quinta-feira, 21 de junho de 2018

Nota de falecimento: Sensei Yasutaka Tanaka

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O fim de uma era.
É esse o sentimento de milhares de karatecas no Brasil. Nosso grande mestre faleceu nesse mês de junho de 2018.
O karate está de luto.
Nascido em 1936, no Japão, sensei Tanaka veio ao Brasil em 1959, de navio. Ironicamente, sua intenção inicial nunca foi ensinar o karate que tinha aprendido na universidade Takudai com um dos maiores mestres de karate, o sensei Nakayama. Sensei Tanaka viera ao Brasil para trabalhar com qualquer coisa que lhe proporcionasse sustento.
Em São Paulo, onde se instalou inicialmente, encontrou-se com um mestre de karate, Juichi Sagara, que estava desenvolvendo e ensinando a arte marcial.

Nessa época, um praticante de Judo viajou para São Paulo, juntamente com seu professor, para conhecer uma outra arte marcial japonesa que estava sendo ensinada, o karate. Seu nome era Lirton Monassa.
Apaixonando-se imediatamente pelo karate, Monassa convidou o sensei Tanaka para vir ao Rio de Janeiro e começar a ensinar essa arte marcial.

Com a ajuda inestimável do professor de judo Almerídio Brandão, mais conhecido como Marujo, Lirton e Tanaka conseguiram criar a Kobukan, lendária academia de karate que formou milhares de karatecas ao longo de mais de 50 anos.
Sensei Tanaka estimulou o crescimento e desenvolvimento do karate por toda a sua vida. Fez parte da criação da primeira confederação de karate (CBK), desvencilhando nossa arte marcial da Confederação Brasileira de Pugilismo; fez pate da formação da Federação de karate do Rio de Janeiro (FKERJ) e organizou inúmeras competições que popularizaram imensamente o karate Shotokan.

Mais tarde, com a cisão do karate mundial, decidiu seguir a filosofia e os ideais de sensei Nishiyama, que fundara a ITKF (International Tradicional Karate Federation), como contraponto à WUKO.
Contando com a ajuda de Manoel Tubino (ex aluno e presidente do Conselho Nacional de Desportos), Sensei Tanaka conseguiu criar a CBKT (Confederação Brasileira de Karate-dô Tradicional).

Para quem só o conheceu mais velho, fica difícil imaginar a dimensão da obra que ele deixou. Fica difícil crer que um só homem (contando com ajudas inestimáveis), foi capaz de criar tanto, de ensinar a tantas pessoas e de moldar o karate de um país inteiro.

Mas a história e as obras de sensei Tanaka jamais serão esquecidas. E o que ele deixou ao partir é um legado gigantesco que não morrerá com ele. Ao contrário, seu legado viverá para sempre.

Muito obrigado por tudo, sensei Tanaka!

OSS

* Para quem deseja ler a carta de sensei Tanaka sobre o karate: http://karatejka.blogspot.com/2011/10/carta-do-sensei-yasutaka-tanaka.html

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Os dez maiores atletas de kumite da história do karate tradicional

Na lista abaixo, os dez maiores atletas de kumite da história do karate tradicional brasileiro.
Posteriormente, farei listas dos dez maiores atletas de kata e de fukugo.
* Foram levados  em conta os títulos individuais em maior peso, e por equipes em menor peso.

1° - Ricardo Buzzi (PR)


- Campeão mundial individual (2002). Medalhou mais duas vezes em mundiais no kumite individual (bronze em 2004 e bronze em 2012)
- Campeão panamericano individual (2003)
- Campeão sul-americano individual (2005)
- Campeão brasileiro individual (2014)
Por equipes, foi tricampeão mundial (2004, 2006 e 2010) ; tetracampeão panamericano (2001, 2003, 2009 e 2013); campeão sul-americano (2005); pentacampeão brasileiro


2° - Vinícius Moreno (MT)


- Bicampeão panamericano de kumite individual (2011 e 2013)
- Por equipes foi bicampeão panamericano, campeão mundial e campeão brasileiro


3° - Chinzô Machida (PA)

- Pentacampeão brasileiro de kumite individual (maior número de títulos)
- Tricampeão norte-nordeste individual
- Por equipes foi bicampeão brasileiro

4° - Vladimir Zanca (MT)

- Bicampeão brasileiro de kumite individual (1996 e 2010)
- Vice-campeão panamericano individual (2003)
- Por equipes, foi bicampeão mundial (2004 e 2006) e bicampeão panamericano (2001 e 2003)

5° Ronaldier Nascimento (BA)


- Tetracampeão brasileiro individual
- Pentacampeão Norte-Nordeste
- Por equipes foi campeão mundial (2006), tetracampeão brasileiro e octacampeão Norte-Nordeste

6° - Paulo Afonso (PA)


- Tetracampeão brasileiro individual
- Vice-campeão panamericano individual
- campeão da copa mundial (EUA)
- tricampeão norte-nordeste
- Por equipes foi hexacampeão brasileiro

7° - Vinícius Sant'Anna (PR)


- Campeão panamericano individual (2007)
- Vice-campeão brasileiro individual (2008)
- Campeão sul-sudeste individual (2013)
- Por equipes foi tricampeão mundial (2004, 2006 e 2010) , tricampeão panamericano (2009, 2011 e 2013) e tetracampeão brasileiro

8° - Alexsandro Jobson (RN)


- Campeão panamericano individual (2009)
- Bicampeão brasileiro individual (2008 e 2009)
- Por equipes foi campeão panamericano (2009)



9° - Lyoto Machida (PA)


- Campeão panamericano individual (2001)
- Campeão brasileiro individual (1998)
- Campeão norte-nordeste individual
- Por equipes foi campeão panamericano (2001)

10° - Jayme Sandall (RJ)


- Vice-campeão panamericano individual (2013)
- Bicampeão brasileiro individual
- tricampeão sul-sudeste individual
- Por equipes foi vice-campeão mundial (2012), bicampeão panamericano (2011 e 2013) e campeão brasileiro

domingo, 13 de maio de 2018

Vitor Belfort vs Lyoto Machida


Na noite de sábado (12 de maio de 2018), foi realizado o ufc 224, e no card principal a luta de Vitor Belfort e Lyoto Machida.
Essa foi a última luta da vitoriosa carreira de um dos pioneiros do UFC. Belfort, aluno da lenda Carlson Gracie, se despediu do octógono mais famoso do mundo com uma derrota por nocaute.
Isso em nada diminui a grandeza da carreira desse grande lutador, que ao longo de sua vitoriosa carreira conquistou o cinturão do UFC em dois pesos diferentes (pesado e meio pesado), e venceu lendas do esporte.

Lyoto andava em baixa na organização, vindo de uma série de derrotas. Estava afastado dos treinos de karate há muito tempo.
Aí entra em cena Vinicio Antony...
Eles começaram os treinamentos para a luta passada de Machida, na vitória por decisão dividida sobre Erik Anders.
Nessa luta já ficou clara a mudança de postura de Lyoto.
Desde o começo dos treinos Vinicio foi claro: Machida treinaria karate Shotokan, voltaria à sua origem, voltaria a treinar a luta que o lançou ao estrelato e que fez com que fosse campeão do UFC sem perder uma luta sequer.

Na luta contra Vítor, ficou evidente a postura de karate Shotokan. Mais do que isso: ficou evidente a estratégia montada por seu treinador.

Vinicio certamente treinou muito isso com Machida: "chute na linha de cintura algumas vezes. Faça ele se condicionar a defender embaixo. E então, na hora certa, chute no rosto!"
"Na hora certa"
Tempo. E distância.
A essência do Shotokan.
O cerne da nossa luta é exatamente esse. O todomewaza (técnica do golpe definitivo), é o grande diferencial do Shotokan. Não treinamos para a trocação franca, mas para golpes cirúrgicos, aplicados no tempo e distância exatos.

Parabéns a Vinicio - um dos melhores treinadores de mma que existe - por ter preparado Machida tão bem. E parabéns a Lyoto, que voltou ao karate e reencontrou o caminho das grandes vitórias.

Oss!

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Samurai

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Ugo Arrigoni era um jovem pequeno e magro quando resolveu entrar no karate.

Começou em uma época em que menores de idade eram proibidos de praticar, devido à violência da luta e do vigor dos treinamentos.  Ele tinha 16 anos...
Mostrou ali, naquele início,  o traço de personalidade que lhe era característico, e que lhe renderia fãs pelo mundo inteiro: ele jamais teve medo de se arriscar.

Competiu durante duas décadas, lutando contra adversários muito maiores em uma época onde não existiam luvas ou protetores de boca, e o karate era um só.  Todos disputavam juntos.
Enfrentou de igual para igual gigantes como Paulo Góes, Antônio Pinto, Ronaldo Carlos e James Field. Sem medo, sem se preocupar em se machucar ou se expor.
No exame de dan realizado no dia 27 de abril de 2018, no clube Nipon, em Arujá, Ugo Arrigoni escreveu mais um capítulo de sua trajetória.

Aos 65 anos, Arrigoni sofre de uma insuficiência cardíaca grave, e usa um desfibrilador que fica sob a pele do peito - demonstrando o risco de uma parada cardíaca que ele corre.
Foi proibido pelos médicos de fazer exercícios físicos pesados. Havia o risco de morte.
Mestre reconhecido mundialmente,  ele não precisava se expor diante de centenas de pessoas para fazer um exame de dan. Podia fazer como vários outros mestres, que não fariam nem fizeram isso jamais na frente de ninguém,  exatamente para não expor suas próprias fraquezas.
Mas o traço que o definiu lá atrás, no começo de tudo, a característica que lhe definiu como atleta, ainda está  dentro dele.

Sem nem um segundo sequer pensar em se poupar ou resguardar, ele se propôs a fazer o exame para sexto dan na jka (lembrando que já possui a graduação de sétimo dan no Tradicional, concedida pelo sensei Nishiyama)
Sensei Ugo fez o exame.

Fez o kihon com o kime que lhe é característico. Fez o kata Jion com toda a força... E então seu coração pediu um tempo. Aliás exigiu um tempo.

Ele precisou sentar um pouco enquanto seu coração disparava.

Todos se preocuparam, e da mesa examinadora (mestres Ueki e Enoue) veio o recado: ele não precisava mostrar mais nada.
Mas eles não sabiam que Ugo não era um simples professor ou ex-atleta.

Era, antes de tudo um samurai.

E, como samurai,  estava disposto a morrer de pé.

Ele se levantou e disse: vou fazer o kata que treinei.
Diante de mais de cem pessoas que assitiam em silêncio absoluto, ele fez o Nijushiho.

Da mesa, vinha a voz de Sensei Machida: "Ugo! Não precisa colocar força!"

E isso só fazia com que ele fizesse com mais vontade e espírito de luta.
Arrigoni sabia que podia morrer.

Sabia que o caminho mais seguro seria parar, fazer sem força, desistir.

Mas ele é samurai.

E , como samurai, decidiu que preferia se arriscar a morrer de pé, em vez de viver com medo.
No final, todos aplaudiram. De pé.
Oss!

quarta-feira, 2 de maio de 2018

XIX CAMPEONATO BRASILEIRO DE KARATE-DO JKA

Foi realizado, entre os dias 25 e 29 de abril de 2018, o XIX CAMPEONATO BRASILEIRO DE KARATE-DÔ JKA.

na quarta e quinta foi realizado curso com os mestres Ueki, 9° dan (instrutor-chefe da jka matriz) e Machida, com ênfase nos exames que seriam realizados.

Na sexta-feira foi realizado exame de dan. Nesse exame, lendas do karate brasileiro como Ugo Arrigoni (RJ), Carlos Rocha (SP)  e Enobaldo Athaide (BA) foram avaliadas pelos mestres Ueki e Enoue (Argentina).

No sábado, curso geral e campeonato infanto-juvenil.

Impressionante o excelente nível dos atletas das categorias de base,  que deram um show de técnica e postura.

Destaque para três finais: Rondon Caiado (GO) vs Raul (SP) na categoria 15 anos;

Bernardo (SP) vs Enzo (PA);

Peterson Lozinski (SP) vs Rafael (SP). Nas três lutas o que se viu foi coragem, postura, técnica e espírito de luta de gente grande. Na verdade, postura de grandes lutadores.

O futuro da jka do Brasil está garantido nas mãos desses atletas.




Feminino


Entre os adultos, a Bahia veio com força total, e conquistou o título de kata por equipes, que estava em poder do Rio Grande do Sul desde 2012. As gaúchas ficaram com a prata.

No kata individual entretanto, a gaúcha Manuela Spessatto parece imbatível. Segue sua sequência incrível de vitórias em campeonatos brasileiros e conquistou o oitavo título consecutivo da modalidade - um recorde absoluto em qualquer  categorias, entre homens e mulheres.

A gaúcha chegou à impressionante marca de 22 títulos brasileiros jka (outro recorde absoluto).

No kumite por equipes, as gaúchas se recuperaram da derrota no kata, e conquistaram o título em cima da forte equipe de São Paulo. A final começou com a vitória de Aurideia Patrícia (SP)  sobre a campeã brasileira e sul-americana de kumite individual (2013) Hannah Aires. Mas as gaúchas não se abalaram, e Cristiane Babinski venceu sua luta, empatando o confronto.

Manuela Spessatto fechou a disputa vencendo Laís, dando o título para o Rio Grande do Sul por 2x1.


No individual, disputas muito acirradas na definição das 4 semifinalistas.

A atual campeão da categoria, a mineira Juliana Vitral (campeã sul-americana de kumite individual 2012) ficou de fora porque ainda está se recuperando da cirurgia que fez no joelho logo após o mundial da Irlanda.

A estreante em campeonatos brasileiros jka, Joana Andrade (BA), venceu a tricampeã de kumite individual Manuela Spessatto em seu caminho. A também baiana Letícia Aragão teve que passar pela experiente Sônia Coutinho (PA), tricampeã brasileira e campeã sul-americana (2005). Martina Rey, outra baiana, passou pela mineira Carol Zampa, que venceu Hannah Aires (RS). A última semifinalista foi a paraense Ana Paula Rocha, que teve que vencer a paulista Aurideia Patrícia e a gaúcha Cristiane Babinski em seu caminho.

Nas semifinais, Ana Paula venceu Joana Andrade, e Martina venceu a conterrânea Letícia Aragão.

Na grande final, Martina Rey, integrante das seleções jka e tradicional, impôs sua experiência e com muito espírito de luta, conquistou o título pela primeira vez. Foi a primeira vez que uma atleta da Bahia conquistou o cobiçado título de kumite individual.





Masculino

No kata por equipes, imensa surpesa: a equipe paulista, atual heptacampeã (2011 a 2017), perdeu o título para a equipe do Rio de Janeiro. Os cariocas trouxeram uma equipe da WKF, que se aliou à jka-rj. Com um Gojushiho sho afiado na eliminatória e um lindo Unsu na final, eles conquistaram o ouro para o RJ pela segunda vez na história (o outro título é de 2003).

No individual venceu um dos grandes favoritos,  o paulista Rogério Higashizima. Em segundo lugar,  o atleta que fez história ano passado ao ficar entre os oito melhores do mundo no kata individual do mundial jka da Irlanda - Marcelo Kanashiro (GO)

Completando o pódio, o multi-campeão Andrew Marques (SP)

No kumite individual, dois atletas favoritos ficaram de fora da disputa: Rafael Moreira (RS), campeão em 2002 e 2008, recém operado de uma ruptura no tendão de aquiles;
E Jayme Sandall (RJ) , campeão em 2010, 2013, 2014, 2015, 2016 e 2017, com uma lesão muscular na coxa.

Mas isso em nada tirou o brilho das disputas. Esse foi um dos campeonatos brasileiros mais disputados de todos os tempos.

O nível dos atletas impressionou a todos.

Os quatro semifinalistas tiveram que vencer diversos adversários de muita qualidade para chegarem às finais.

Diego Andrade (BA) venceu Lucas Fernando (SP), atleta muito experiente apesar da pouca idade (fez parte da seleção brasileira infanto-juvenil por muitos anos); Márcio Adami (SP) venceu o forte Renato Passos (SC); Leão Mazur (BA) passou por Bernardo Braga (PA); e Fábio Simões (SP) venceu Fernando Macedo (MG), que demonstrou imensa evolução em seu kumite ;

Fabinho fez história aos se classificar para a semifinal. Ele conquistou sua décima segunda medalha de kumite individual em brasileiros jka, isolando-se no primeiro lugar nesse quesito, deixando Jayme Sandall em segundo (11 medalhas) , e Chinzô Machida (9 medalhas) em terceiro.

Mas semifinais, Diego Andrade usou sua imensa velocidade e muita inteligência para vencer o experiente Fabinho.

Na outra luta, Leão Mazur teve muita paciência para vencer Márcio Adami na bandeirada (hantei) após 3 empates.


Na grande final, Diego não deu chances a Leão, e venceu com propriedade.  No fim, ficou a certeza que o melhor lutador ficou com o título.

Agora Diego entrou em um seletíssimo grupo: o de campeões brasileiros de kumite individual masculino - a categoria com menor número de vencedores diferentes.

Eram apenas cinco campeões nos 18 brasileiros realizados até então:  Lyoto Machida (PA),  Chinzô Machida (PA),  Jayme Sandall (RJ), Fábio Simões (SP) e Rafael Moreira (RS).

Diego Andrade se junta ao grupo, com todos os méritos.

No kumite por equipes, São Paulo e Bahia na grande final e última categoria a ser realizada.

A Bahia saiu na frente vencendo o primeiro confronto. Na segunda luta, Diego Andrade encarava o atual campeão pan-americano tradicional, Cezar Cabral. Infelizmente Cabral acabou se desentendendo com o árbitro após sofrer o primeiro wazari, e isso acarretou na expulsão de toda a equipe de São Paulo.

Com isso, São Paulo perdeu inclusive a medalha de prata, sendo excluída da competição.  Dessa forma, a equipe do PA,  terceira colocada, subiu um degrau no pódio,  indo para o segundo posto.  A equipe 4° colocada (RS), ficou com o bronze.

Um fim melancólico para um evento que vinha sendo perfeito.

Mas são coisas que acontecem e que devem ser superadas.

A Bahia levou o título com todos os méritos! 







Despedida

Nesse campeonato, vimos a despedida de um grande atleta: Andre Luiz Azevedo (SP).




Andrézão conquistou ao longo de sua carreira três títulos brasileiros de kumite por equipes. Foi ainda bronze no kumite individual (2014). Ele fez parte da seleção brasileira jka nos sul-americanos de 2013 (Paraguai) e 2015 (Brasil) e no mundial de 2014 (Japão) .

Ele deixa um legado de títulos e grandes lutas (já venceu atletas como Fábio Simões e Jayme Sandall), mas acima de tudo deixa a marca de um lutador leal e de postura perfeita.

Fará muita falta dentro dos kotos!

Oss!



RESULTADOS XIX CAMPEONATO BRASILEIRO JKA 2018

Feminino

- Kata por equipes:

1) BA (Martinna Rey, Letícia Aragão e  Joana Andrade)

2) RS (Hannah Aires, Manuela Spessatto e Cristiane Babinski)

3) PA


- kumite por equipes:

1) RS (Hannah Aires, Manuela Spessatto Kauane e Cristiane Babinski)

2) SP (Aurideia Patrícia, Paula Jéssica e Laís Santana e Stephanie Azar)

3) RJ (Rayanne Lins, Natacha Marques e Maria Helena Rocha)

3) BA (Martinna Rey, Letícia Aragão,  Joana Andrade e Irvila Ferreira)


- kata individual :

1) Manuela Spessatto (RS)

2) Martinna Rey (BA)

3) Cristiane Babinski (RS)

- kumite individual:

1) Martinna Rey (BA)

2) Ana Paula Rocha (PA)

3) Letícia Aragão (BA)  - 3) Joana Andrade (BA)

Masculino

- Kata por equipes:

1) RJ (Wendell Gonçalves, Ronaldo Teixeira e Rogério Teixeira

2) SP (Andrew Marques, Marcel Raimo e Rodrigo Arita)

3) PA (Lucas Braga,  Bernardo Braga e Vítor Braga)

- kumite por equipes:

1) BA (Diego Andrade, Leão Mazur, Allan Araújo, Tiago Santana,  Antônio Carlos Tanner, Igor Azevedo e Fabrício Catão)

2) PA (João Lima, Vítor Braga, Lucas Braga, Bernardo Braga, André Luiz Sampaio e Luiz Felipe de Almeida)

3) RS (Frank Manera, Sidiney Zucci, Augusto Spessatto, Douglas Albano)

- kata individual :

1) Rogério Higashizima (SP)

2) Marcelo Kanashiro (GO)

3) Andrew Marques (SP)

- kumite individual:

1) Diego Andrade (BA)

2) Leão Mazur (BA)

3) Fábio Simões (SP)  - Márcio Adami (SP)



quinta-feira, 8 de março de 2018

Vitor Belfort vs Lyoto Machida


Está confirmado: Vitor Belfort fará sua despedida do mma na luta contra o conterrâneo Lyoto Machida, no UFC 224, a ser realizado dia 12 de maio, no Rio de Janeiro.
E agora? O que esperar desse duelo?

De um lado, temos o veterano Belfort, um dos pioneiros do mma, um atleta com DNA do Carson Gracie, oriundo do jiu jitsu, mas que treinou muito karate Shotokan nos últimos anos. Iniciou seus treinos em 2001, e após uma pausa retornou ao karate em 2008, pelas mãos do mestre Vinicio Antony. Desde então, treinou muito Shotokan. Foram três anos de treinos regulares, pelo menos três vezes por semana (2008 a 2010). Depois da mudança de Vitor para os Estados Unidos, os treinos de Shotokan se restringiram aos campings (concetração nos três meses que antecedem uma luta), até 2015 (a última vez em que ele treinou Shotokan para uma luta foi no combate contra Dan Henderson, em 2015, quando conquistou a vitória e o prêmio de nocaute da noite com um belo mawashi geri)

Do outro lado, temos um também veterano, embora tenha ingressado no mma bem depois de Belfort (Vitor começou a lutar mma em 1996, enquanto Lyoto só estreou em 2003).
Oriundo do karate Shotokan, Lyoto é filho do técnico da Seleção Brasileira JKA, sensei Yoshizo Machida, e irmão do maior campeão da história do karate Tradicional e JKA brasileiro, Chinzô Machida (11 vezes campeão brasileiro de luta individual, vice-campeão mundial JKA em 2006) e do também casca-grossa e integrante da Seleção Brasileira entre 2008 e 2011, Take Machida (campeão brasileiro de luta individual em 2009. Vice-campeão mundial por equipes em 2011)
Lyoto foi um dos maiores atletas de karate de sua geração, mesmo tendo competido pouco (1998 a 2001). Nesse curto período foi campeão brasileiro Tradicional de kata, fuku-go (modalidade que mistura kata e kumite) e kumite individual. Na JKA, foi campeão brasileiro de kata e kumite. Foi ainda campeão panamericano de luta individual, e representou a Seleção Brasileira Tradicional em um panamericano e um mundial, e a Seleção Brasileira JKA em um mundial.

No início de sua carreira, Machida se diferenciava dos outros exatamente por causa de seu jogo, seu estilo de luta. Foi a primeira vez que um atleta de elite do Shotokan Tradicional se aventurou no mma internacional (aqui no Brasil, o multi-campeão Paulo Afonso já havia feito 7 lutas de vale-tudo, com seis vitórias e uma derrota. Infelizmente na época não houve muita repercussão e ele não conseguiu uma carrerira internacional). Lyoto lutava karate, o mesmo Shotokan que usava nas competições.

Infelizmente, com o passar dos anos, ele foi treinando cada vez menos o Shotokan que o consagrou, e passou a dar muito mais atenção ao boxe e ao muai thai, lutas muito mais comuns nos treinos de mma.

O boxe e o muai thai são lutas excepcionais. Mas creio que para um karateca com o DNA de Lyoto, esses treinos acabaram mudando muito seu jogo, e tirando dele o seu grande trunfo - o tempo e a distância do Shotokan.
Com isso, começamos a ver um Lyoto que não funcionava tão bem, com um deai que não causava mais tanto estrago, e com a parte defensiva pior, sendo atingido de forma que não era anos antes.

Em sua última luta, a vitória por decisão dividida contra Erik Anders, Lyoto recorreu ao mestre Vinicio Antony, ícone do karate na década de noventa e integrante da Seleção Brasileira Tradicional de 1991 a 1998. Vinicio percebeu exatamente esse erro no jogo de Lyoto: faltava treinar a luta-mãe, a sua base: karate Shotokan.
Vinicio então deu total ênfase aos treinamentos de fundamentos (lapidar os golpes), aos tempo e à distância.

Na luta contra Anders já vimos um Lyoto diferente. Não foi a luta dos sonhos, mas vimos um Machida com a guarda melhor, uma postura mais correta e uma noção melhor de distância. Não se expôs como em suas derrotas para Yoel Romero, Luke Rockhold e Derek Brunson.


Enfim, de um lado temos um Belfort que treinou muitos anos o karate, e que me confidenciou mais de uma vez: "para mim, o karate Shotokan é a melhor luta de trocação para o mma. Porque você luta mais longe, não se expõe, e tenta nocautear com um só golpe"
Do outro temos um karateca que se afastou do Shotokan, e que agora volta aos treinos. Em conversa comigio, ele disse: "estou voltando às raízes"

Quem sairá vencedor desse duelo de veteranos, e por que não dizer, duelo de karatecas?

OSS!

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Lyoto Machida vs Eryk Anders



No dia 3 de fevereiro acotecerá o UFC Belém.
Realizado na belíssima capital paraense - terra onde Lyoto passou a maior parte de sua vida - o evento terá como luta principal o confronto entre o carateca brasileiro e o americano.

Os dois não poderiam ser mais diferents, tanto no momento da carreira, quanto em relação ao background de lutas.
Machida vem de uma das famílias mais tradicionais do karate brasileiro, e iniciou a prática da arte marcial ainda criança. Foi um dos maiores atletas de karate Tradicional e JKA do Brasil, tendo sido campeão brasileiro de todas as modalidades individuais e também campeão panamericano de kumite (luta) individual em 2001. Migrou para o mma, fazendo sua estreia em 2003. 
O momento atual do carateca de 39 anos é ruim, pois vem de uma sequência amarga de 3 derrotas seguidas no UFC.



A história de Anders é bem diferente. Ele não tem um histórico nas artes marciais, e tem como esporte de origem o futebol americano. Mas muito se engana quem pensa que ele é fraco ou presa fácil. Ele pertence a uma novíssima geração de lutadores que não têm uma luta-mãe, ou seja, iniciam seus treinos direto no mma. Treinam socos, chutes, quedas e chão, já pensando nas competições de mma. 
10 anos mais jovem que o brasileiro, ele vem para a luta com um impressionante cartel de 10 vitórias em 10 lutas (9 nocautes)
É um lutador perigoso e focado.

Na minha opinião, Lyoto fez a preparação para essa luta da melhor forma possível. Conversei com ele por telefone, e ele me disse: "estou voltando às raízes". Isso porque para essa luta ele escolheu como head coach (treinador principal) o multicampeão Vinício Antony. O ex-treinador de Vitor Belfort foi um dos maiores campeões de karate do Brasil durante uma década. Especializou-se também em muay thay e jiu jitsu, tranformando-se ao longo de suas mais de 3 décadas de prática de artes marciais em um dos maiores conhecedores de luta do mundo.



Vinício coordenou os treinos focando na principal arma de Machida - que vinha sido deixada de lado nos últimos anos -, o karate.

É claro que quaquer lutador, independente de sua luta de origem, deve treinar outras artes marciais para entrar no mundo do mma. Um lutador puro jamais conseguiria chegar longe nesse esporte tão competitivo. Mas creio que a luta-mãe jamais deve ser deixada de lado. Ao meu ver, um boxer jamais lutará kyokushin tão bem quanto boxe, ou um campeão mundial de jiu jitsu jamais será um wrestler tão bom quanto um campeão olímpico de wrestling. O que quero dizer é que Lyoto treinou muito outras artes de trocação, como boxe e muay thay (ambas artes marciais fantásticas e essenciais), mas passou a treinar muito pouco o karate, sua luta de origem e onde sentia-se mais à vontade no início da carreira.

Vale lembrar que ana época em que dava total ênfase aos treinos de karate Shotokan, e tinha ao seu lado, como treinador principal o seu irmão, Chinzô Machida, Lyoto acumulou 16 vitórias em 16 lutas, conquistando o cinturão do UFC de forma invicta.

Além de Vinicio Antony, Lyoto recorreu também ao seu pai, o técnico da Seleção Brasileira de karate JKA, mestre Yoshizo Machida, além de contar com a ajuda de seus irmãos: Chinzô (atualmente lutando mma no Bellator) e Take (Seleção Brasileira JKA de 2004 até 2015)


Lyoto deve tomar muito cuidado com Anders, que vem embalado, tem um preparo físico invejável e uma explosão muscular incrível.
Machida deve entrar com a cabeça focada na estratégia montada por seu treinador, e tentar se valer em sua técnica superior para sair com a vitória nesse confronto.

Fica aqui a torcida de toda a comunidade do karate Tradicional e JKA brasileiro para que o nosso carateca conquiste a tão necessária vitória dentro de casa.

OSS!