quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Campeonato mundial 1976

O pódio do mundial de 1976 com Yahara em primeiro e Ugo Arrigoni em segundo. 

Em 1976 foi realizado aquele que foi considerado o segundo campeonato mundial de karate, organizado pela então WUKO (World Union Karate Organizations) - atual WKF.
O evento aconteceu no Cairo, Egito.
Representando as Américas, apenas o campeão e vice panamericanos: o brasileiro Ugo Arrigoni e o americano James Fields.
Nessa competição, o Brasil fez história.  Ugo Arrigoni chegou à final depois de vencer 5 lutas. Seu adversário era ninguém menos do que a lenda japonesa: sensei Yahara.

Arrigoni e Yahara empataram. A luta seguia tensa, qualquer um poderia vencer. No final, Yahara fez um wazari e foi campeão mundial.

Ugo trouxe a medalha de prata para o Brasil.

Sempre é bom lembrarmos de quem fez história e encheu nosso país de glória.

Vale mencionar que no ano seguinte, 1977, no campeonato mundial da JKA, realizado no Japão, Arrigoni e Yahara se enfrentaram novamente, em confronto válido pelo kumite por equipes. Dessa vez, o brasileiro saiu vencedor, escrevendo de vez seu nome entre os grandes do karate mundial.
Oss!

domingo, 19 de janeiro de 2020

XXI CAMPEONATO BRASILEIRO DE KARATE JKA



Acontecerá, entre os dias 06 e 10 de maio de 2020, o curso internacional JKA e o XXI campeonato brasileiro JKA.
O campeonato servirá de seletiva para o Campeonato Mundial JKA, que será realizado no Japão, em outubro.

Nesse ano, além do grande mestre Yoshizo Machida, o convidado para ministrar o curso é o ícone mundial, sensei Naka Tatsuya.

Sensei Naka, atualmente é mundialmente conhecido por ter atuado em dois filmes de luta: Kuro Obi  e High Kick Girl.
Após o grande sucesso de suas atuações, sensei Naka iniciou uma série de vídeos onde percorre o Japão em busca de outros estilos de karate.
A divulgação que faz da JKA é inestimável.
Dono de uma téncica ímpar - atualmente possui a graduação de sétimo dan pela JKA - , Naka foi campeão japonês de kumite individual, e terceiro lugar no campeonato mundial em kumite individual (ambos em 1992)

Essa será uma oportunidade imperdível aos amantes do karate: ter a oportunidade de aprender de dois dos maiores nomes do karate mundial em um mesmo evento - Yoshizo Machida e Naka Tatsuya.

As inscrições já estão abertas.
Maiores infomações: adm@nkkbrasil.com.br  -  (11) 2951-2332   -   (11) 99612-3644

OSS!

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

XX Campeonato Mundial de Karate Tradicional 2019

kumite equipes feminino

Jaime Jr. (SP) - campeão de kumite individual

A temida sala de treinos

Kata equipes

Suellen Souza (PR)

Enbu misto - Gilberto Amorim e Wildlayne Amarante

Bunkai do kata por equipes masculino. O bunkai (aplicação) foi uma criação da ITKF. Atualmente também é utilizada em outras organizações

O campeão de fukugo, Allan Araújo (BA)

Wildlayne Amarante (MT)

Final de kogo kumite masculino - Jayme Sandall (RJ) vs César Cabral (SP)

Aconteceu, entre os dias 06 e 08 de dezembro de 2019, em Curitiba, o XX campeonato mundial de karate Tradicional.

TREINOS

Na Seleção Brasileira de karate Tradicional, diferente de outras organizações, os atletas são convocados sem saberem exatamente em que categoria disputarão. Não se tem certeza nem se vai se disputar. As vagas são definidas durante os treinamentos. É assim desde 1991, quando sensei Watanabe reuniu um grupo de lutadores no Tocantins para uma concentração que, dizem, foi a mais dura da história.

Dessa vez não foi diferente, e os técnicos Nelson Santi e Vladimir Zanca, sob a supervisão do shihan Watanabe, e com o auxílio inestimável da técnica Elaine Golubics (SP) e dos auxiliares técnicos Vinícius Sant'Ana (PR) e Ricardo Buzzi (PR), definiu as vagas durante os treinos.

A Seleção ficou confinada na escola superior da polícia civil do Paraná por uma semana antes do mundial.
Graças ao esforço e dedicação do faixa preta Roney, policial civil e karateca de primeira, a Seleção foi recebida muito bem nas instalações da Polícia civil do Paraná. 

Foram dias muito duros, de uma rotina pesada com três treinos diários.
Houve muito sangue, suor e lágrimas dentro daquela sala.
Os técnicos tiraram tudo dos atletas, e, sem que se percebesse, foram subindo o nível de forma absurda.
O resultado foi uma diferença gritante no nível dos atletas do Brasil em relação ao resto do mundo. Os brasileiros demonstraram imensa força física, técnica e sobretudo psicológica.
Depois de aguentar os treinos, a competição foi o mais fácil...

Na sexta-feira (06 de dezembro), houve a disputa da Copa Mundial Interclubes, evento aberto que contou com a presença de atketas de todo Brasil, além de muitos de outros países.
O nível estava altíssimo e o evento foi um sucesso.
Alguns atletas da Seleção Brasileira principal participaram da Copa, e trouxeram as primeiras medalhas e títulos para a nossa Seleção.
Eles abriram o caminho.

No sábado e domingo, o XX campeonato mundial.

A ITKF passa por uma reeestruturação. Os últimos anos foram difíceis...
Sob a presidência do canadense Richard Jorgensen, a entidade presenciou um imenso racha, liderado pela forte equipe polonesa em 2013. Eles fundaram a New ITKF.
Seguiu-se um período um tanto confuso, com a realização de um mundial ITKF no Egito (2014), no qual o Brasil não participou. Vieram dois mundiais unificados (2015 e 2017), onde o Brasil obteve resultados expressivos.
Agora, sob a presidência do sensei Gilberto Gaertner (PR), a ITKF voltou a organizar um mundial que contou com o retorno de diversos países que estavam afastados. No total, havia 30 países filiados e 17 delegações presentes em Curitiba.
Mérito total do trabalho incansável de Gaertner e de toda a sua equipe.
O que se espera daqui para frente é um crescimento exponencial, capitaneado por Vinícius Sant'Ana, tricampeão mundial de kumite por equipes (2004, 2006 e 2010), sob a supervisão de sensei Gilberto.

O evento foi muito bem organizado e a estrutura estava fantástica. Havia transmissão ao vivo e os atletas se sentiam acolhidos e com um prazer imenso de competirem em um ambiente tão profissional.

Falando de resultados...
Existe uma frase no meio da luta que diz: "se o treino é duro, a luta é fácil"
Não que tenha sido fácil, mas o treino foi tão duro, que os resultados não poderiam ter sido diferentes.

Chuva de medalhas e títulos mundiais para o Brasil.
Foi o melhor resultado da história do karate Tradicional brasileiro em campeonatos internacionais. 

Foi emocionante ver os brasileiros em ação, todos - sem exceção - competindo com foco, determinação e uma garra absurda.
Melhor ainda era perceber os técnicos e auxiliares na beira dos kotos o tempo todo, ajudando, estimulando, e fazendo a diferença.

No masculino e no feminino, nas categorias 18 a 21 anos e adulto, desde enbu ao kumite. Sucesso total.

Fica aqui registrado o agradecimento profundo de todos os atletas aos técnicos: shihan Watanabe, que se fez presente apesar da doença que lhe aflige; Vladimir Zanca, que com sua força e imensa experiência impulsionou os atletas a chegarem ao limite máximo; Nelson Santi, que fez o impossível para estar presente;  Elaine Golubics, que com sua classe, competência e tranquilidade era um bálsamo para toda a delegação; aos auxiliares Buzzi e Vina, que se expuseram, se machucaram, treinaram com a gente e ainda trabalharam sem parar nos dias do evento.

No pódio, sobem pouquíssimos. Mas há muita gente que ajuda em silêncio, que ajuda sem aparecer na foto, que trabalhou tanto quanto o atleta na conquista daquela medalha.

Obrigado!

OSS!

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Homenagem ao shihan Watanabe no XX campeonato mundial de karate Tradicional


Aconteceu, entre os dias 06 e 08 de dezembro de 2019, em Curitiba, o XX campeonato mundial de karate Tradicional.
No evento, houve uma belíssima homenagem ao shihan Watanabe, técnico da Seleção Brasileira por décadas.
Abaixo, o texto escrito e lido pelo atual técnico, sensei Zanca, e traduzido ao inglês pelo atleta tricampeão mundial por equipes (2004,2006 e 2010), Vinícius Sant'Ana



(ZANCA) Mestre Watanabe,
(VINA) Master Watanabe
(ZANCA) A seleção brasileira preparou esta homenagem em reconhecimento ao sensei,
(VINA) The Brazilian team prepared this to honor the sensei
(ZANCA) Que tem um caráter indiscutível.
(VINA) That has a unique personality and character
(ZANCA) Nós, que somos seus filhos e netos, falamos a este público:
(VINA) We, who are your sons and grandsons, say to this audience:
(ZANCA) Temos o privilégio de sermos guiados por um a grande Mestre e Sábio,
(VINA) We have the privilege to be guided by a great master and wise man
(ZANCA) que é conhecedor profundo do ser humano.
(VINA) Who has a deep understanding of human being
(ZANCA) E ao longo de muitas décadas o Mestre Watanabe transmite seus conhecimentos.
(VINA) For many decades Master Watanabe has been sharing his knowledge
(ZANCA) Aprendemos com ele:
(VINA) We learned with :
(ZANCA) Belas e sabias palavras,
(VINA) Unique and wise words
(ZANCA) E muitas vezes,
(VINA) And for many times
(ZANCA) Aprendemos com o calor de suas explicações, literalmente
(VINA) We learned with the heat and strength of his explanations!
(ZANCA) Quem já foi da seleção brasileira, sabe do que estamos falando.
(VINA) Who has been part of the Brazilian team, knows what we are talking about!
(ZANCA) Mais do que um mestre, um gênio !
(VINA) More than a master, a genius !
(ZANCA) Que,
(VINA) Who,
(ZANCA) com poucos segundos, é capaz de olhar e fazer a leitura completa da pessoa,
(VINA) in just a few seconds can look to someone and have a complete reading about him

(ZANCA) Falando sinceramente a ela, suas fortalezas e fraquezas.
(VINA) And sincerely sharing his view about his (or her) strengths and weaknesses
(ZANCA) e,
(VINA) and
(ZANCA) Muito mais do que isso,
(VINA) Much more then that
(ZANCA) Consegue ler o caráter e o sentimento das pessoas.
(VINA) He can read the character and feelings of people
(ZANCA) Todas as vezes, que nós atletas e técnicos,
(VINA) Every time that we, athletes and coaches
(ZANCA) Nos reunimos com a seleção brasileira,
(VINA) Have a meeting with Brazilian team
(ZANCA) Sentimos aquele frio na barriga,
(VINA) We feel that tension in our stomach
(ZANCA) Mas,
(VINA) But
(ZANCA) que ao longo de dias de convívio,
(VINA) as we go through a few days spending time together
(ZANCA) nosso espírito fica fortalecido,
(VINA) our spirit gets stronger
(ZANCA) e a cada ano que passa,
(VINA) and every year that passes by
(ZANCA) pessoas melhores são forjadas pelo nosso mestre.
(VINA) Better people are formed by our master
(ZANCA) nos perguntarmos para cada colega da seleção ,
(VINA) If we ask to each friend of the Brazilian team,
(ZANCA) Como descrever o Sensei Watanabe?
(VINA), How to describe Sensei Watanabe?
(ZANCA) Centenas de características serão ditas
(VINA) Hundreds of characteristics are mentioned

ZANCA) e todas elas positivas,
(VINA) and all of them are positive
(ZANCA) pois o senhor é uma pessoa Ímpar no mundo !!!
(VINA) because you are a special and unique person in this world
(ZANCA) Ouvir suas histórias,
(VINA) As we listen to your stories
(ZANCA) Saiba o quanto elas nos contagiam e geram emoções,
(VINA) you should know how much they touch us, and how many emotions they bring,
(ZANCA) E
(VINA) and
(ZANZA) por muitas vezes,
(VINA) for many times
(ZANCA) vimos suas lagrimas caindo em seu rosto,
(VINA) we see tears in your eyes
(ZANCA) pelo verdadeiro karate!
(VINA) Because of the true karate!
(ZANCA) Isso só nos traz gratidão
(VINA) It brings us gratitude
(ZANCA) e nos enche de amor,
(VINA) and love
(ZANCA) pelo karate.
(VINA) For karate
(ZANCA) Por você mestre Watanabe !
(VINA) And for you Sensei Watanabe!
(ZANCA) Fizemos esta camiseta (pessoal começa a tirar)
(VINA) We made this t-shirt
(ZANCA) Como um gesto para carregar no nosso peito e coração a sua imagem,
(VINA) as a way to carry your image in our chest and our hearts
(ZANCA) que sempre serviu, e servirá de inspiração a nós:
(VINA) which has always been, and will forever be an inspiration to us

ZANCA) atletas da seleção brasileira,
(VINA) athletes from the brazilian team
(ZANCA) a nós técnicos
(VINA) to us coaches,
(ZANCA) e a todos os caratecas do planeta !
(VINA) and to all karate people in the world!
(ZANCA) desejamos o breve reestabelecimento de sua saúde
(VINA) we wish that you recover your health really really fast
(ZANCA) pois temos muito a aprender com você
(VINA) because we have so much more to learn from you
(ZANCA) pois você é a nossa referencia
(VINA) because you are our reference and guide,
(ZANCA) e o karate precisa de você !
(VINA) and karate needs you!
(ZANCA) Finalizando nossas palavras,
(VINA) Finally
(ZANCA) o caminho que seguimos e seguiremos é apenas um :
(VINA) the path we follow and will follow in only one:
(ZANCA) Oss, Itetsu
(VINA) Oss, Itetsu
(ZANCA) Com carinho seleção brasileira de karate
With love, from the National Brazilian Karate Team!

Oss!!

sábado, 16 de novembro de 2019

Karate pula-pula


Vi esse termo pela primeira vez há uns 14 anos, em um site de bate-papo sobre karate. Depois disso, vi o termo "pula-pula" ser repetido inúmeras vezes. Sempre se referindo aos atletas da WKF (antiga WUKO), e sempre de forma pejorativa.

O termo, na verdade, faz referência ao fato dos atletas que competem nessa federação - a maior organização de karate do planeta - , em sua maioria, se movimentarem muito, e darem pulinhos em suas fintas.
Como escrevi antes, é um termo que tenta diminuir, sacanear os atletas que lutam dessa forma. Na verdade, é um termo bem maldoso para definir toda a instituição.

"O karate pula-pula não presta"
Já ouvi muito isso também...

Eu sou do karate Tradicional. É a minha origem. Depois, conheci e comecei a competir pela JKA.
Na JKA, tive a oportunidade de lutar com diversos atletas da WKF e de outras organizações (JKS, Interestilos...)
Depois de mais de 15 anos competindo a nível nacional e internacional (meu primeiro Sulamericano pela Seleção Brasileira foi em 2002), e de ter tido a experiência de lutar nos Jogos Regionais da WKF (SP, 2010), posso dar uma opinião bem fundamentada sobre os "pula-pula".

Na verdade, quem usa esse termo deve desconhecer a qualidade dos lutadores da WKF.
Se conhecessem lutadores como Didi, Pré, Célio René, Caio D'Elia, Ciça Maia, Alexander Piamonti, e Rafael Aghayev (na foto acima), entre inúmeros outros, jamais falaria de forma pejorativa. Afinal, como falar que qualquer um desses é um lutador fraco?
Como falar que a forma que esses fantásticos lutadores se movimentam é ruim?
Na minha opinião, qualquer um desses citados acima poderia facilmente me vencer em uma competição. E não apenas por pontos, mas na pancada mesmo. A única exceção seria a Ciça, apenas porque não lutaríamos na mesma categoria.

Há de se ter respeito pelos atletas de outras entidades. Chamar de pula-pula sem jamais ter entrado em um koto para lutar contra esses atletas, é, no mímino, estranho.

A movimentação pode ser de diferentes formas. Há lutadores que se movimentam menos, outros mais. Mas o que importa é a efetividade de seus golpes. E isso muitos atletas da WKF têm de sobra.

Criticar a regra, tudo bem. Mas falar de forma pejorativa sobre milhares de atletas, é, para dizer o mínimo, falta de conhecimento.

Tenho minhas reservas em relação às regras. Mas esse é o ponto positivo de termos diferentes organizações com diferentes regras: podemos escolher aquela onde nos encaixamos melhor e onde consideramos mais interessante.

Já enfrentei adversários pesados, que lutavam parados; já tive que encarar outros que se mexiam um pouco, e depois paravam, tentando me confundir; e já lutei contra outros que se mexiam sem parar, pulando e me obrigando a recalcular a distância a cada segundo.
Já ganhei, já perdi. E percebi que cada um tem suas qualidades e seus defeitos, e que a força da pancada não tem a ver com a movimentação, e sim com a técnica da aplicação do golpe.

Há que se ter respeito, sempre.

OSS!


segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Nota de pesar: sensei Stan Schmidt


Hoje, dia 07 de outubro de 2019, faleceu a lenda do karate JKA, o grande mestre Stan Schmidt (SAF)
Considerado o "pai" do karate Shotokan da África do Sul, foi um dos primeiros ocidentais a ser convidado a fazer o curso de instrutores (kenshusei) do Honbu Dojo - a sede da JKA no Japão. Depois disso, foi um dos pouquíssimos ocidentais a integrar o shihankai (grupo de grãos mestres) da JKA.

Foi o primeiro ocidental a conquistar o sétimo dan, e também o primeiro a obter o oitavo dan, tornando-se o ocidental mais graduado do mundo.

Aluno de Enoeda, Nakayama e Asai, sensei Stan deixa como legado milhares de praticantes de karate Shotokan na África do Sul - uma das potências mundiais da JKA.

No Brasil, teve como aluno o professor Roberto Sant'Anna (SP), que fez inúmeras viagens à África do Sul com o intuito de aprender com um dos melhores karatecas de todos os tempos.

Fica aqui registrada a nota de pesar de toda a comunidade do karate JKA ao redor do mundo.
Uma perda irreparável de um grande mestre que ajudou a popularizar e difundir o karate Shotokan.

OSS.


segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Lyoto Machida vs Gegard Mousasi


Aconteceu, nesse sábado (29-09-2019), o Bellator 228, realizado na Califórnia, EUA.
O brasileiro Lyoto Machida enfrentou o armênio Gegard Mousasi e perdeu em decisão dividida.
Na mídia, muito se fala de uma luta "morna", ou seja, um combate sem graça onde nenhum dos dois mostrou muita vontade de vencer.

Eu particularmente enxerguei de forma diferente.

Vi Lyoto Machida muito bem na luta. Seguindo o progresso que vem apresentando desde que voltou a treinar karate Shotokan regularmente, sob o comando do sensei Vinicio Antony (6 dan pela ITKF), Machida se movimentava bem e apresentava muita velocidade na execução dos golpes. Se expôs inúmeras vezes, principalmente através de seus chutes, que visavam tentar abrir uma brecha na fechadíssima guarda de Mousasi.
Vamos lembrar aqui que Mousasi tem 53 lutas de mma (com 45 vitórias) e 8 lutas de kickboxing, tendo vencido todas. Ou seja, é um dos melhores trocadores do mundo. Um atleta extremamente perigoso que já venceu nomes como Vitor Belfort, Cris Weidman, Uriah Hall, Thiago Marreta, Ronaldo Jacaré e Dan Henderson.
O armênio já tinha lutado no UFC contra o carateca, e perdeu. Dessa vez, Mousasi veio com uma estratégia bem diferente: atacou muito pouco e preferiu esperar. Dessa maneira ele evitou se expor contra as maiores armas de Machida: o deai e o contra-golpe.
Ele demonstrou imenso respeito ao brasileiro, e fez uma estratégia muito inteligente, apesar de conservadora, que obrigou Machida a se abrir e atacar mais.

Analizei a luta com atenção.
Na trocação, nenhum dos dois conseguiu ser efetivo, com Lyoto caindo duas vezes no chão, ambas por desequilíbrio, e não por golpes recebidos. Os dois atacaram com extremo cuidado e não conseguiram encaixar nenhum grande golpe. No final do terceiro round, Gegard Mousasi derrubou o carateca. E aí, para mim, Lyoto se mostrou excelente. Ficou batendo, por baixo, o tempo todo, não dando chances para o armênio fazer ground and pound. E ainda encaixou uma guilhotina que por pouco não pega - o que lhe daria a vitória por finalização.

Para mim, o justo seria um empate.

De qualquer forma fica um impressão muito positiva da atuação de Lyoto nesse combate. Que ele dê continuidade ao excelente trabalho realizado por Vinicio Antony e confie que está lutando muito bem.

OSS!