quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Karate fora das Olimpíadas de 2024


Não é novidade para ninguém que o karate foi uma das modalidades selecionada para participar das Olimpíadas de Tóquio, em 2020.
Essa foi uma grande vitória da WKF (World Karate Federation), atualmente a maior organização de karate do mundo. Foi a coroação de décadas de dedicação e tentativas para entrar nos Jogos Olímpicos.

Entretanto, notícias recentes dizem que o karate não estará entre as modalidades olímpicas nos jogos de 2024, a serem realizados em Paris.
Esse foi um balde de água gelada nos milhares de praticantes filiados à WKF, espalhados ao redor do mundo. Segundo as informações do presidente da WKF, senhor António Espinós, depois dos jogos de Tóquio, o karate sai novamente do rol de esportes olímpicos.

Fica aqui uma pergunta: por quê?

O karate é um esporte muito difundido ao redor do mundo. Tem milhares de praticantes espalhados por praticamente todos os países do mundo. É mais popular do que o tae kwon do, a esgrima ou o tiro com arco, por exemplo.
Então, por que a demora em entrar nos jogos? E por que, após tantos anos de tentativas, o karate não fica em definitivo nas Olimpíadas?

Eu não sei a resposta. Mas posso tentar imaginar algumas razões e fazer algumas perguntas.

Será que, de alguma forma, isso tem a ver com a desunião histórica na nossa arte marcial?
Será que se fossemos todos unidos, sob uma mesma bandeira, já não estaríamos dentro dos Jogos Olímpicos?

O fato é que são organizações demais! Muitas mesmo, ao ponto de ter virado uma piada de mau gosto.
As siglas se confundem, se sobrepõem, se mesclam em uma salada de letras que nem os próprios praticantes sabem traduzir.
Fica difícil de explicar a um aluno que existem diversos estilos de karate, que dentro de cada estilo existem diferentes federações e organizações, e a qual você pertence.

Fica aqui a dúvida: será que se conseguíssemos, de alguma forma, nos unir, o COI não teria que finalmente admitir nossa arte marcial nos jogos?

Mas como unir algo que está cada vez mais desunido?

Com conversa, reuniões. Basicamente, com vontade política.

Se prestarmos bem atenção, dentro dessa infinidade de organizações, há um padrão básico: umas seguem a linha mais tradicional (regras de shobu ipon, proteção apenas de luvas e protetores de boca, maior rigor na marcação dos pontos, sem divisão de peso...); outras seguem uma linha mais esportiva (pontos múltiplos, uso de protetores de boca, luvas, protetor de tórax, caneleiras, com divisão de peso...)

Então, na verdade, não seria tão difífil unificar o karate em duas linhas principais: karate esportivo, e karate tradicional (* quando escrevo "tradicional" não estou me referindo a nenhuma federação. Apenas ao karate de regras mais próximas à forma como foi concebido)

Mas como unir essas duas formas em uma única competição?
Simples: mantenham-se as categorias de peso, na regra multi-ponto, com uso de protetores de tórax, caneleiras, luvas azuis e vermelhas, etc...
E incluiria-se a categoria absoluto, com regras Shobu Ipon, uso de luvas brancas, sem divisão de peso, etc...

Dessa forma, basicamente, estaria coberta a maior parte dos atletas de karate da atualidade.
E dessa forma, o karate ganharia mjuito mais força, porque seu número de atletas daria um salto, e não haveria mais brigas para atrasar o processo.

Será uma ideia impossível?

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Seminário de kumite em Salvador


Vem aí, dias 30 e 31 de março, seminário de kumite com alguns dos maiores atletas da Seleção Brasileira JKA.
Jayme Sandall  (RJ)
Diego Andrade  (BA)
Fábio Simões  (SP)
Wagner Pereira  (SP)
Rafael Moreira  (RS)

Cnovidado especial : sensei Kazuo Nagamine

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

O futuro do karate

Qual será o futuro do karate?

No princípio, o karate vitou uma febre entre os militares americanos que estavam baseados em Tóquio após o término da Segunda Guerra Mundial.
Eles trouxeram a arte marcial japonesa para os Estados Unidos, e, sem nenhum tipo de controle, começaram a dar aulas e organizar campeonatos. Começou ali a semente de uma confusão sem fim...

 Mesmo sem jamais lutar contra lutadores de outros países, nomes como Chuck Norris se tornaram campeões "mundiais". Pessoas se auto-graduavam faixas pretas e criavam legiões de alunos de técnica duvidosa.

A JKA - primeira entidade de karate do mundo - ainda era exclusivamente japonesa, e isso limitava seu controle e seu poder de divulgação.

Veio então a WUKO (World Union Karate Organizations). Como o próprio nome dizia, uma entidade cujo objetivo principal era reunir todas as organizações soltas de karate e unificar a arte marcial.
Organizaram o primeiro campeonato mundial sério, com participação de atletas do mundo inteiro, em Paris , no ano de 1972.
Descontente com a arbitragem, os japoneses boicotatram a competição individual, e retiraram-se.
um dos maiores nomes do karate , sensei Nishiyama, fundou a IAKF (International Amateur Karate Federation), posteriormente mudando seu nome para ITKF (International Traditional Karate Federation), e organizou seu primeiro campeonato mundial em 1975, em Los Angeles.

De lá pra cá, as duas entidades caminharam separadamente.

Na década de setenta, havia portanto duas entidades organizando campeonatos mundiais: A WUKO e a IAKF juntamente com a JKA.

Na década de noventa, a ITKF começou a organizar seus próprios campeonatos internacionais, separando-se permanentemente da JKA.
O primeiro campeonato mundial da ITKF foi em 1990, no Peru.

Dali para frente, foi ladeira abaixo.

As siglas começaram a se multiplicar, e mais uma vez o karate se viu mergulhado em campeonatos divididos e campeões que jamais se enfrentavam. Todos queriam ser campeões, e todos queriam ser os principais mestres.

Grande parte dos mestres saiu da JKA, mas, sem querer seguir a linha sucessória natural, fundaram suas próprias entidades onde se tornaram os intrutores-chefes e presidentes.
Assim nasceram a SKIF (sensei Kanazawa), a JKS (sensei Asai), a Karatenomichi (sensei Yahara), a ISKF (sensei Okazaki)...

Infelizmente, a cada vez que saíam da JKA para fundarem suas próprias entidades, enfraqueciam mais e mais o karate. Não julgo seus motivos, até porque não os conheço, mas o fato é que o karate foi se enfraquecendo com as seguidas divisões.

Em 1996, durante o campeonato mundial de karate Tradicional reralizado na cidade de São Paulo, houve uma tentativa de unir as duas maiores organizações federativas da época: a ITKF e a WUKO (lembrando que a JKA não era uma entidade federativa, mas uma escola de karate Shotokan).
O intuito era fundar a WKF, com regras que contemplassem os atletas de ambas as federações.
Infelizmente a união não deu certo.
A WKF foi fundada, mas sem a participação de ninguém da ITKF.

A partir de sua fundação, a WKF cresceu imensamente, e filiou-se ao COI, iniciando sua participação nos eventos olímpicos nos Jogos Panamericanos de 1999. Atualmente está contemplada com a vaga nos Jogos Olímpicos de 2020, em Tóquio, como esporte-demonstração.

O número de organizações segue crescendo...

Em 2013 a ITKF se dividiu, e deu origem à New ITKF.

Como atleta e praticante, me sinto deprimido ao ver constantes divisões, e ao ver tantos campeões.
Todos mundo consegue ser campeão. Se não em uma federação, em outra.
Qual o valor verdadeiro disso? Será que é a medalha que vale, e não o significado dela?

De forma alguma estou criticando alguma organização em particular. Todas são culpadas.
Critico, sim, a ganância e a falta de flexibilidade que fazem com que as divisões aconteçam.
Quem sofre são os praticantes e os atletas. Sempre.

Resta aos atletas tentarem escolher as organizações que atendem aos seus desejos e expectativas. Afinal, escolhas não faltam hoje em dia. Tipo de pontuação, nível dos atletas, regras, etc.

Aos atletas resta também compreender e engolir o fato de que seus títulos não valem tanto quanto no passado.
Antigamente, alguém era campeão brasileiro de karate. E ponto final.
Na época de Ugo Arrigoni, Ronaldo Carlos, Robson Maciel, Jacaré, Caribé... o campeão era O campeão. Reconhecido, valorizado, recompensado pela conquista.
Hoje em dia...
Hoje são tantos os campeões brasileiros, tantas as organizações e categorias, que o valor se dilui...

O mesmo se aplica em relação às graduações. Como se comparar um faixa preta de uma organização com o de outra? Como seguir a hierarquia quando um praticante é terceiro dan de uma entidade e outro, com bem menos tempo de prática, é quinto dan por outra organização?

Repito a pergunta: qual será o futuro do karate?


sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Atleta da Seleção Brasileira no MMA



Dia 10 de novembro o atleta da Seleção Brasileira JKA Rafael "Coxinha" Barbosa vai fazer sua décima luta de MMA.
Com apenas 20 anos de idade, o aluno de Fábio Simões (SP), já coleciona 9 vitórias e apenas uma derrota no MMA.

Em novembro, tentará sua nona vitória contra Wylcleff Bezerra, experiente lutador com 13 lutas em seu cartel.
Fica aqui registrada a torcida da comunidade do karate JKA/Tradicional. 
Rumo à mais uma vitória !
Oss!

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

I Campeonato Panamericano JKA

Bruna Magalhães


A equipe de kumite masculino

O presidente da JKA BRasil, Roberto Tanaka, com o troféu de campeão geral do evento.
Enzo Pantoja, Lucas Venito e Thomás Frassá
Nossa delegação


Aconteceu, nos dias 08 e 09 de setembro de 2018 o I Campeonato Panamericano de karate JKA.
Realizado na belíssima cidade de Lima, Peru, o evento contou com a participação de 14 países.

Nas categorias de base, o Brasil deu um verdadeiro espetáculo, vencendo a grande maioria das disputas. Algumas categorias, como masculino 15 e 16 anos, e masculino e feminino 17 e 18 anos, tiveram finais 100 % brasileiras. Foram emocionantes as finais entre Rondon Caiado e Raul Bryan (15 e 16 anos), Enzo Pantoja e Lucas Venito (17 e 18 anos), e Bruna Magalhães e Patrícia (17 e 18 anos)

Na categoria 19 e 20 anos, João Lima se classificou para a final após uma disputa emocionante contra o também brasileiro Rafael Coxa. Na final, contra ur argentino,  João mostrou toda a sua garra e coragem: após levar uma pancada muito forte e chegar ao knock down, ele se levantou e partiu para cima, sem uma gota de medo, e venceu de forma incrível.
Isso é o mais importante. Mostrar a todos os países que os brasileiros jamais desistem, e se caímos, levantamos em seguida e seguimos em busca da vitória.

Mais uma vez o Brasil mostra que sua base é sólida, e que não depende do talento isolado de um ou outro atleta. Todos se destacaram e deram o seu melhor. E as medalhas foram consequência disso.

Jamais os resultados haviam sido tão expressivos. Mérito total dos professores, que dentro de suas academias estão treinando seus alunos de acordo com o padrão JKA. Com isso os atletas chegam à Seleção precisando de pouquíssimos ajustes. Mérito também dos técnicos: Shihan Yoshizo Machida, Shihan Kazuo Nagamine, sensei Carlos Rocha, sensei Enobaldo Athaíde, sensei Roberto Pestana e sensei Rafael Moreira, além dos membros da comissão técnica.
Sem os técnicos e os membros da comissão técnica, os resultados jamais seriam tão positivos.

Pela primeira vez, foram realizadas as categorias máster. E o Brasil venceu praticamente tudo! Destaque para a final brasileira entre André Luiz e Edson Luciano (categoria kumite 40 a 45 anos), vencida pelo primeiro em uma luta emocionante. Destaques também os títulos de kata de José Carlos Andrade (categoria acima de 51 anos) e do técnico Roberto Pestana (46 a 50 anos), que mostrou toda a sua técnica em um Sochin quase perfeito.

No adulto, a incrível Manuela Spessatto segue imbatível no kata individual. Ficou evidente para todos que a gaúcha está um degrau acima das outras competidoras nessa categoria. Seu kata pareceu ainda melhor do que em 2014, quando ela ficou em um inédito quinto lugar, perdendo apenas para as japonesas. Foi o sexto título continental de Manuela (5 sulamericanos e 1 panamericano). 
Juliana Vitral ficou com o bronze.
No kata por equipes, mais um ouro para o Brasil. Manuela, Martinna Rey e Letícia Aragão deixaram as argentinas em segundo lugar com apresentações fantásticas.
Infelizmente no kumite não conseguimos o mesmo sucesso: nenhuma de nossas atletas conseguiu se classificar para as finais, apesar de lutarem com garra e inteligência.
A argentina Jeanette Castañeda ficou com o título.
Na equipe, conseguimos o bronze, perdendo na semi-final para a Argentina, que acabou sendo campeã.

No masculino, Leão Mazur se classificou entre os oito melhores atletas de kata das Américas, e por muito pouco ficou de fora da zona de medalhas.
O argentino Marcelo Monzón ficou com o título. Foi a quarta vez que esse formidável atleta sagrou-se campeão das Américas no kata individual.
Na equipe, nossos atletas conquistaram a prata, com um Unsu excelente.

No kumite individual, Jayme Sandall se classificou entre os oito melhores das Américas. O Brasil teria mais dois atletas nessas finais, mas Matheus Cirillo foi muito prejudicado pela arbitragem em sua luta contra o atual campeão mundial, Rodrigo Rojas (Chile). Matheus quase ganhou, e teve um ponto claro que não foi marcado. E o atual campeão brasileiro, Diego Andrade, perdeu na final da sua chave contra o chileno Julio Silva (que ficou entre os oito melhores do mundo em 2017). Diego estava ganhando mas sofreu um mae geri faltando menos de dez segundos para o final da luta! No desempate, o chileno conseguiu dois wazari.
Vale citar também o paulista Márcio Adami, que chegou à final de seu dojo (oitavas de final) lutando muito bem.
Infelizmente Jayme perdeu para um argentino na luta entre os oito, e não conseguiu seguir adiante.

O campeão mundial, Rodrigo Rojas (Chile) sagrou-se cameão mais uma vez. Foi o quarto título desse atleta profissional, que segue imbatível na categoria.

Na última categoria, o kumite por equipes masculino, lutas duríssimas entre todos os países.
O Brasil esperou o vencedor de Uruguai e Canadá. Os uruguaios venceram após a luta de desempate, e vieram embalados.
Mas o Brasil soube lutar com paciência e venceu por 3x0.
Na semi-final, a equipe do Chile.
Os chilenos vieram com uma estratégia clara: queriam fazer um anti-jogo e empatar todas as lutas, tentando entregar a decisão para a última luta - exatamente Rodrigo Rojas.
Foi a primeira vez que Rojas fechou a equipe chilena.
E deu certo. As 4 primeiras lutas terminaram empatadas, com os brasileiros tentando pressionar e marcar pontos, enquanto os chilenos recuavam e se esquivavam de forma inteligente. Na última luta Rojas conseguiu um wazari e segurou o resultado. Vitor Braga tentou correr atrás, mas não conseguiu marcar um ponto.

Foi a primeira vez que o Chile venceu o Brasil no kumite por equipes masculino, desde o primeiro campeonato sulamericano (2002), quando o Chile foi campeão em cima do Brasil.
Único atleta presente nas duas disputas (2002 e 2018), Jayme Sandall viu os chilenos passando para a final contra a Argentina.
E na grande final, mais uma vez brilhou a estrela de Rodrigo Rojas, que venceu sua luta contra o experiente Jorge Rivas (tricampeão individual - 2007, 2009 e 2010) por 2x1, dando a vitória ao Chile por 3x2.
Chile campeão Panamericano.

Todos os méritos para essa equipe, que segue junta há anos em busca desse objetivo. O Chile mantém a mesma base da equipe de kumite desde 2008 - e esse foi o segredo para o sucesso deles (bronze no mundial de 2014 e ouro no panamericano de 2018)


Fica aqui registrado o profundo agradecimento a todos os envolvidos com a Seleção Brasileira: atletas, mestres, técnicos, professores e pais.
Todos juntos, somos mais fortes.

Essa união fez com que, pela primeira vez , o Brasil fosse campeão geral do evento!
Uma conquista histórica para nosso país.

OSS!

* Mais informações no site: www.jkabrasil.com.br



segunda-feira, 20 de agosto de 2018

XXX Campeonato Brasileiro de Karate-dô Tradicional


Foi realizado, de 09 a 11 de agosto de 2018, o XXX Campeonato Brasileiro de Karate-dô Tradicional 2018, na cidade de São Paulo, SP.

O Belíssimo ginásio da USP recebeu mais de 500 atletas que mostraram imensa qualidade técnica e postura condizentes com o karate Tradicional - que prega não o esporte por si só, não a busca desenfreada pela vitória a qualquer custo, mas sim a postura correta de seus praticantes, e o verdadeiro caminho do budô.

FEMININO

No kata por equipes, o forte trio baiano ficou com o ouro, deixando o Mato Grosso (um dos Estados com mais títulos nessa categoria) com a prata e as atuais campeãs Sul-Sudeste (RS) com o bronze.

No individual, mais domínio baiano, com o ouro ficando para o Gojushiho sho de Letícia Aragão, e a prata indo para a também baiana Martinna Rey. Em terceiro, a gaúcha Cristiane Babinski. As três fazem parte da Seleção Brasileira JKA.


No kumite por equipes, as gaúchas mostraram que se recuperaram da aposentadoria de uma de suas principais integrantes: Hannah Aires. Com uma equipe renovada, elas levaram o ouro, unificando os títulos JKA e Tradicional da modalidade.
A equipe campeã (RS)


No fukugo, uma final de tirar o fôlego: Martinna Rey (BA) contra Manuela Spessatto (RS). Frente a frente duas das maiores campeãs da atualidade, tanto em kata quanto em kumite. Não por acaso estavam fazendo a final da modalidade mais técnica e completa, que mescla rodadas de kata com kumite.
Na luta final, Manuela mostrou uma velocidade impressionante para vencer a rival por 2 x 0 Infelizmente a gaúcha machucou o pescoço durante a luta, e não pôde lutar na categoria kumite individual.

No kumite individual, Martinna Rey (BA), mostrou que esse é o seu ano, e fez história. Venceu, e unificou os títulos da JKA e do Tradicional. Foi a primeira vez que uma atleta conquistou os títulos de kumite individual no mesmo ano, na JKA e no Tradicional.
No masculino, o único a conseguir o feito foi Chinzô Machida (PA).
Martinna Rey (BA)


Destaque ainda para o retorno de uma das mais talentosas atletas do Tradicional: Jamilly Farias (BA), uma das únicas atletas a conquistar os títulos brasileiros de kata individual, kumite individual e fukugo, retornou nesse brasileiro após cirurgia no tendão de Aquiles, e mostrou que está muito bem, ficando com o bronze no kumite individual.

MASCULINO

No kata por equipes, São Paulo ficou com o título para delírio da torcida que lotava as arquibancadas da CEPEUSP.
A jovem equipe gaúcha ficou com a prata, e demonstrou imensa evolução. São fortes candidatos ao título ano que vem...
Quem mostrou também um grande crescimento foi a equipe formada pelos irmãos Lucas, Victor e Bernardo Marinho. Originalmente alunos do sensei Rousimar Neves (MG), eles treinam há alguns anos na renomada APAM, com o sensei Machida.

No individual, o campeão brasileiro JKA de 2015, Andrew Marques (SP), ficou com o ouro, deixando seu companheiro de equipe e amigo, Rodrigo Arita (SP, atual campeão Sul-Sudeste) em segundo lugar. Fechou o pódio o mineiro Fernando Macedo, que atualmente compete pela FERJKT.
Rodrigo Alves (SP), Andrew Marques (SP), Fernando Macedo (RJ) e Augusto Spessatto (RS)


No kumite por equipes, de um lado da chave, São Paulo vencia os campeões brasileiros de 2017 (RJ), com um César Cabral extremamente inspirado. Com dois belos chutes, o paulista fechou a disputa, e sua equipe venceu por 2 vitórias a zero.
Na outra semi, a equipe do Mato Grosso, liderada pelo veterano e lenda viva Vladimir Zanca, passou pela fortíssima equipe baiana.
Na grande final, os mato-grossenses deram uma aula de tática e estratégia, e ficaram com o ouro.


No fukugo, mais um show a parte do veterano Zanca. Aos 48 anos, ele demonstra que o tempo parece não afetá-lo. Chegou à sua oitava final na categoria, e tornou-se o maior medalhista de fukugo de todos os tempos em campeonatos brasileiros. Do outro lado, o campeão panamericano de fukugo de 2013, Jean Edoardo (PR).
Depois do empate no tempo normal, o paranaense consuitou o ouro com um kizami zuki.



No kumite individual, chaves lotadas e lutas muito fortes.
Jayme Sandall (RJ), teve que passar por pedreiras como César Cabral (SP, campeão rasileiro de 2015 e panamericano de 2016) e Allan Araújo (BA, atleta-destaque do brasileiro de 2017) para chegar à semi.
Matheus Cirillo (SP), teve que vencer seu professor e atual campeão Sul-Sudeste Fábio Simões.
Lucas Marinho (PA), tinha em sua chave Frank Manera (Seleção Brasileira JKA).
E na úlima vaga das semifinais, o campeão panamericano de 2007, Vinícius Sant'Anna (PR)

Na primeira semi, um choque de gerações. Jayme Sandall (RJ) vs Matheus Cirillo (SP). E o mais jovem venceu a disputa, com um fortíssimo mawashi e um kizami zuki.
Jayme conquistou sua décima sétima medalha de kumite individual em campeonatos brasileiros (JKA + Tradicional), ficando atrás apenas de Chinzô Machida (18 medalhas) nesse quesito.
Na outra semi, Vinícius usou toda sua experiência para passar por Lucas Marinho. Seria a segunda final de kumite individual do paranaense (a primeira foi a derrota para Alexsandro Jobson, do Rio Grande do Norte, em 2008)
Matheus saiu na frente com um jogai. Quando parecia que o paulista seria campeão por essa pequena punição de seu adversário, Vinícius conseguiu fazer com que Matheus pisasse fora do koto, literalmente no último segundo! Cirillo levou jogai, e o cronômetro zerou com a luta empatada. No desempate, Matheus foi chutar mae geri e ao mesmo tempo Vinícius chutou mawashi (chute circular). Sem querer, o chute do paranaense pegou na perna do paulista, que foi ao chão. Vinícius não perdeu nenhum segundo, e caiu batendo, fazendo ipon.



Fica aqui registrado os parabéns à organização pelo belíssimo evento.

OSS!

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Nota de falecimento: Sensei Yasutaka Tanaka

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O fim de uma era.
É esse o sentimento de milhares de karatecas no Brasil. Nosso grande mestre faleceu nesse mês de junho de 2018.
O karate está de luto.
Nascido em 1936, no Japão, sensei Tanaka veio ao Brasil em 1959, de navio. Ironicamente, sua intenção inicial nunca foi ensinar o karate que tinha aprendido na universidade Takudai com um dos maiores mestres de karate, o sensei Nakayama. Sensei Tanaka viera ao Brasil para trabalhar com qualquer coisa que lhe proporcionasse sustento.
Em São Paulo, onde se instalou inicialmente, encontrou-se com um mestre de karate, Juichi Sagara, que estava desenvolvendo e ensinando a arte marcial.

Nessa época, um praticante de Judo viajou para São Paulo, juntamente com seu professor, para conhecer uma outra arte marcial japonesa que estava sendo ensinada, o karate. Seu nome era Lirton Monassa.
Apaixonando-se imediatamente pelo karate, Monassa convidou o sensei Tanaka para vir ao Rio de Janeiro e começar a ensinar essa arte marcial.

Com a ajuda inestimável do professor de judo Almerídio Brandão, mais conhecido como Marujo, Lirton e Tanaka conseguiram criar a Kobukan, lendária academia de karate que formou milhares de karatecas ao longo de mais de 50 anos.
Sensei Tanaka estimulou o crescimento e desenvolvimento do karate por toda a sua vida. Fez parte da criação da primeira confederação de karate (CBK), desvencilhando nossa arte marcial da Confederação Brasileira de Pugilismo; fez pate da formação da Federação de karate do Rio de Janeiro (FKERJ) e organizou inúmeras competições que popularizaram imensamente o karate Shotokan.

Mais tarde, com a cisão do karate mundial, decidiu seguir a filosofia e os ideais de sensei Nishiyama, que fundara a ITKF (International Tradicional Karate Federation), como contraponto à WUKO.
Contando com a ajuda de Manoel Tubino (ex aluno e presidente do Conselho Nacional de Desportos), Sensei Tanaka conseguiu criar a CBKT (Confederação Brasileira de Karate-dô Tradicional).

Para quem só o conheceu mais velho, fica difícil imaginar a dimensão da obra que ele deixou. Fica difícil crer que um só homem (contando com ajudas inestimáveis), foi capaz de criar tanto, de ensinar a tantas pessoas e de moldar o karate de um país inteiro.

Mas a história e as obras de sensei Tanaka jamais serão esquecidas. E o que ele deixou ao partir é um legado gigantesco que não morrerá com ele. Ao contrário, seu legado viverá para sempre.

Muito obrigado por tudo, sensei Tanaka!

OSS

* Para quem deseja ler a carta de sensei Tanaka sobre o karate: http://karatejka.blogspot.com/2011/10/carta-do-sensei-yasutaka-tanaka.html