luta na categoria 93 kg. Com a derrota do amigo Anderson Silva para Cris Weidman, Machida decidiu tentar a sorte na categoria mais leve.
Depois de desafiar Vitor Belfort (em minha opinião uma atitude impensada e precipitada), que não aceitou, Lyoto acertou sua luta contra o filipino, que tem um invejável cartel de 13 vitórias e apenas 3 derrotas.
Muñoz será mais um wrestler que o brasileiro enfrentará em sua carreira.
Machida terá que evitar o jogo de "levar para o chão no final do round para ganhar por pontos" que é característico desses lutadores. Foi exatamente assim que Phil Davis conquistou a vitória (sem grandes méritos) sobre o carateca, e é assim que todos os wrestlers provavelmente tentarão vencê-lo.
Confio que os treinamentos de karate tenham sido muito bem feitos, como sempre, liderados por Chinzo Machida, e que Lyoto conseguirá impor o seu jogo em pé, nocauteando o adversário.
Lyoto se encontra em situação um pouco delicada, após amargar 4 derrotas em suas últimas sete lutas (Shogum, Rampage, Jon Jones e Phil Davis). Aos 35 anos, Machida terá que se reinventar, e vir com uma estratégia bem mais agressiva do que de costume. Acredito que se ele confiar em seu poder de nocaute, mesclando ataques, deai e contra-ataques, infernizando o adversário e tirando-o da zona de conforto, ele conquistará a vitória com certa facilidade. Entretanto, se se acomodar e esperar pela boa vontade dos árbitros, estará se arriscando muito a sair da Inglaterra com mais uma derrota.
A luta será transmitida pelo Canal Combate, e o card principal terá início às cinco da tarde.
Fica aqui a torcida para o representante do karate JKA / Tradicional. Que ele volte com mais uma vitória.
OSS!
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
XXV Campeonato Brasileiro de Karate-dô Tradicional 2013
Nos dias 20, 21 e 22 de
setembro, foi realizado o XXV Campeonato Brasileiro de Karate-dô Tradicional,
na cidade de Porto Alegre, RS.
No feminino, surpresa:
pela primeira vez em vinte e um anos, o título de kata individual não ficou com
Adairce Castanhetti (MT). Dessa vez, que levou o ouro foi Martinna Rey (BA).
Manuela Spessatto (RS) ficou com a prata, e Adairce, com o bronze. Todas são atletas veteranas da
Seleção Brasileira, e o título foi decidido por décimos.
Mas quem estava em dia
inspiradíssimo foi outra baiana: Jamilly Farias. A baianinha reinou absoluta no
fuku-go, vencendo na final a mesma Martinna que vencera no kata, e no kumite,
superando uma das maiores atletas de todos os tempos no Tradicional, a também
baiana Lelia Pires. Martinna completou o pódio junto com Manuela, e provou ser
uma atleta completa: medalhou em todas as categorias individuais.
No masculino, quem
estava inspirado era Ricardo Buzzi (PR). Primeiro, ele venceu – junto de Jean
Laure e Ruyter Almeida – uma categoria que estava sob o domínio das potências Mato
Grosso e Bahia nos últimos vinte anos: o kata por equipes. Com um Nijushiho
excelente, e com uma aplicação fiel ao kata, os paranaenses ficaram com o ouro,
com méritos, e repetiram o título conquistado no começo do ano, no sul sudeste.
No kata individual, mais
um ouro para Buzzi, que venceu com um Gojushiho sho muito forte. José Renato
(RJ), ficou com a prata, com Sochin. Roberto Mendes (RJ) completou o pódio com
Gojushiho sho.
Na última disputa do
sábado, o kumite por equipes. De um lado, o Rio de Janeiro passou por Distrito
Federal e pela fortíssima Bahia na semi-final. A equipe baiana era formada por
quatro campeões brasileiros de kumite individual: Alexsandro Mendes (2010),
Alfredo Gamas (2008), Thiago Santana (2007) e Elias Carvalho (2011). Mas o Rio
de Janeiro conseguiu encaixar melhor a sua estratégia, e venceu a disputa. Na
outra chave, o Paraná teve que passar pelos atuais campeões (Mato Grosso), e
por São Paulo na semi-final. Na finalíssima, reedição da final do sul sudeste
desse ano: RJ x PR.
Na primeira luta, Jayme
Sandall conseguiu vencer por 2 wazari, e colocou os cariocas na frente. Na luta
do meio, Ricardo Buzzi vencia Ary Arsolino por um wazari, quando o atleta do
Rio sofreu uma lesão na virilha e teve que abandonar, perdendo por “doctor stop”.
O Rio ainda estava na frente, por uma pequena vantagem (o doctor stop conta
como um keikoku – 2 pontos), mas Jean Laure, que vive grande fase, fez um
wazari em Roberto Mendes. O carioca teve que correr atrás, e depois de um mãe
geri, completou com oi zuki que infelizmente pegou no pescoço do paranaense. O
árbitro central, sensei Contarelli (ITA), acertadamente desclassificou o atleta
do Rio por kinshi (golpe em local proibido). O Paraná levou o título pela
quinta vez (2001, 2005, 2006, 2011 e 2013).
No domingo, as disputas
de fuku-go e kumite individual.
No fuku-go, Jayme
Sandall teve que passar por pedreiras como Jeferson Aragão (BA), campeão
brasileiro de fuku-go em 2010, e Carlos Rodrigo (GO), atleta da Seleção
Brasileira por muitos anos. Do outro lado, Ricardo Buzzi eliminava Ronaldier
Nascimento e Vladimir Zanca. Na final, um confronto que está se tornando comum
nos últimos anos: Jayme VS Buzzi.
O paranaense partiu
para cima desde o começo. Pressionou o carioca e não deu espaço. Logo de cara,
em uma bela sequência de lenzoku waza (golpes seguidos), encaixou um gyako zuki
jodan: wazari. No lance seguinte, Jayme empatou, com um forte deai (golpe de
encontro) jodan. E então, Buzzi tirou um coelho da cartola: soltou um ura
mawashi no rosto que surpreendeu o carioca, e lhe deu o ponto do título.
Só faltava o kumite
individual para que Ricardo Buzzi saísse de Porto Alegre com um resultado
histórico, levando para casa todos os títulos das categorias que disputava.
Mas Roberto Mendes
(RJ), em excelente fase, interrompeu a sequência de títulos do paranaense, e
venceu na terceira rodada, em uma luta emocionante que levantou as torcidas dos
dois Estados. Roberto venceu ainda Cleberson Santi (PR) para chegar à
semi-final.
Em outra chave, Jayme
Sandall teve que passar pelas pedreiras Alfredo Gamas (BA) e Carlos Rodrigo
(GO) para se classificar à semi.
Ronaldier Nascimento
(AL) superou Tiago Santana (BA) e Alexsandro Mendes (BA) para vencer sua chave.
Na última vaga das
semi-finais, Jeferson Aragão (BA) passou pelo atual campeão panamericano
Vinícius Moreno (MT) em uma luta duríssima, e ficou à espera do vencedor de
César Cabral (SP), atual vice-campeão sulamericano JKA de kumite individual, e
da lenda Vladimir Zanca (MT). Cabral lutou de forma corajosa, e mergulhou em
dois deai tchudan (golpes de encontro na linha de cintura). Fez dois wazari,
mas no segundo, enquanto batia embaixo, tomou uma pancada muito forte no rosto.
Chegou a voltar para o lugar e cumprimentar o árbitro depois de receber o
ponto, mas então desmaiou de pé, e caiu com o rosto no chão, ficando nocauteado
por algum tempo. O próprio adversário o socorreu, por ser um bombeiro,
especialista em primeiros-socorros. Para alívio geral ele retomou a consciência
depois de algum tempo, e pareceu ter ficado bem. Os árbitros, de acordo com o
corpo médico do evento, o proibiram de lutar novamente, e Jeferson avançou
direto para a semi.
Na primeira luta, Jayme
encontrou o tempo do baiano, e conseguiu vencer por 2 wazari, classificando-se
para a grande final pelo terceiro ano consecutivo.
Na outra luta, uma
disputa truncada entre Roberto Mendes e Ronaldier Nascimento. No final, a
experiência do atleta de Alagoas falou mais alto, e ele avançou à final.
O ginásio lotado estava
em silêncio absoluto quando os dois atletas foram chamados para entrar no koto
para a disputa final.
Ronaldier marcou o
primeiro ponto, com seu golpe de segurança: o mae geri de esquerda. Jayme
empatou pouco depois, com um kizami de deai.
Os dois estavam muito
cautelosos, sabendo que o próximo ponto decidiria o título. Jayme acertou mais
um kizami, mas a base não estava correta, então o árbitro tirou o ponto.
Faltando pouco mais de dez segundos para o final da luta, Ronaldier acertou
mais um mãe geri de esquerda, e ficou com o título pela quarta vez (2003, 2004,
2005 e 2013).
Após o confronto, ele
não segurou as lágrimas, muito emocionado com o título de kumite.
Fica aqui o
agradecimento à organização impecável por parte da CBKT e da Federação gaúcha.
O ginásio tinha uma estrutura excelente, o cronograma foi respeitado e a
arbitragem foi extremamente competente e imparcial.
O próximo desafio agora
será o Panamericano Tradicional, que acontecerá em novembro, na Argentina.
Juntamente ao Panamericano, será realizada a Copa Panamericana, um evento aberto
a todos.
RESULTADOS
- Enbu misto: 1)
MT (Lauriany de Sá e Tales Ramiro Lúcio) / 2) BA / 3) RS
- Enbu feminino:
1) MT (Wildlayne Amarante e Nayara Amarante) / 2) BA / 3) CE
- Kata equipes
feminino: 1) MT (Adairce Castanhetti, Lauriany Sá e Wildlayne Amarante) / 2) BA / 3) RS / 4) PR
- Kata individual
feminino: 1) Martinna Rey (BA) / 2) Manuela
Spessatto (RS) / 3) Adairce Castanhetti (MT)
- Kumite por equipes
feminino: 1) BA (Lelia Pires, Martinna Rey, Jamilly Farias e Letícia Aragão) / 2) MT / 3) PR – 3) SP
- Fuku-go feminino:
1) Jamilly Farias (BA) / 2) Martinna Rey (BA) / 3) Lelia Pires (BA) – 3)
Michelle Melo (RN)
- Kumite individual
feminino: 1) Jamilly Farias (BA) / 2) Lelia Pires (BA) / 3) Martinna Rey
(BA) – 3) Manuela Spessatto (RS)
- Enbu masculino:
1) SP (Andrew Marques e Rodrigo Alves) / 2) MT / 3) CE
- Kata equipe
masculino: 1) PR (Ricardo Buzzi, Jean Laure e Ruyter Almeida) / 2) MT / 3) SP
- Kata individual
masculino: 1) Ricardo Buzzi (PR) / 2) José Renato Sampaio (RJ) / 3) Roberto
Mendes (RJ)
- Fuku-go masculino:
1) Ricardo Buzzi (PR) / 2) Jayme Sandall (RJ) / 3) Vladimir Zanca (MT) – 3)
Cristiano da Silva (BA)
- Kumite equipe
masculino: 1) PR (Ricardo Buzzi, Ruyter Almeida, Jean Laure e Cleberson Santi) / 2) RJ / 3) SP – 3) BA
- Kumite individual
masculino: 1) Ronaldier Nascimento (AL) / 2) Jayme Sandall (RJ) / 3)
Roberto Mendes (RJ) – 3) Jeferson Aragão (BA)
* No link abaixo, matéria sobre o Brasileirão 2013:
http://www.youtube.com/watch?v=q4njBHZ1KEc&feature=share
* No link abaixo, matéria sobre o Brasileirão 2013:
http://www.youtube.com/watch?v=q4njBHZ1KEc&feature=share
terça-feira, 10 de setembro de 2013
VIII Campeonato Sulamericano de Karate-dô JKA
Nos dias 07 e 08 de
setembro, na cidade de Encarnación, Paraguai, foi realizado o VIII Campeonato
Sulamericano de Karate-dô JKA.
Nesse ano, 284 atletas
de 9 países se enfrentaram em busca dos títulos em jogo.
Apesar da distância e
dificuldade de chegar à pequena Encarnación (nos reunimos em Foz do Iguaçú
para, de lá, rodarmos seis horas de ônibus até a pequena cidade com pouco mais
de cem mil habitantes. De onde estávamos, podíamos avistar do outro lado do rio
a cidade de Posadas, na Argentina), esse foi um dos mais bem organizados
sulamericanos. Mérito total do sensei Larossa e de todos os paraguaios, que se
esforçaram para receber os atletas da melhor forma possível.
No dia 7 as categorias
infanto-juvenis. A garotada mais uma vez demonstrou que tem grande qualidade
técnica e controle emocional, principalmente nas disputas de kumite. Lutaram
como gente grande.
No dia 8, o adulto.
No feminino, mais uma
vez as brasileiras comprovaram que são a maior potência da América do Sul.
Manuela Spessatto venceu o kata individual pela quarta vez, com um Gojushiho
Sho que fica melhor a cada ano. Ela agora tem nada menos do que 10 títulos
sulamericanos no currículo. Aline Dotta ficou com a prata, com Gojushiho Daí.
No kata por equipes, perdemos por pouco para a Argentina, ficando com a prata.
No kumite por equipes, infelizmente perdemos na primeira rodada para as donas
da casa, que fizeram uma final emocionante contra as argentinas. Lideradas pela
excelente Jeannette Castañeda, as argentinas ficaram com o título.
Jeannette, que no
mundial de 2011 ficou entre as oito melhores do mundo, parecia imbatível,
vencendo suas lutas de forma rápida e convincente. O título no individual seria
questão de tempo...
...não fosse por uma
brasileira que teimou em se colocar no caminho da hermana. Hannah Aires fez uma
semi-final com cara de finalíssima contra a argentina. Venceu por 2 x 1 e fez a
torcida brasileira vibrar mais do que na final por equipes no ano passado. Na
final, ela atropelou a uruguaia e sagrou-se campeã sulamericana de kumite
individual.
No masculino, como
sempre um nível altíssimo e disputas de tirar o fôlego.
No kata individual,
Rogério Higashizima foi o único brasileiro que chegou ao pódio, ficando com o
bronze. Nas duas primeiras colocações, argentinos, que dominam essa categoria
desde a primeira edição do sulamericano, em 2002. Marcelo Monzón repetiu o
resultado de 2012, ficando com o ouro.
Por equipes, a
excelente equipe de Barueri, do sensei Ruy Koike, ficou com a prata por muito
pouco. A Argentina levou o título, com um Unsu muito bem executado.
No kumite individual,
Diego Andrade e César Cabral estavam em dias iluminados. De um lado, o baiano
despachava as pedreiras Marcelo Monzón (ARG) e Julio Silva (CHI), até parar em
Rodrigo Rojas (CHI), que estava muito bem. Diego machucou seriamente o pé em
sua terceira luta, contra Julio Silva, e lutou no sacrifício. Filho de quem é
(sensei José Carlos), Diego provou que é um samurai, e mesmo sem conseguir
sequer pisar no chão, fez a luta de quartas de final contra Rodrigo Rojas e não
só lutou bem, como chutou mawashi geri com o pé machucado. Vi poucas pessoas
com tamanho espírito de luta em minha vida.
Do outro lado, depois
de chegar entre os oito melhores, Cabral venceu o temido Gastón Gomez (ARG) por
2 x 0, e depois atropelou Oscar Arancibia (CHI) na semi. Carbral foi o segundo
brasileiro a chegar em uma final de kumite individual, depois de Jayme Sandall,
ano passado. Na final, ele encarou Rodrigo Rojas, que eliminou em seu caminho,
além de Diego e Jorge Rivas (semi-final), Jayme Sandall, na segunda rodada.
Essa luta teve dois desempates, para só no terceiro sai shiai ser vencida pelo
chileno.
Na grande final, com o
espírito fortalecido depois de ter sido nocauteado pelo argentino Rivas na
semi-final, e mesmo assim ter voltado e vencido o confronto, o chileno venceu o
brasileiro.
Mérito desse excelente
atleta, que atravessa grande fase. Parabéns ao nosso Cabral, que mais uma vez
coloca o Brasil no pódio do kumite individual masculino, depois de Roberto
Pestana (bronze em 2002), Fábio Simões (bronze em 2008 e 2009) e Jayme Sandall
(prata em 2012).
No kumite por equipes,
a rivalidade ntre os países chegou ao ponto máximo.
De um lado, a poderosa
equipe argentina enfrentou Uruguai, e depois Chile, numa disputa equilibrada.
Mas, com uma equipe muito forte e unida – e com o jovem Ramon Aguirre muito
inspirado -, a Argentina chegou à final.
Na outra chave, de cara
o Brasil pegou os donos da casa.
Com uma equipe
renovada, o Paraguai veio para cima com tudo. Diego Andrade saiu da equipe por
conta da séria lesão no pé (mesmo querendo lutar), e deu lugar a César Cabral,
que se juntou a Jayme Sandall, Fábio Simões, Wagner Pereira e Rafael Moreira na
equipe titular. Depois de lutas muito difíceis, a disputa chegou ao útlimo
confronto com 2 x 2 no placar. Rafael Moreira não decepcionou, e venceu por 2 x
1 em uma luta parelha. Na semi, passamos sem problemas pelo Peru por 5 x 0 com
direito a dois ipon.
Era hora da grande
final. Mais uma vez, as duas maiores potências da América do Sul se
enfrentariam na categoria mais importante, o kumite por equipes.
As arquibancadas
estavam lotadas, e todos os olhos estavam fixos nas duas equipes que estavam
perfiladas de lados opostos do koto. Dava para ouvir até a respiração dos
lutadores que estavam se enfrentando, tamanho era o silêncio na hora das lutas.
Dessa vez, o resultado
foi diferente do ano passado. Para euforia da torcida argentina, os hermanos
venceram pela pequena vantagem de 2 x 1, e ficaram com o título pela terceira
vez (2008, 2009 e 2013). Na equipe brasileira, destaque para Wagner Pereira,
que venceu Gastón Gomez por 2 x 0, e para Fábio Simões, que empatou, e segue
como o único lutador brasileiro a continuar sem derrotas lutando pela equipe do
Brasil. Já são 12 lutas, sem nem uma derrota.
O mais interessante,
entretanto, veio depois. Mesmo perdendo, a equipe brasileira foi o centro das
atenções. Era engraçado ver muita gente querendo tirar uma foto com a equipe brasileira,
e não com a argentina. Isso comprova as palavras do sensei Machida para a
equipe, depois da competição: “os argentinos só estavam querendo tirar pontos.
E vocês querendo lutar de verdade. Para mim, vocês foram os campeões”.
Esse foi nosso maior
prêmio.
Parabéns a todos os
atletas, que mais uma vez representaram o nosso país com honra.
OSS!
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