quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Nota de falecimento: Sensei Fernando Athayde


Mais um integrante da Geração de Ouro do karate brasileiro nos deixou.
O sensei Fernando Athayde faleceu aos 64 anos de idade, juntando-se aVictor Hugo Blanco Bittencourt, Ronaldo Carlos e Paulo Góes.
Foi uma perda imensa para o karate brasileiro, que perde com o falecimento de Athayde, uma parte importantíssima de sua história.

Integrante da Seleção Brasileira no Panamericano de 1978 (Canadá), fez parte da equipe de kumite que trouxe o título para o Brasil. Aluno do sensei Takeushi, Fernando Athayde tinha como tokui kata o Hangetsu, e seu kumite era caracterizado pela técnica refinada, aliada a um espírito de luta ímpar.

Fica aqui expressado o profundo pesar da comunidade do karate. Fique com Deus.

OSS!


quinta-feira, 4 de agosto de 2016

O karate é olímpico! E agora?


Foi decretado pelo COI que o karate será uma das modalidades que entrarão nas Olimpíadas de Tóquio, em 2020.

Mas qual karate, afinal? Há tantas federações e organizações, que fica difícil de entender.

Na verdade, não é tão difícil...
A federação que foi contemplada com a entrada nas Olimpíadas foi a mesma que já está presente nos Jogos Regionais, Jogos Abertos, Jogos Panamericanos, e Jogos Mundiais: a WKF

Para mim não causou nenhuma surpresa a escolha dessa organização, já que é aquela que, há décadas, vem se preparando e se moldando aos desejos do COI.

Com o objetivo de ser modalidade olímpica, a WKF passou a priorizar 100% as competições, e o karate virou um esporte. Deixou de ser uma luta, para virar um esporte.
Escrevo isso sem criticar. É apenas um fato.
O uso de protetores de tórax, luvas bem acolchoadas e caneleiras serve para evitar qualquer tipo de acidente. Não há mais como se nocautear batendo no corpo, e os golpes fortes no rosto são proibidos.
Com isso, os acidentes são minimizados - exatamente como pede o COI.

O karate Kyokushin, JKA e o Tradicional, são considerados muito violentos, e sempre serão, para os padrões do COI.
O uso de luvas pequenas, e a ausência de protetores de tórax e caneleiras, além da exigência do kime (força total nos golpes) e do sistema de pontuação de dois wazari ou um ipon (semelhante ao Judô), faz com que os golpes sejam mais fortes, e as consequências mais sérias...
Comumente vemos nocautes nas lutas da JKA e do Tradicional. Seja por golpes devastadores no corpo, seja por golpes válidos no rosto.

Mas isso quer dizer que a WKF é mais fraca?

Claro que não! São apenas objetivos diferentes, devido a regras diferentes.
Na WKF, o objetivo é tocar, então o que se prioriza é a velocidade. Os pontos múltiplos, fazem com que os atletas sejam mais versáteis.
Em contrapartida não se preocupam tanto com a potência das pancadas ou com a postura dos golpes.

E agora, o que muda para os praticantes de karate espalhados pelo mundo?

Para aqueles que já competem pela WKF, melhora muito, porque agora terão mais visibilidade e patrocínios, além de poderem sonhar com a participação em uma olimpíada.

Para as outras tantas organizações, creio que não haverá grandes mudanças. Aqueles que preferem um karate mais tradicional, com sistema de shobu ipon (dois wazari ou um ipon), sem proteções no corpo ou nas pernas, e possibilidade de nocaute, continuarão em suas organizações.
O Kyokushin é outro exemplo: suas regras exigem nocaute, eles não usam luvas e não podem socar no rosto. Vão continuar assim.
Já não éramos olímpicos, e continuamos na mesma situação.


Dou outro exemplo de duas lutas de chão: o jiu jitsu não é olímpico, a luta-livre é. Mesmo assim, há muitas pessoas que preferem praticar, lutar e competir na arte suave, mesmo sem poderem jamais sonhar com uma Olimpíada. Esses lutadores não abandonam o jiu jitsu pela luta-livre só para tentarem participar de uma Olimpíada.

Agora, resta a todos seguirem seus corações, escolherem a arte marcial e as regras que mais lhe agradem.

Há espaço para todos.

OSS!

** No link, matéria publicada no Portal do Vale Tudo
/http://portaldovaletudo.uol.com.br/hexacampeao-brasileiro-de-karate-analisa-inclusao-da-modalidade-nos-jogos-olimpicos/

segunda-feira, 4 de julho de 2016

I Campeonato Brasileiro de karate unificado

** Fotos por Daniel Ferrentini





























Aconteceu, nos dias 02 e 03 de julho, na cidade de São paulo, SP o I campeonato brasileiro de karate unificado.

Na tentativa de criar uma organização única, que abrigue competições de karate em três diferentes regras, foi realizado pela UBK o o campeonato unificado. O objetivo final é o de entrar na olimpíadas.

A organização do evento foi impecável. Ao mesmo tempo, ocorriam disputas de karate geral (pontos múltiplos e divisão por peso), karate Tradicional (dois wazari ou um ipon, sem divisão de peso) e karate de contato (vitória por nocaute ou decisão)

No karate Tradicional, aconteceu a Copa Brasil, evento-teste onde alguns dos melhores atletas do Brasil se enfrentaram.

O atleta-revelação e grande campeão do kumite individual foi Matheus Cirillo (SP), atual campeão paulista JKA e que estreará pela Seleção Brasileira JKA no sulamericano de setembro, no Chile.
Na final, Matheus venceu o destaque da competição: Jean Laure (PR).
O paranaense já tinha vencido no fuku-go (disputas alternadas de kata e kumite), e, mais tarde, liderou a equipe paranaense rumo ao título de kumite por equipes.
Mas no individual, o jovem Matheus soube impor melhor o seu jogo.

Que esse tenha sido o primeiro de muitos eventos de um karate unificado. Isso é o que o karate mais precisa no momento: união.

OSS!

** Texto com a colaboração de Ary Arsolino

Em breve , fotos do evento, tiradas por Daniel Ferrentini.
OSS!



sexta-feira, 1 de julho de 2016

Quando todo mundo é campeão...


No início, o karate era o máximo. Chegar à faixa preta, era uma missão dificílima, um feito alcançado por uns poucos, que trilhavam um caminho duríssimo durante anos.
Com a popularização da arte marcial, professores picaretas começaram a se reproduzir em escala industrial, de olho em um mercado onde podiam ganhar muito dinheiro dando aulas e, principalmente, distribuindo faixas e graduações.
Com isso, ser faixa preta de karate passou a ser comum. Com o nível técnico dos faixa preta despencando, nossa arte marcial passou a ser considerada fraca. Ser faixa preta de karate não significava mais nada.

Certa vez, ouvi de um profissional de MMA dos Estados Unidos a seguinte frase: " Aqui nos Estados Unidos, você encontra meia dúzia de faixas pretas de karate em cada esquina..."

Restavam as competições, onde separava-se o joio do trigo: os picaretas não tinham vez, porque tinham que enfrentar atletas do quilate de Ronaldo Carlos, Ugo Arrigone, Denílson Caribé, entre outros. Internacionalmente, os campeões eram Tanaka, Yahara, Kagawa, Frank Brennan...

Nesse meio, impossível alguém fraco se sobressair.
Ser campeão de karate ainda significava alguma coisa.

Mas até isso conseguiram estragar...

Atualmente, são tantas as divisões, tantas as federações e organizações, que todo mundo começou a ser campeão. Se não consegue ser campeão em uma federação, basta ir para outra e tentar lá.
Essa parece ser a filosofia de muitos atletas.
Vejo se perderem os valores reais da arte marcial e até do esporte como um todo. A vontade de ser campeão pelo título em si, pela medalha, é mais forte do que a ideologia de realmente ser o melhor naquele meio onde você considera que estão os melhores.

Claro que há exceções. São aqueles atletas que buscam o título que consideram o mais difícil; aqueles que lutam contra os adversários que consideram mais fortes.

Mas, repito: em tempos de tantas organizações, como separar os melhores lutadores?


Quando todo mundo é campeão, ninguém é campeão...
OSS.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Curso de Karate Jutsu


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quinta-feira, 9 de junho de 2016

Campeonato Brasileiro de Karate Unificado


Acontecerá, nos dias 2 e 3 de julho de 2016, o campeonato brasileiro de karate unificado.

O evento reunirá competições em três diferentes regras: Karate Geral (regras de pontuação múltipla, atletas lutam com protetores de tórax, caneleiras, luvas e protetores de boca);
Karate Tradicional (regra de shobu ipon - dois wazari ou 1 ipon. Como proteção, apenas luvaas finas e protetores de boca);
e Karate de Contato (regras Kyokushin - contato total de chutes, podendo atingir as pernas, corpo e cabeça. Socos apenas na região do abdome e tórax. Usam apenas protetores de boca.)

A competição seguirá os moldes da United World Karate (UWK), entidade criada em 2014 com o intuito de agegar diferentes federações de karate, respeitando as diferentes regras existentes. O objetivo principal é o de entrar nos Jogos Olímpicos.

A ideia do evento é mostrar ao COI, que se reunirá em agosto para decidir que tipo de karate entrará nas Olimpíadas, que é possível reunir diferentes regras em uma mesma competição.

Em breve notícias do evento.
OSS!

segunda-feira, 2 de maio de 2016

XVII Campeonato Brasileiro JKA 2016












Foi realizado, nos dias 28, 29, 30 de abril e 1 de maio de 2016 o XVII Campeonato Brasileiro de Karate-do JKA.
O clube Nipon, de Arujá, SP, recebeu mais de quatrocentos atletas para o evento.
Esse ano, o encarregado de dar o curso, além dos mestres Machida, Ugo Arrigoni, Kazuo Nagamine e Alfredo Aires, foi o simpático Akio Serizawa. O jaonês deu um curso de arbitragem, e depois fez seu tokui kata: Jite.
Além dos mestres que auxiliaram no curso, contamos também com as presenças ilustres dos professores Carlos Rocha (SP), Enobaldo Athaíe (BA), Celso Kolesnikovas (SC), Gérson Almeida (SP), José Carlos Andrade (BA), entre outros.


O campeonato infanto-juvenil foi de atlíssimo nível técnico. Fica a certeza de que o Brasil está com a renovação da Seleção Brasileira garantida, tamanha a quantidade de atletas de alto nível.


Feminino


MANUELA SPESSATTO - A ATLETA MAIS COMPLETA DO BRASIL


Pelo segundo ano consecutivo, a gaúcha Manuela Spessatto levou o ouro nas quatro categorias em disputa.
No kata por equipes, a parceria com Hannah Aires e Cristiane Babinki tem se mostrado cada vez mais forte e vencedora. As atuais campeãs brasileiras Tradicional, e campeãs sulamericanas JKA levaram o título com grandes méritos, demonstrando muito entrosamento.
Esse mesmo entrosamento se repetiu na disputa do kumite por equipes. As mesmas três atletas levaram o ouro, em uma final muito disputada contra o Rio de Janeiro.


No kata individual, Manuela, que ficou em quinto lugar no Mundial JKA de 2014 (melhor colocação de uma brasileira na história da JKA), se mostra cada vez mais absoluta. Levou o título pela quinta vez, firmando-se como a maior campeã da modalidade na JKA do Brasil. Será nossa grande esperança de ouro no sulamericano JKA do Chile, em setembro.


No kumite, a categoria estava disputadíssima, com atletas como Martinna Rey (BA) e Walkyria Villas Boas (MT), ambas da Seleção Brasileira Tradicional, Letícia Aragão (BA), Natacha Marques (RJ)...
Mas Manuela, confiante e muito bem treinada, venceu todas as suas lutas. Na grande final, encarou a campeã sulamericana de kumite individual de 2012, Juliana Vitral (MG).


Masculino


JAYME SANDALL CONQUISTA O PENTACAMPEONATO DE KUMITE


No masculino, as chaves gigantes mostravam a dificuldade que seria para chegar às finais.
No kata por equipes, os atuais campões sulamericanos JKA ficaram com o título pela quinta vez - um recorde na JKA.
Com um Gojusiho Sho cada vez mais justo, os paulistas Andrew Marques, Marcel Raimo e Rodrigo Alves não deram chances aos adversários. Além de companheiros de treinos e competições, os três mostram grande amizade, o que transparece quando executam o kata.


No individual, várias rodadas eliminatórias até que saíssem os oito finalistas. Depois, a semi-final, para saírem apenas os quatro melhores.
Na grande final, o atual campeão sulamericano Rogério Higashizima (SP), mostrou que é o melhor kata do Brasil na atualidade, e sagrou-se campeão. Andrew Marques (SP) ficou em segundo, e Marcel Raimo (SP), completou o pódio.


No kumite por equipes, uma mudança: esse ano, em vez de três lutadores, as equipes tiveram que entrar com cinco componentes, mais um reserva.
De um lado da chave, os gaúchos, liderados por seu capitão, o experiente Rafael Moreira, passavam em uma semi-final muito disputada elo Rio de Janeiro, O confronto só foi decidido na ultima luta, com um belíssimo ipon aplicado por Rafael.
Do outro lado, os paulistas, com uma equipe excelente, venciam os fortes paraenses. O Pará veio com uma equipe renovada, com a presença de dois atletas experientes, apesar de muito jovens: João Lima e Bruno Souza. Os dois, em sua primeira participação entre os adultos lutaram de igual para igual contra os adversários.
Pelo segundo ano consecutivo, final entre RS e SP.
Foi impressionante e evidente a estratégia da equipe do Rio Grande do Sul, onde todos os lutadores estavam lutando pela equipe, sem ego, sem pensar em si mesmos. O destaque na grande final ficou por conta de Sydnei, que, na quarta luta, conseguiu um belíssimo ipon sobre o atual campeão paulista, Matheus, selando a vitória dos gaúchos.


No individual, muitos grandes atletas disputando as quatro vagas das finais.
Carlos Rodrigo (GO), atleta que já integrou a Seleção Brasileira Tradicional, e que integrou a Seleção Brasileira JKA no sulamericano de 2015 (Barueri), chegou a semi demonstrando um deai afiadíssimo. Diego Andrade (BA), integrante da Seleção Brasileira JKA desde 2010, usava seu conhecido e praticamente indefensável mawashi geri, e o deai de kizami para chegar entre os quatro. Rafael Moreira (RS) era até ali o melhor atleta da competição. Completando as semi-finais, o atual tricampeão (2013, 14 e 15), Jayme Sandall (RJ).
A primeira luta das semi finais foi entre os grandes amigos Diego e Jayme. O carioca se valeu de sua maior experiência para vencer por 2 x 0. Diego, a cada dia, demonstra sua evolução, e prova que é o nome para liderar a renovação da Seleção Brasileira JKA.
Na segunda luta, Rafael venceu Carlos Rodrigo por 2x0 com um tempo de gyako zuki excepcional. Parecia que nada poderia parar o gaúcho, que vinha de uma grande temporada em 2015 (bronze no brasileiro Tradicional, e bronze no Sulamericano JKA).
Na grande final, dois irmãos, amigos de longa data, e remanescentes do nascimento da Seleção Brasileira JKA. Ambos entraram na Seleção em 2002, no início de tudo, e participaram do primeiro Sulamericano da JKA.


Jayme começou perdendo. Parecia que Rafael tinha o domínio do koto, e que tinha pego o tempo dos golpes do adversário. Se o carioca não mudasse seu jogo e tentasse algo diferente, perderia a final.
Percebendo isso, o experiente atleta da JKA-RJ mudou sua forma de lutar, e começou a soltar golpes que o companheiro de Seleção Brasileira não esperava. A partir daí, a luta ficou pendendo para um lado e para o outro, para agonia dos torcedores que lotavam a arquibancada. A cada ponto, pensavam: “Rafael vai vencer”. Depois de outra troca de golpes: “Jayme vai vencer”. E assim foi até o final do tempo, quando, após os cinco minutos de luta, os dois estavam empatados em 3 x 3.
Foram então para o desempate, mais dois minutos de luta.
Jayme conseguiu ter mais calma, e marcou dois wazari, conquistando seu quinto título, o quarto consecutivo (2010, 2013, 2014, 2015 e 2016)


No final, os dois se abraçara longamente, mostrando que a rivalidade imensa dentro dos tatames de competição não abala em nada a grande amizade.
Que isso sirva de ensinamento para as próximas gerações: rivais não têm que ser inimigos. Muito pelo contrário.


O evento foi um grande sucesso, sem acidentes graves e com um comportamento exemplar por parte de atletas, árbitros e público presente.


A melhor frase para definir o evento, e as lutas como um todo, foi a frase dita por Rafael Moreira, ainda dentro do koto, logo depois da final:
Isso é karate JKA!”

OSS!!



RESULTADOS



FEMININO

KATA POR EQUIPES: 1) RS / 2) SP / 3) BA


KATA INDIVIDUAL: 1) Manuela Spessatto (RS) / 2) Juliana Vitral (MG) / 3) Cristiane Babinski (RS)


KUMITE POR EQUIPES: 1) RS / 2) RJ / 3) SP- 3) BA


KUMITE INDIVIDUAL: 1) Manuela Spessatto (RS) / 2) Juliana Vitral (MG) / 3) Hannah Aires (RS) - 3) Bruna Lee (RJ)




MASCULINO

KATA POR EQUIPES: 1) SP/ 2) RS/ 3) PA

KATA INDIVIDUAL: 1) Rogério Higashizima (SP) / 2) Andrew Marques (SP) / 3) Marcel Raimo (SP)


KUMITE POR EQUIPES: 1) RS / 2) SP/ 3) RJ - 3) PA


KUMITE INDIVIDUAL: 1) Jayme Sandall (RJ) / 2) Rafael Moreira (RS) / 3) Diego Andrade (BA) - 3) Carlos Rodrigo (GO)