quarta-feira, 14 de junho de 2017

Um título histórico

Ricardo Buzzi






Há 15 anos, o Brasil fazia história no karate Tradicional.
Em 2002, na cidade de Belgrado, antiga Iugoslávia, Ricardo Buzzi (PR), conquistou o título mundial de kumite individual.

Até hoje, o Brasil não teve nenhum outro atleta que tenha conseguido sequer medalhar nessa categoria em mundiais ITKF. Além do título, Buzzi conquistou ainda mais duas medalhas nessa categoria: bronze em 2004, no mundial da Suíça e bronze em 2012, no mundial da Polônia.


Naquela época, na ITKF, cada país tinha apenas uma vaga por modalidade (atualmente são duas). Portanto, o simples fato de ser escolhido para participar já era uma vitória imensa por si só.
Em 2002, a vaga seria do capitão da Seleção, o veterano e grande campeão Vladimir Zanca (MT). Quis o destino que Zanca não pudesse ir (falta de patrocínio, uma triste e persistente realidade em nosso país), e a vaga ficou com Buzzi, que já tinha sido vice-campeão panamericano de kumite individual em 1999.

Ciente da imensa responsabilidade que tinha caído em seu colo, Buzzi não se intimidou. Pelo contrário, recebeu a responsabilidade como um estímulo e lutou como nunca.

Em seu caminho até o título inédito, ele teve que passar pelo maior campeão da história da ITKF, o argentino Justo Gomez, considerado por muitos o maior lutador de karate Tradicional de todos os tempos. Venceu Gomez por um jogai depois de conseguir derrubá-lo. Lutas duras, com intensas trocas de golpes - como é característico do karate Tradicional de alto nível.
Na grande final, pegou outra lenda: Cornel Mousat (Romênia), que seria campeão mundial de kumite individual em 2012.

Os dois não estavam ali para fazerem pontos. Estavam para lutar de verdade, e a troca de golpes foi franca. Tomaram punições por excesso de contato, fizeram um ponto cada, e buscaram a vitória o tempo todo. No final, suspense: empate, e a decisão por hantei (decisão dos árbitros por bandeirada).
Sem acreditar, Buzzi viu as bandeiras se levantarem a seu favor, e finalmente acreditou: era campeão mundial de kumite individual!

Para quem não compete, fica quase impossível compreender a dimensão de um título desses.
Um título que começa lá atrás, quando se decide competir pela primeira vez. Passa pelos primeiros campeonatos regionais, chegando a um estadual. O atleta então conquista a vaga na seleção estadual, e parte para um campeonato brasileiro. Abre mão de tudo para treinar, viajar, competir.
Consegue conquistar a tão sonhada vaga na Seleção Brasileira, e mais uma vez abre mão de tudo para poder viajar (na maioria das vezes com dinheiro do próprio bolso). E então, chega no mundial e vai vencendo suas lutas, chegando cada vez mais longe. A dificuldade de um título desse pode ser traduzida pela quantidade de vezes que o Brasil o conseguiu...

Na JKA, ainda não temos nenhum campeão mundial de kumite individual. Na verdade, apenas um atleta conseguiu medalhar nessa modalidade (Chinzô Machida - Austrália 2006)
No Tradicional, como já citado, apenas Buzzi.
Antes da divisão do karate, o único a conseguir uma medalha foi o técnico da Seleção Brasileira, sensei Watanabe, campeão mundial em Paris, 1972

A comunidade do karate Tradicional-JKA do Brasil dá os parabéns pelo aniversário dessa conquista histórica que nos enche de orgulho.

OSS!

terça-feira, 13 de junho de 2017

Karate Shotokan no mma


No dia 24 de junho será realizado o Bellator 180, na cidade de Nova Yorque (EUA).
O ícone da JKA e do Tradicional, Chinzô Machida, lutará contra o invicto irlandês James Gallagher.

Aos 40 anos, o maior campeão brasileiro de kumite individual da história (5 títulos no Tradicional e 6 na JKA), e vice-campeão mundial de kumite individual na JKA (Austrália 2006), tenta sua terceira vitória seguida no Bellator - a segunda maior organização de MMA do planeta, atrás apenas do UFC.

A comunidade do karate brasileiro estará torcendo muito pelo atleta que representou a Seleção Brasileira JKA em 3 sulamericanos e 4 mundiais.

OSS!