sábado, 30 de maio de 2009

O MAIOR SAMURAI DE TODOS


A palavra “samurai”, na verdade, nada mais significa do que “servidor”. Aqui no Brasil, e no ocidente de uma forma geral, essa palavra se agigantou, tomando contornos de uma doutrina, significando a perfeição física e moral, se isso for possível. E é nesse sentido que defino nosso maior mestre.
Yasutaka Tanaka, presidente de honra da Confederação Brasileira de Karate-do Tradicional, e seguidor de Nishiyama até o fim, tem uma história dentro do karate brasileiro que muitos conhecem. Mas, por incrível que pareça, não é isso que, a meu ver, o classifica como o maior samurai de todos.
São os detalhes, as coisas que pouca gente sabe, o que realmente conta. Tanaka sensei é humilde – faz questão de dizer “otagani”, quando a turma o cumprimenta, no início ou no fim de suas aulas. Enquanto muita gente, mas muita gente mesmo, se auto-proclama “mestre”, “sensei”, e até “shihan”, Yasutaka Tanaka, o mestre de todos nós, se intitula “otagani”. Quem o conhece e teve o privilégio de treinar com ele, sabe que ele não se acha nada de mais, e que todas as homenagens que lhe são prestadas são aceitas com certa relutância.
Hoje fui até a Kobukan para um treino especial com sensei Tanaka, que começaria às 9:30. Cheguei as 8:45, e adivinhe só quem era a única pessoa já presente, ainda abrindo as janelas da academia, sozinho?
O maior mestre do karate Shotokan brasileiro é um trabalhador incansável que continua ministrando aulas, tendo paciência e energia para seguir ensinando, alheio ao fato de já estar com setenta e dois anos de idade. Causa espanto ver muitos e muitos caratecas mais jovens do que ele, que ganham a vida dando cursos, cobrando valores altíssimos, sendo tratados como celebridades, enquanto Tanaka, com tudo o que sabe e representa, faz um caminho inverso, ensinando gratuitamente os fundamentos do karate. Sim, de graça, porque pagando uma simples mensalidade na Kobukan, é possível ter “cursos” semanais. Ah, as aulas de sensei Tanaka podem todas ser consideradas cursos.
Todas as vezes, sem exceção, que tive aulas com Tanaka, aprendi algo de novo. Mesmo quando ele fala daquele jeito meio seco, mesmo quando ele fala sobre coisas que já ouvimos centenas de vezes, sempre dá para extrair algo de novo.
Mas a maior lição de todas, a que podemos aprender mesmo só de estarmos na presença dele é a humildade. Para todos que se consideram grandes “shihans”, intocáveis que não têm nada a aprender dentro do karate, uma dica: olhem para cima e vejam o mestre de todos se intitulando “otagani”. Dá o que pensar...

sexta-feira, 29 de maio de 2009

FOTOS HISTÓRICAS

Década de setenta. O terceiro karateca é Ugo Arrigoni
Seleção brasileira de 1974

Yahara (E) x Ugo Arrigoni (D), no mundial do Egito, 1983


Capa da Revista Kiai



Entrada da lendária academia Kobukan, onde treinaram Lirton Monassa, Ugo Arrigoni, Ronaldo Carlos, Victor Hugo, Flávio Costa...

Seleção Carioca que fez história nos anos noventa.

Capa de revista com os maiores lutadores brasileiros da época!

Sensei Yasutaka Tanaka

Sensei Tanaka aplicando um Mawashi geri em Ronaldo Carlos

A nata do karate brasileiro na década de setenta


* outras fotos muito interessantes onde aparecem personagens que ajudaram a construir a história do karate Tradicional / JKA no Brasil, no site http://www.ferjkt.com.br/ , na sessão "História"

domingo, 24 de maio de 2009

Vídeos

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ex-atleta da seleção brasileira JKA é campeão do UFC!


Lyoto Machida – integrante da seleção brasileira JKA no mundial de 2000, no Japão -, lutou ontem no UFC 98, na cidade de Las Vegas, USA.
O confronto era muito aguardado, não só pelo fato de ser uma disputa pelo cinturão, mas principalmente por ser um duelo de invictos. Rashad Evans é um lutador com um cartel impressionante, com 18 vitórias e um empate em 19 lutas. Lyoto vinha de 14 vitórias em 14 lutas.
Desde o início do combate, o brasileiro mostrou agressividade, dominando o oponente. Com chutes variados jodan, tchudan e nas pernas, Lyoto foi calibrando a distância para o bote. Rashad sentia-se acuado, e foi num ataque do carateca que ele foi à lona pela primeira vez, ainda no 1º assalto. Lyoto usou uma técnica que seu irmão, Chinzô, utiliza muito nas competições da JKA: a combinação mae geri/kyzami. No caso de Lyoto, foi um mikazo geri que serviu mais de finta para o kyzami que provocou um knockdown no americano. Rashad se recuperou rapidamente, e logo ficou de pé.
O segundo round começou igual ao primeiro, com Lyoto tomando a iniciativa o tempo todo, dominando a distância. A torcida americana gritava: “Machida! Machida!”.
Num contra-ataque, depois de acertar Rashad com uma combinação de gyako/gyako, Lyoto levou os únicos golpes da luta, ao ser acertado por dois socos do americano, que por sorte não causaram nenhum dano ao carateca.
No meio do round, Rashad decidiu entrar, e aí foi a vez do bom e velho deai do Lyoto. O brasileiro acertou uma bomba no americano, que ficou grogue, recuando até a grade. Lyoto foi atrás dele, sempre batendo. Com uma seqüência impressionante, o carateca matou a luta com um golpe de esquerda que pegou na ponta do queixo, fazendo o que nenhum outro antes dele fora capaz: nocauteou Rashad Evans.
Lyoto Machida, campeão brasileiro da JKA em kata e luta em 2001, integrante da seleção brasileira que disputou o mundial JKA em 2000, sagrou-se campeão mundial da categoria médio-pesado no UFC.
Na hora dos agradecimentos, muita emoção. Takê e Chinzô entraram no octogon para abraçar seu irmão, enquanto ele perguntava: “onde está meu pai?”. O técnico da seleção brasileira, Yoshizo Machida, entrou no ringue sorridente.
“Karate is back!”, gritou Lyoto, provando ao mundo a eficiência da luta que pratica desde pequeno.
Dana White, dono do UFC, entrou no octogon para cumprimentar Lyoto após a vitória, e a única coisa que disse foi: “unbelievable!” – inacreditável!
Parabéns Lyoto Machida! OSS!!!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

RESULTADOS BRASILEIRO JKA 2009

A delegação do Rio de Janeiro, junto com os mestres. Da esquerda para a direita, sentados: Alfredo Aires (RS), Ugo Arrigoni (RJ), Yoshizo Machida (PA), Seizo Izumiya (JP), Yasuiuki Sasaki (SP), Kazuo Nagamine (SP) e Gérson (SP)
Ugo Arrigoni e Seizo Izumiya




O CURSO

Nos dias 14, 15 e 16 aconteceu em Arujá, SP, o curso de karate Shotokan JKA com os mestres Sasaki, Machida, Kazuo Nagamine, Ugo Arrigoni, Alfredo Aires e o convidado internacional Seizo Izumiya.
O curso foi excelente. Sensei Izumiya, além de extremamente técnico e capaz, é muito carismático, e tem uma expressão corporal formidável.
O número de participantes foi imenso – um dos maiores em cursos pré-campeonato da JKA – e sensei Izumiya ficou muito impressionado com a quantidade de caratecas presentes. Parabéns a todos que compareceram e tiveram o prazer de absorverem algumas das técnicas ensinadas pelo ex-atleta da seleção japonesa.

A COMPETIÇÃO

A presença maciça de atletas fez com que a competição fosse um sucesso. Havia atletas de diferentes federações (JKA, Tradicional, WKF...), provando que a união entre os “karates” é possível. Afinal, somos todos Shotokan.
O público presente foi brindado com katas de alto nível, e lutas espetaculares tanto no masculino quanto no feminino. Confrontos entre grandes nomes do karate JKA como Fábio Simões (SP), Rafael Moreira (RS), Wagner Pereira (SP), Wladimir Zanca (MT), Carlos Rodrigo (SP), Geraldo Mendes Jr. (MG), entre outros, levantaram os espectadores.
Infelizmente eu não pude participar, porque me recupero da cirurgia que fiz no ombro no final de janeiro. Chinzô e Takê Machida não compareceram ao evento porque auxiliam na preparação de Lyoto Machida na disputa pelo cinturão do UFC, dia 24 desse mês.
No feminino, lutas empolgantes entre as atletas da Seleção Brasileira. Nas semi-finais, Marina Brito (PA) venceu Natacha Marques (RJ), enquanto Sônia Coutinho (PA) ganhou de Manuela Spessato (RS). Na final, Sônia devolveu a derrota no sulamericano de 2008, no Chile, para a conterrânea. Em uma final disputada, Sônia conseguiu impor melhor seu jogo, e venceu com um wazari e um ipon com gyako jodan que fez um knockdown em Marina. A atleta paraense já foi campeão sulamericana individual em 2005, no Brasil, vencendo na final Fernanda Moturil, de Brasília.
No masculino, os caminhos dos dois finalistas foram distintos. Enquanto Fábio Simões ganhava suas lutas sem se arriscar muito, Rafael Moreira não teve vida fácil. Depois de uma vitória suada contra o experiente Clésio (SP), o gaúcho empatou com Wellington Kohara em uma luta muito movimentada, com alguns pontos impressionantes. No final, venceu na decisão dos juízes de forma unânime.
Na finalíssima, os dois atletas, velhos conhecidos de seleção brasileira, fizeram uma luta morna, onde Fabinho venceu por um a zero, com um gyako jodan adiantado. Um belo ponto em uma luta um tanto parada, onde nenhum dos dois parecia muito disposto a se arriscar.
Agora é esperar sair a convocação para que os atletas da seleção brasileira comecem a preparação para o sulamericano na Argentina.

Os resultados completos na página "Resultados"
OSS!