terça-feira, 21 de março de 2017

Calendário 2017

Segue o calendário 2017 Tradicional / jka

- 27 a 30 de abril: Campeonato brasileiro JKA (Goiânia, GO)

- 24 de junho: Campeonato sul-sudeste Tradicional (Joinvile,  SC)

- 26 e 27 de agosto: Campeonato mundial JKA (Irlanda)

- 08 a 10 de setembro: Campeonato brasileiro Tradicional (Salvador, BA)

- Outubro: Campeonato mundial Tradicional (Itália)

segunda-feira, 6 de março de 2017

Turnê mundial de lançamento do livro: Jutsu the Hidden Art in Karate




Turnê mundial de lançamento do livro: Jutsu the Hidden Art in Karate.

22 e 23 de abril - Londres (inglaterra)
29 e 30 de abril - Seia (Portugal)
06 de maio - Milão (Itália)

No segundo semestre acontecerã a turnê norte-americana.


OSS!

sexta-feira, 3 de março de 2017

Entrevista com sensei Juarez Alves


Sensei Juarez Alves, conhecido como Jacaré, é um integrante da Geração de Ouro do karate brasileiro.
Tricampeão norte-nordeste, campeão brasileiro (kumite individual) e campeão sulamericano (kumite por equipes)

Gentilmente ele me concedeu essa entrevista e compartilhou um pouco de sua história e de sua visão sobre a nossa arte marcial.

"Comecei o karate em 1966. Mas a finalidade naquela época era diferente de hoje em dia. O objetivo do treino era o karate como arma de combate. Na época os fuzileiros estavam viajando no exterior, então o karate foi adotado como arma de combate.
Depois de algum tempo é que passei a me interessar pelas competições.
Foi um pouco decepcionante na época, porque foi muita pancadaria! Dente arrancado, olho furado... foi uma verdadeira carnificina! Levei alguns amigos para me assistirem, e saí da competição todo arrebentado...!"

"Vi grandes lutadores em ação, mas não dá para citar o melhor de todos... Houve o Mori, o Tabata... depois Tanaka, Yamamoto, Yahara...

" Hoje em dia tem muita gente boa. Creio que mais ainda do que antigamente, quando eram menos"

"No Brasil, teve um lutador que não foi campeão, mas pela luta que fiz com ele no campeonato brasileiro, posso dizer que foi um dos melhores de todos os tempos: Dorival Caribé (BA). Era muito difícil mesmo lutar com ele! Havia vários outros grandes lutadores, como Ugo Arrigoni (RJ), Ronaldo Carlos (RJ), Ennio Vezzuli (SP), o ... lutei com todos eles. Mas o que tive mais dificuldade foi realmente o Dorival Caribé"

"Outros excelentes eram o Sohaku (RJ), com quem treinei, o William (RJ), o Djalma Caribé (BA), Carlos Rocha (SP), Ricardo D'Elia (SP), Almir Aleluia (BA)

"Hoje em dia o karate está muito fragmentado. Naquela época era um só"

"Comecei a competir um pouco mais velho. Entrei na Seleção aos 28 anos, e naquela época já era considerado veterano. Quem me chamou para a Seleção foi o Lirton Monassa. Era muito difícil, porque treinávamos quase o dia inteiro. Muita luta. Era duro..."

"Resolvi parar porque já havia muita politicagem no karate, mesmo sendo um só. E era difícil para mim participar de treinamentos da Seleção porque eu morava longe dos centros, em Natal. Os treinamentos eram sempre no Rio de Janeiro, e isso dificultou para mim..."

"Atualmente, vejo o karate da seguinte forma: hoje está bem melhor para se treinar. O reino de karate evoluiu. Creio que os treinos de kata e kumite são diferentes... a maneira de treinar kata e fundamento, é diferente de lutar. O golpe do kata é mais plantado, usando muito a compressão e a ideia de "apertar um parafuso". Mas na luta é diferente. Você deve se projetar à frente, usando o chão para se lançar. Se tentar fazer o golpe sem deslocamento, com pressão no solo, não vai funcionar bem na luta, onde você precisa de distância. Lutar é diferente de treinar kata. As pessoas têm que entender isso. Há muitas pessoas que fazem um kata lindo. Tem um karateca italiano, aluno do Shirai, que faz um kata lindo, mas não luta nada. É preciso ter discernimento e aplicar os golpes na luta"

"Sobre o karate nas Olimpíadas... é uma questão complicada. É bom por um lado, dá boa visibilidade para a arte marcial. Mas as regras não estimulam o treino correto do golpe de karate, o golpe definitivo... Mas tenho sentido, principalmente por parte dos dirigentes , uma vontade de treinar e aperfeiçoar o karate"

" O karate do Brasil tem dificuldade por causa da politicagem... a política dividiu demais o nosso karate"

"Lembro que estava convocado para o Panamericano de 1978. Mas infelizmente, uma semana antes de viajar, o sensei Inoki , que era o técnico, nos levou à Petrópolis para um treinamento. Daí o treinamento virou pancadaria, e eu acabei me machucando. Eu tinha passagem, hospedagem, tudo para viajar, mas como náo poderia lutar, decidi não ir, porque não poderia ajudar o Brasil"

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Nota de falecimento: sensei Hiroyasu Inoki



O karate mundial está de luto. Faleceu ontem, dia 06 de fevereiro de 2017, aos 76 anos de idade, o grande mestre Hiroyasu Inoki, dentro de sua academia, a Shotokan.


Nascido em 18 de  setembro de 1940 na cidade de Yokohama, Sensei Inoki chegou ao Brasil em 1956. Iniciou seus treinamentos ainda no Japão em 1952 tendo treinado com os mestres Sakagami, Nakayama, Nishiyama e Asai.
Sensei Inoki, desde o começo, foi um grande incentivador do karate no Estado do Rio de Janeiro, e no Brasil, tendo sido técnico por muitos anos. Formou atletas como Paulo Góes, José Carlos Gonçalves e outros tantos, e, a exemplo do sensei Tanaka, também acreditou no karate Tradicional desde o início, tendo optado por essa organização na época da grande divisão do karate, na década de oitenta.


Para incontáveis praticantes de karate, fica um imenso vazio, deixado pela partida precoce de um grande mestre que ainda teria muito a ensinar a todos nós.


Sensei Inoki morreu como um verdadeiro samurai, dentro de seu dojô, preparando-se para dar mais uma aula.
 O ano de 2017 começa de luto...

OSS!

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Relato: sensei Ricardo D'Elia

Sensei Ricardo D'Elia

Sensei Ricardo D'Elia em ação contra sensei Sasaki

Sensei Ronaldo Carlos

Sensei Ugo Arrigoni

Membro da Geração de Ouro do karate brasileiro, o sensei Ricardo D'Elia (integrante das seleções paulista e brasileira nas décadas de setenta e oitenta), fez um relato emocionante sobre dois de seus colegas da Geração de Ouro: os mestres Ugo Arrigoni e Ronaldo Carlos (in memorian)

Antes de mais nada agradeço imensamente a oportunidade de postar aqui esse relato histórico.
Segue abaixo na íntegra:

"Os dois melhores lutadores brasileiros: Ugo Arrigoni e Ronaldo Carlos!
Lembro de duas lutas históricas deles:
 o Ugo sobrando contra o Yahara, no Mundial de 77 em Tóquio, e o vencendo de forma brilhante com um kizami deai, em seguida o Yahara o caçou e ele saiu liso de todos os ataques;
o Ronaldo contra um gigante canadense, perto de 2 ms de altura, Polícia Montada no Canadá, no Panamericano de 74 em Lima,  que nas lutas anteriores apavorou seus adversários, o Ronaldo com dois gyakos, no peito e na testa, acabou com o grandão.
Vi centenas de lutadores ao longo de 50 anos, e outro tanto de lutas, mas nenhum deles em nenhuma delas,  foram tão marcantes e impressionantes como dos meus dois ídolos e queridos amigos Ronaldo e Ugo.
Fatos ocorridos há 40 anos, porém inesquecíveis, quase uma relíquia. Conto isso, para que não se perca momentos tão importantes para o Karate brasileiro, porque o Ugo sempre foi muito comedido para reportar seus feitos e o Ronaldo que DEUS o tenha.
OSS!"


domingo, 22 de janeiro de 2017

Chinzô Machida vence mais uma no MMA


O ano começou bem para o karate JKA.
Chinzô Machida (Seleção Brasileira JKA de 1998 a 2012) venceu mais uma luta de mma, na noite de ontem, no evento Belator 170, disputado na cidade de Los Angeles, Califórnia.

O carateca usou um potente gyako tsuki de direita para levar seu adversário, o norte-americano Javier Ocampo, ao nocaute.

Com essa, Chinzô agora acumula quatro vitórias seguidas, três por nocaute e uma por decisão.

O maior campeão brasileiro de kumite individual da história do karate Tradicional e JKA (pentacampeão no tradicional e heptacampeão na JKA) segue trilhando um caminho de sucesso no mma. Esperamos em breve vê-lo fazendo a luta principal do Belator.

OSS!

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Regras que destroem lutas

Regras são importantes em todas as lutas, lógico.
Mas vejo com preocupação e tristeza o excesso de regras que vêm sendo criadas nas diferentes modalidades de luta destruírem a essência delas.

Quanto mais simples as regras, melhor. Vejam o atletismo: em quase todos os esportes dessa modalidade, vence quem chega primeiro, ou quem pula mais alto, ou mais longe, ou arremessa um peso mais longe. Cada um que use sua tática, estratégia e técnica para atingir esses objetivos. Já pensaram se as regras dos 100 metros rasos começassem a ficar super complexas, e premiassem com pontos a largada, o estilo das passadas, a chegada... talvez o Bolt não fosse campeão, porque não larga bem, não tem as passadas mais técnicas... Ou seja, mesmo chegando na frente, perderia.

Parece absurdo o que acabei de escrever, mas é exatamente o que vem acontecendo com as lutas.

O tae kwon do, luta fortíssima de origem coreana, era uma arte marcial que premiava o nocaute. Com chutes violentíssimos, vencia a competição quem nocauteava, ou ao menos batesse mais, infligindo danos ao adversáio. Hoje, vence quem "toca" mais no colete ou capacete do adversário. Mesmo que chute sem força, sem técnica, sem objetivo algum de nocautear...

No mma, as regras atuais prejudicaram demais os lutadores de jiu jitsu, porque eles não podem mais se dar ao luxo de jogar por baixo, esperando o momento certo de tentar finalizar. Isso porque o lutador que fica por cima no chão vence o round, mesmo que não faça nada.

No judô, há tempos não vemos aquela profusão de quedas espetaculares. Ao contrário, nos acostumamos a ver grandes campeões olímpicos que conquistam sua medalha através de punição dos adversários.

Da mesma forma, o karate foi pelo mesmo caminho. E cada vez parece piorar mais.
 Digo isso independente da organização, essa é uma crítica ao excesso de regras, e não uma crítica política.

Quantas vezes não vemos um karateca nocautear o outro, com um golpe limpo, e ser desclassificado? E então o outro, que apanhou, vence a luta e fica com o título? Será certo? Algumas organizações estão começando a adotar a punição por falta de combatividade, como no judô. Mas com isso não estão prejudicando certas estratégias de luta? Como, por exemplo, esperar o momento certo de desferir um golpe definitivo?

Para mim, a competição de karate ideal seria um shobu ipon, com 3 minutos de luta, e sem desclassificação por excesso de contato. Ou seja: nocauteou, venceu por ipon. E para fazer wazari, deveria ser um golpe forte, e não apenas um toque leve. Com isso, na minha visão, estimularíamos os praticantes a treinar a potência de seus golpes, pensando sempre no todomewaza (técnica do golpe definitivo). E então, cada um que lutasse dentro de sua estratégia: uns se movendo mais, pulando, fintando; outros lutando mais parados. Uns atacando mais, outros esperando.
Em caso de empate? Decisão dos árbitros, como acontece no mma e no boxe.

Acredito que isso fortaleceria o Shotokan e faria com que voltássemos a ter uma arte marcial respeitada, como era na década de setenta.

OSS!