sexta-feira, 17 de maio de 2019

Os 5 maiores atletas de kata da história da JKA do Brasil

* Antes de mais nada, cabe ressaltar que essa lista é sobre a JKA do Brasil, entidade criada em 1997. Antes disso, o karate era dividido em Tradicional (criado em 1987) e WUKO (atual WKF). Antes de 1987, o karate era um só. Os atletas que competiram nessa época pertencem à Geração de Ouro, e seus feitos foram os mais importantes, por abrirem as portas para todos os atletas que vieram depois.
Fiz uma lista específica dos maiores atletas da Geração de Ouro aqui neste blog.
Também fiz uma lista dos maiores atletas de kumite do karate Tradicional.
Só não fiz e nem farei uma lista sobre os maiores da WKF porque não tenho as informações necessárias para isso.
OSS

A JKA do Brasil foi criada em 1997.
Em 1999, foi realizado o primeiro campeonato brasileiro, na cidade de São José do Rio Preto (SP).
De lá para cá, a JKA do Brasil cresceu de forma exponencial. O número de atletas cresceu imensamente.

Farei uma lista dos cinco maiores atletas de kata da JKA do Brasil. Todos tiveram participações marcantes e ajudaram a construir a história da Seleção Brasileira JKA, no masculino e no feminino. Para ficar o mais justo possível, e menos subjetivo possível, faremos a contagem de pontos, baseados no ranking oficial da JKA. Não haverá bônus por participação nas competições.

CAMPEONATO BRASILEIRO - Individual: ouro - 12 pontos / prata - 6 pontos / bronze - 3 pontos
Equipes: ouro - 5 pontos / prata - 3 pontos / bronze - 1 ponto

CAMPEONATO PAN OU SULAMERICANO - Individual: ouro - 24 pontos / prata - 12 pontos / bronze - 6 pontos
Equipes: ouro - 10 pontos / prata - 6 pontos / bronze - 2 pontos

CAMPEONATO MUNDIAL - Individual: ouro - 48 pontos / prata - 24 pontos / bronze - 12 pontos /  Best eight - 6 pontos
Equipes: ouro - 20 pontos / prata - 12 pontos / bronze - 4 pontos /  Best eight - 3 pontos



FEMININO

1) Manuela Spessatto (RS) - 398 pontos


2) Hannah Aires (RS) - 95 pontos


3) Aline Dota (SP) - 81 pontos


4) Cristiane Babinski (RS) - 68 pontos


5) Martinna Rey (BA) - 40 pontos


* Menções honrosas:
Adairce Castanhetti (MT), bicampeã brasileira individual
Vanessa Brito (RJ), bicampeã brasileira individual


MASCULINO

1) Andrew Marques (SP) - 129 pontos


2) Rousimar Neves (MG) - 123 pontos


3) Rogério Higashizima (SP) - 107 pontos


4) Marcel Raimo (SP) - 78 pontos
Marcel é o primeiro acima e à esquerda

5) Rodrigo Arita (SP) - 72 pontos


* Menções honrosas: Júlio Silva (SP), campeão brasileiro individual e por equipes, duas vezes vice-campeão sulamericano individual.
Marcelo Kanashiro (GO), campeão rasileiro individual e único atleta da história a se classificar entre os oito melhores do mundo no kata individual (Mundial da Irlanda, 2017)
Chinzô Machida (PA), bicampeão brasileiro. Único atleta a vencer em kata e kumite individual.

terça-feira, 7 de maio de 2019

O fim de uma era


Infelizmente chegou ao fim aquela que foi a melhor equipe de kata masculino que a JKA do Brasil já teve.
Apesar de continuarem competindo individualmente, Andrew Marques, Rodrigo Arita e Marcel Raimo não vão mais formar uma equipe de kata.

Fica aqui o profundo agradecimento de todos da JKA pela história belíssima que esses três samurais escreveram.

Abaixo, as palavras de Rodrigo Arita:

"E essa foi a última vez que esta equipe competiu junta...

Se despede nesta edição do 20° Campeonato Brasileiro de Karatê-Do JKA 2019, esta equipe formada em 2011 pela comissão técnica de SP da época , com intuito de ter representatividade no estado.
Porém não sabiam que ao formar esta equipe estavam transformando amigos em irmãos, e com essa energia, fomos conquistando todos os desafios possíveis, competimos nos quatro cantos do Brasil e tbm no exterior, indo ao ápice em 2014 ao Mundial de Karatê JKA em Tóquio - Japão, fato histórico para nós. 
Dentre todas as conquistas que obtivemos dentro da JKA e tbm em outras entidades, podemos citar as mais importantes:

🏆 Best Eight Mundial JKA 2017
🏆 Campeões Sulamericanos JKA 
🏆 Hepta Campeões Paulistas JKA
🏆 Penta Campeões Paulistas FPKT
🏆 Hepta Campeões Brasileiros JKA
🏆 Tri Campeões Brasileiros CBKT
🏆 Campeões Sul-Sudeste CBKT
🏆 Bi Campeões dos Jogos Regionais (WKF)
🏆 Campeões Brasileiros Unificados (CBKI)

Foram 8 anos de equipe, aliás, 8 anos de muita "irmandade", muito aprendizado e crescimento.
Com um nó na garganta e com os olhos lacrimejando, me despeço como equipe do nosso irmão e amigo Marcel Apolonio Raimo, dizendo muito, muito , muito obrigado por ter feito parte dos melhores momentos da minha vida no karatê até hoje, Barueri e o estado de São Paulo foram bem representados por você,  te desejo do fundo do coração muito sucesso no seu novo "caminho"...

Agradecimento especial à todos os professores que sempre nos ajudaram e acreditaram no potencial desta equipe, Senseis Sasaki(in memorian), Machida, Akio Serizawa, Kazuo Kawano Nagamine, Ruy Koike, Gerson Almeida Sekaikan Karatê-Do, Carlos Rocha, Wagner Pereira, Celso Kolesnikovas, Roberto Alves Batista Júnior, Robinson Alves Batista, Ivair Aparecido Masselko Masselko, Lauro Cavalieri, Beto Sgavioli, Andrezão Azevedo e todos os demais professores, diretores da JKA SP e Brasil e amigos que direta ou indiretamente nos apoiaram sempre.!
Arigatou!!!
OSU 👊"

segunda-feira, 6 de maio de 2019

XX Campeonato Brasileiro JKA 2019










Foi realizado, entre os dias 02 e 05 de maio de 2019, o XX Campeonato Brasileiro de Karate-dô JKA, na cidade de Porto Alegre, RS.

O evento foi um sucesso, contando com a presença de mais de 350 atletas de praticamente todos os Estados do Brasil.

Nos dias 02, 03 e 04, houve curso técnico com os mestres Machida e Imura (JKA Japão), onde eles transmitiram um pouco de seu vasto conhecimento, dando ênfase aos fundamentos corretos do karate JKA.

Houve exame de dan e o rigor foi muito alto. Pouquíssimos passaram. Entre eles, destaques para o sensei Kazuo Nagamine (SP) e para Fábio Simões.  Fabinho foi aprovado pelo sensei Imura e se tornou o mais jovem 6° dan do Brasil.  Parabéns!

Nas competições infanto-juvenis, mais uma vez os atletas mostraram imensa qualidade, raça e postura. cada vez mais a JKA vem crescendo em suas categorias de base, e não por acaso o Brasil é a maior potência das Américas nessas categorias. No campeonato, disputas eletrizantes e emocionantes que levantaram o público que lotava o Grêmio Náutico União.

FEMININO



No kata por equipes, as gaúchas recuperaram a hegemonia, perdida ano passado para a fortíssima equipe da Bahia. Dentro de casa, a equipe formada por Manuela Spessatto, Cristiane Babinski e Kauane Sgarbi recuperou o título. A Bahia ficou com a prata, e o Rio de Janeiro completou o pódio.

No kata individual, uma repetição do que temos nos acostumado a ver nos últimos anos. A briga fica por conta da medalha de prata, porque a de ouro parece já ter dona: Manuela Spessatto. Inclusive no momento em que a gaúcha (quinta colocada no mundial do Japão - 2014) fazia seu Gojushiho sho, sensei Imura se levantou para poder ver melhor. E depois chamou o intérprete para dar conselhos a ela. Foi o unico momento em que ele fez questão de ficar de pé para assistir a uma apresentação de kata. Ela foi campeã pela nona vez na categoria (récorde absoluto entre homens e mulheres, em qualquer modalidade)

No kumite por equipes, lutas acirradas. Todas queriam ficar com o ouro. As donas da casa venceram a Bahia em uma semifinal eletrizante, definida apenas na luta de desempate entre Martinna Rey e Manuela Spessatto. Do outro lado da chave, a equipe renovada do Pará, contando com duas atletas que participavam pela primeira vez do adulto, surpreendia e chegava à decisão. Na grande final, Bruna Magalhães, Lívia Vale e Ana Paula Rocha conseguiram vencer a equipe da casa.


Manuela Spessatto (RS) vs Cristiane Babinski (RS)

No kumite individual, quatro semi-finalistas de peso: Cristiane Babinski (RS), temida por seus mae geri indefensáveis; Sara Ladeira (SP), bronze no sulamericano JKA de 2015; Martinna Rey, melhor atleta de kumite do mundial da Irlanda (2017) e atual campeã brasileira; e a tricampeã brasileira de kumite individual Manuela Spessatto (RS).
Na grande final, Manuela e Sara fizeram uma luta digna de atletas da Seleção Brasileira. O espírito de luta das duas se equivalia, e a vitória veio no detalhe. Valeu a maior experiência de Manuela, que conquistou o título de kumite individual pela quarta vez.

Manuela Spessatto atingiu uma marca que não tem precedentes na história da instituição. Com os três títulos conquistados, ela atinge a marca impressionante de 25 títulos brasileiros na JKA.


MASCULINO



No kata por equipes, todos os olhares se voltaram para a disputa entre São Paulo e Rio de Janeiro. De um lado, os palistas heptacampeões (2011-2017). Do outro, a equipe carioca, atual campeã brasileira (2018). E mais uma vez deu Rio de Janeiro. Com Gojushiho sho na eliminatória e Unsu na final eles levantaram a torcida e conquistaram o bicampeonato, classificando-se assim para ao Panamericano que será realizado na Colômbia em agosto.

No individual, um duelo de titãs na grande final: Rogério Higashizima (SP), atual campeão; Andrew Marques, campeão em 2013 e 2015; e Marcelo Kanashiro, campeão brasileiro em 2017, vice em 2018 e único atleta masculino da historia do Brasil a ficar entre os oito melhores em um mundial (Irlanda, 2017)
E foram exatamente eles quem ficaram com as três primeiras colocações. Rogério ficou com o ouro, Andrew com a prata e Kanashiro com o bronze. Essa foi a categoria mais disputada, e para chegar entre os quatro finalistas foi necessário passar por 5 rodadas classificatórias!

No kumite por equipes, o Rio de Janeiro passou pelos donos da casa (RS) e pela fortíssima equipe de São Paulo para poder chegar à grande final.
Do outro lado da chave, os atuais campeões (BA) tinham que vencer da renovada e perigosíssima equipe do Pará.
Na grande final, após 4 lutas, tudo estava empatado: uma vitória e um empate para cada lado.
na luta decisiva, Tiago Santana (BA), campeão brasileiro Tradicional (2007) e campeão panamericano interclubes (2018) vs Nathan Malavazzi (seleção Brasileira no Mundial de 2017)
Foi uma luta tensa, onde tudo poderia ter acontecido.
Nathan conseguiu encaixar um golpe limpo e conquistou um ipon que deu a vitória e o título ao Rio de Janeiro pela terceira vez (2003, 2014 e 2019).


Jayme Sandall (RJ) vs Peterson Lozinski (SP)

Rafael Moreira (RS) vs Matheus Cirilo (SP)

No individual, chaves imensas. Muita gente queria conquistar o tão cobiçado título de campeão brasileiro de kumite individual.
Era difícil ver uma luta ruim. Quase todas as disputas, desde as primeiras rodadas, eram entre grandes e experientes atletas.
Matheus Cirilo (SP) teve que passar por Vinícius Moreno (MT), campeão mundial Tradicional de kumite por equipes (2010) e bicampeão panamericano de kumite individual e por equipes (2011 e 2013), para chegar à semi. Rafael Moreira (RS), mesmo com o olho machucado e quase fechado desde a sua primeira luta por equipes, mostrou garra e espírito de luta (suas principais características), e chagou à semi depois de passar pelo amigo e companheiro de longa data da Seleção, Fábio Simões (SP).
Do outro lado da chave, Peterson Lozinski (SP), em sua estreia na categoria adulto, teve que vencer a lenda Vladimir Zanca (MT) para chegar à semi. E finalmente, fechando os 4 finalistas, o hexacampeão (2010, 2013, 14, 15, 16 e 17) Jayme Sandall (RJ) teve que vencer Igor Azevedo e Leão Mazur, dois fortíssimos lutadores baianos que integraram a Seleção Brasileira no Panamericano do Peru (2016).

 Na primeira semi, Matheus Cirillo venceu após uma batalha com dois desempates. A disputa terminou empatada após o sai sai shiai (segunda luta de desempate), e ele venceu na decisão dos árbitros (hantei)
Na outra semi, uma história bem parecida.
Apesar de soltarem muitos golpes e se mostrarem muito agressivos e buscarem a vitória a todo momento, nem Jayme nem Peterson conseguiram marcar pontos. Foram para a luta de desempate e permaneceu o zero a zero. Somente na terceira luta, o paulista conseguiu um wazari de mawashi geri tchudan.
Foi um verdadeiro duelo de gerações, onde os mais novos tiveram que ganhar dos mais velhos na luta, não apenas tirando pontos, mas mostrando que têm coração, coragem, espírito e força para venceram dois verdadeiros ícones da JKA do Brasil. Com essas vitórias, eles conquistaram muito mais do que um lugar na grande final. Conquistaram respeito!

Em uma luta emocionante  e movimentada, Matheus Cirillo conseguiu vencer seu conterrâneo por 4x3.

Matheus entra assim para um seletíssimo grupo de lutadores que conseguiram conquistar o título de kumite individual tanto no Tradicional quanto na JKA. Ele se junta a Martinna Rey, Manuela Spessatto (RS), Sônia Coutinho (PA) Lyoto Machida, Chinzô Machida e Jayme Sandall, sendo o sexto atleta a conseguir tal feito.

Com a medalha de bronze conquistada, Jayme se junta a Fábio Simões como os maiores medalhistas de kumite individual da história da JKA do Brasil (12 medalhas cada um).
Juntando JKA e Tradicional, o carioca conseguiu superar o número de medalhas de uma das maiores lendas do karate brasileiro: Chinzô Machida
Juntando JKA e Tradicional na categoria kumite individual: Jayme Sandall (18 medalhas), Chinzô Machida (17 medalhas) e Fábio Simões (16 medalhas)


Fica aqui registrado o agradecimento a toda a equipe de organização (JKA-RS) pelo excelente trabalho.
Também o agradecimento aos árbitros que trabalharam incansavelmente por dois dias e se mostraram imparciais e justos.

OSS!


RESULTADOS

FEMININO
 - Kata por equipes:
1) RS (Manuela Spessatto, Cristiane Babinski e Kauane Sgarbi) / 2) BA (Martinna Rey, Letícia Aragão e Michele Rodrigues) / 3) RJ

- Kata individual:
1) Manuela Spessatto (RS) / 2) Martinna Rey (BA) / 3) Cristiane Babinski (RS)

- Kumite por equipes:
1) PA (Bruna Magalhães, Lívia Vale e Ana Paula Rocha) / 2) RS (Manuela Spessatto, Cristiane Babinski e Kauane Sgarbi) / 3) BA (Martinna Rey, Michele Rodrigues

- Kumite individual:
1) Manuela Spessatto (RS) /  2) Sara Ladeira (SP) /  3) Cristiane Babinski (RS) - 3) Martinna Rey (BA)


MASCULINO
- Kata por equipes:
1) RJ (Wendell Gonçalves, Rogério Correcha e Ronaldo Correcha) / 2) SP / 3) RS

Kata individual:
1) Rogério Higashizima (SP) / 2) Andrew Marques (SP) / 3) Marcelo Kanashiro (GO)

Kumite por equipes:
1) RJ (Jayme Sandall, Diogo Yoshida, Igor Leite, Pedro Camacho, Fernando Macedo e Nathan Malavazzi) / 2) BA / 3) PA

Kumite individual:
1) Matheus Cirillo (SP) /  2) Peterson Lozinski (SP) /  3) Rafael Moreirai (RS) - 3) Jayme Sandall (RJ)


quarta-feira, 24 de abril de 2019

Nota de pesar


Faleceu, no dia 18 de abril de 2019, mais um integrante da Geração de Ouro do karate brasileiro.
Verdadeira lenda do karate, sensei Dorival Caribé foi o primeiro campeão brasileiro de kumite individual da história.
A família Caribé - grande responsável pela difusão do karate na Bahia - perde um de seus principais membros.

Fica aqui registrada va nota de pesar de toda a comunidade do karate brasileiro.

OSS

terça-feira, 26 de março de 2019

Seguir ideias ou seguir exemplos?

Vou lançar uma pergunta, e dar a minha opinião sobre um assunto polêmico.
Deve-se seguir uma ideia ou um exemplo?

Observo muitas pessoas no meio do karate que adotam uma postura de mestres, postam textos longos com opiniões muito fortes e às vezes intolerantes.

"Tem que seguir o Dojokun!"
"Lutador tem que ter coragem! Não pode virar o rosto!"
"Gente, vocês tem que se esforçar. Karate é isso!"

Essas foram frases reais, que ouvi em seminários ou escritas nas redes sociais.
E percebi diversas pessoas concordando, elogiando o autor das frases.
Certa vez um amigo meu, atleta e praticante há muitos anos, assistiu a uma palestra comigo. O palestrante falava com veemência e enfatizava a importância do esforço, do treino, de nunca parar de treinar. Falava quase gritando. E a maioria dos presentes ficou impressionada com ele.
Meu amigo, ao final, me disse: "Gostei muito da palestra, e você?"
Vi a surpresa no rosto dele quando respondi: "detestei. Esse palestrante ficou mais de dez anos sem treinar. Voltou há poucos meses. Como pode querer ensinar sobre o Dojokun, se ele não pratica?"

O fato é que sempre que escuto ou leio algo, muito antes de concordar e pensar em usar aquilo para a minha vida, eu procuro saber QUEM é a pessoa que está dizendo aquilo.
Quem está falando que lutador tem que ter coragem, ou que karate é esforço? Essa pessoa treina? Sempre treinou? Nunca abandonou o karate? Já competiu? Em resumo: essa pessoa tem história?

Na minha opinião qualquer comentário ou conselho dado por uma pessoa sem história tem que ser olhado com desconfiança.

Eu sigo exemplos, e não ideias.

Se um ex-atleta me dá uma dica de kumite, não me importo se ele foi campeão ou não. Mas eu escuto com atenção, porque ele teve experiência naquele assunto. Então eu posso aprender algo.

Se alguém que nunca competiu, mas treina há décadas e jamais parou de treinar, vem me dizer alguma coisa sobre o esforço, ou sobre o Dojokun, eu vou escutar com atenção. Posso aprender com essa pessoa.

Mas se alguém escreve algo na rede, ou vem me dizer algo, e eu sei que essa pessoa não tem história, não tem décadas de treino initerrupto e pesado, não faz cursos e nem viaja atrás de conhecimento como milhares fazem, então por que devo dar atenção?

Acho isso um desrespeito com quem se esforça de verdade. Conheço muitos árbitros que sempre estão viajando, investindo tempo e dinheiro, treinando com grandes mestres. São pessoas que já arbitraram e assistiram a centenas de competições. Esses têm história.

Confesso que me assusta ver pessoas sem história, que jamais se esforçaram para evoluir ou adquirir conhecimento ou fazer cursos de karate, de repente começarem a postar textos ou dar dicas e conselhos - e muitos dão atenção. E com o passar do tempo essas pessoas vão ganhando força, e são chamadas... de sensei.

Na minha opinião isso é triste para o karate.

Sensei é, antes de mais nada um exemplo.
É alguém que pesquisa, treina, pode ter competido ou não, mas está sempre se reciclando e buscando evoluir.

Eu, particularmente, sigo exemplos.

OSS!

sexta-feira, 22 de março de 2019

Mais uma luta de Rafael Coxinha

Dia 29 de março, o aluno de Fábio Simões  (SP), e integrante da seleção brasileira JKA em 2018, Rafael "Coxinha" Barbosa vai fazer sua décima segunda luta de mma.

Fixa aqui mais uma vez a torcida da comunidade do Karate Tradicional e JKA para que traga mais uma vitória!
Oss!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Os 5 maiores atletas de kumite da história da JKA do Brasil

* Antes de mais nada, cabe ressaltar que essa lista é sobre a JKA do Brasil, entidade criada em 1997. Antes disso, o karate era dividido em Tradicional (criado em 1987) e WUKO (atual WKF). Antes de 1987, o karate era um só. Os atletas que competiram nessa época pertencem à Geração de Ouro, e seus feitos foram os mais importantes, por abrirem as portas para todos os atletas que vieram depois.
Fiz uma lista específica dos maiores atletas da Geração de Ouro aqui neste blog.
Também fiz uma lista dos maiores atletas de kumite do karate Tradicional.
Só não fiz e nem farei uma lista sobre os maiores da WKF porque não tenho as informações necessárias para isso.
OSS

A JKA do Brasil foi criada em 1997.
Em 1999, foi realizado o primeiro campeonato brasileiro, na cidade de São José do Rio Preto (SP). No ano seguinte, foi formada a primeira Seleção Brasileira, para participarem do campeonato mundial da JKA, realizado em Tóquio, Japão.

A Seleção foi extremamente bem representada, com atletas de muita experiência e imensa qualidade técnica, como Lyoto Machida, Chinzô Machida, Jaime Fares (SP), João Camilo (SP) e Richard Monassa (RJ). Chegaram às quartas de final no kumite por equipes, e no "best eight" do kumite individual (Camilo). Mas esse grupo foi reunido apenas nessa competição. Depois disso, jamais competiram juntos.

Em 2002, foi realizado o III Campeonato Brasileiro da JKA, em Arujá, SP. A competição, pela primeira vez, serviu se seletiva para a formação de uma Seleção Brasileira que disputaria o I campeonato Sulamericano da JKA. Era o início da JKA na América do Sul, de forma organizada e conjunta. E também o início de uma Seleção com rosto, identidade, um grupo grande que foi a semente de algo muito maior e mais importante.

Nesse primeiro grupo, estavam pessoas cuja história acabou se confundindo com a própria história da Seleção ao longo desses quinze anos: no infantil, já competiam Letícia Aragão (BA) e Manuela Spessatto (RS), que atualmente integram a Seleção adulta. No adulto, Jayme Sandall (RJ), Rafael Moreira (RS) e Wagner Pereira (SP) começavam a formar o que seria a base de uma equipe que conquistaria diversos títulos.

Farei uma lista dos cinco maiores atletas de kumite da JKA do Brasil. Todos tiveram participações marcantes e ajudaram a construir a história da Seleção Brasileira JKA, no masculino e no feminino. Para ficar o mais justo possível, e menos subjetivo possível, faremos a contagem de pontos, baseados no ranking oficial da JKA. Não haverá bônus por participação nas competições, mas acrescentaremos o bônus por número de lutas pela Seleção, seguindo o seguinte critério: Lutadores com mais lutas - 5 pontos. Segundo lugar - 4 pontos. Terceiro lugar - 3 pontos. Quarto lugar - 2 pontos. Quinto lugar - 1 ponto.

CAMPEONATO BRASILEIRO - Individual: ouro - 12 pontos / prata - 6 pontos / bronze - 3 pontos
Equipes: ouro - 5 pontos / prata - 3 pontos / bronze - 1 ponto

CAMPEONATO PAN OU SULAMERICANO - Individual: ouro - 24 pontos / prata - 12 pontos / bronze - 6 pontos
Equipes: ouro - 10 pontos / prata - 6 pontos / bronze - 2 pontos

CAMPEONATO MUNDIAL - Individual: ouro - 48 pontos / prata - 24 pontos / bronze - 12 pontos /  Best eight - 6 pontos
Equipes: ouro - 20 pontos / prata - 12 pontos / bronze - 4 pontos /  Best eight - 3 pontos


FEMININO

1) Sônia Coutinho (PA) - 145 pontos

Tricampeã brasileira de kumite individual, Sônia é a única brasileira a ser duas vezes campeã Sulamericana de kumite individual (2005 e 2010).
Tem 22 lutas pela Seleção Brasileira

2) Manuela Spessatto (RS) - 139 pontos

Uma das maiores atletas de todos os tempos, a gaúcha foi tricampeã brasileira de kumite individual e vice-campeã sulamericana individual (2010)
É a recordista de lutas pela Seleção, com 35


3) Hannah Aires (RS) - 115 pontos

Filha do sensei Alfredo Aires, Hannah foi bicampeã brasileira individual e campeã sulamericana individual (2013)
Tem 19 lutas pela Seleção.

4) Juliana Vitral (MG) - 71 pontos

Aluna de Rousimar Neves, a mineira foi campeã brasileira individual e campeã sulamericana individual (2012)
Tem 18 lutas pela Seleção

5) Marina Brito (PA) - 68 pontos
Marina é a terceira da esquerda para a direita

Aluna do sensei Machida, Marina foi campeã brasileira e sulamericana individual em 2008
Tem 10 lutas pela Seleção

* MENÇÕES HONROSAS
Vale mencionar as atletas: Audrey Fais (SP), bicampeã brasileira individual (1999 e 2002) e campeã sulamericana individual e por equipes (2002)
Fernanda Monturil (DF), campeã brasileira (2003), vice-campeã sulamericana individual (2005) e bicampeã sulamericana por equipes (2002 e 2005)
Leila Suaiden (DF), bicampeã brasileira individual.



Muitos nomes passaram pela equipe de kumite masculina da Seleção. Grandes atletas e lutadores que contribuíram muito com a história da equipe. Dentre esses tantos, cinco nomes se destacaram ao longo de muitos anos, e foram presença constante nas conquistas do Brasil. Além disso, são os maiores vitoriosos de kumite individual em campeonatos brasileiros.

1) Jayme Sandall (RJ) - 222 pontos


Aluno de Ugo Arrigoni, Jayme é o atleta com mais atuações pela Seleção Brasileira JKA, tendo participado de todos os eventos internacionais da Seleção desde 2002. Tem 82 lutas pela Seleção

2) Rafael Moreira (RS) - 177 pontos


Aluno de Alfredo Aires, Rafael se tornou uma lenda da JKA ao se consagrar no Mundial de 2006 (Austrália), quando ficou entre os oito melhores lutadores do mundo. Tem 71 lutas pela Seleção.

3) Fábio Simões (SP) - 173 pontos



Aluno de Kazuo Nagamine, Fabinho é o único atleta brasileiro a ter mais de 100 lutas em três diferentes organizações de expressão mundial: JKA, ITKF e WKF. Tem 49 lutas pela Seleção

4) Chinzô Machida (PA) - 150 pontos



Considerado por muitos como o maior atleta de kumite da história (Tradicional e JKA), tem a incrível marca de 11 títulos brasileiros de kumite individual (6 na JKA e 5 no Tradicional). Único brasileiro da história a conquistar uma medalha de kumite individual (prata no mundial da Austrália, 2006). Tem 26 lutas pela Seleção.

5) Wagner Pereira (SP) - 103 pontos



Integrante da primeira geração da Seleção, Wagner conquistou 6 medalhas de kumite individual em campeonatos brasileiros. Tem 24 lutas pela Seleção.


* MENÇÕES HONROSAS

João Carlos Camilo (SP), vice-campeão brasileiro individual, campeão brasileiro por equipes e Best Eight no Mundial de 2000 (Japão);
Lyoto Machida (PA), Campeão brasileiro individual
Diego Andrade (BA), Campeão brasileiro individual e por equipes, tricampeão sulamericano por equipes e vice-campeão mundial por equipes (2011)


OSS!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Karate fora das Olimpíadas de 2024


Não é novidade para ninguém que o karate foi uma das modalidades selecionada para participar das Olimpíadas de Tóquio, em 2020.
Essa foi uma grande vitória da WKF (World Karate Federation), atualmente a maior organização de karate do mundo. Foi a coroação de décadas de dedicação e tentativas para entrar nos Jogos Olímpicos.

Entretanto, notícias recentes dizem que o karate não estará entre as modalidades olímpicas nos jogos de 2024, a serem realizados em Paris.
Esse foi um balde de água gelada nos milhares de praticantes filiados à WKF, espalhados ao redor do mundo. Segundo as informações do presidente da WKF, senhor António Espinós, depois dos jogos de Tóquio, o karate sai novamente do rol de esportes olímpicos.

Fica aqui uma pergunta: por quê?

O karate é um esporte muito difundido ao redor do mundo. Tem milhares de praticantes espalhados por praticamente todos os países do mundo. É mais popular do que o tae kwon do, a esgrima ou o tiro com arco, por exemplo.
Então, por que a demora em entrar nos jogos? E por que, após tantos anos de tentativas, o karate não fica em definitivo nas Olimpíadas?

Eu não sei a resposta. Mas posso tentar imaginar algumas razões e fazer algumas perguntas.

Será que, de alguma forma, isso tem a ver com a desunião histórica na nossa arte marcial?
Será que se fossemos todos unidos, sob uma mesma bandeira, já não estaríamos dentro dos Jogos Olímpicos?

O fato é que são organizações demais! Muitas mesmo, ao ponto de ter virado uma piada de mau gosto.
As siglas se confundem, se sobrepõem, se mesclam em uma salada de letras que nem os próprios praticantes sabem traduzir.
Fica difícil de explicar a um aluno que existem diversos estilos de karate, que dentro de cada estilo existem diferentes federações e organizações, e a qual você pertence.

Fica aqui a dúvida: será que se conseguíssemos, de alguma forma, nos unir, o COI não teria que finalmente admitir nossa arte marcial nos jogos?

Mas como unir algo que está cada vez mais desunido?

Com conversa, reuniões. Basicamente, com vontade política.

Se prestarmos bem atenção, dentro dessa infinidade de organizações, há um padrão básico: umas seguem a linha mais tradicional (regras de shobu ipon, proteção apenas de luvas e protetores de boca, maior rigor na marcação dos pontos, sem divisão de peso...); outras seguem uma linha mais esportiva (pontos múltiplos, uso de protetores de boca, luvas, protetor de tórax, caneleiras, com divisão de peso...)

Então, na verdade, não seria tão difífil unificar o karate em duas linhas principais: karate esportivo, e karate tradicional (* quando escrevo "tradicional" não estou me referindo a nenhuma federação. Apenas ao karate de regras mais próximas à forma como foi concebido)

Mas como unir essas duas formas em uma única competição?
Simples: mantenham-se as categorias de peso, na regra multi-ponto, com uso de protetores de tórax, caneleiras, luvas azuis e vermelhas, etc...
E incluiria-se a categoria absoluto, com regras Shobu Ipon, uso de luvas brancas, sem divisão de peso, etc...

Dessa forma, basicamente, estaria coberta a maior parte dos atletas de karate da atualidade.
E dessa forma, o karate ganharia mjuito mais força, porque seu número de atletas daria um salto, e não haveria mais brigas para atrasar o processo.

Será uma ideia impossível?

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Seminário de kumite em Salvador


Vem aí, dias 30 e 31 de março, seminário de kumite com alguns dos maiores atletas da Seleção Brasileira JKA.
Jayme Sandall  (RJ)
Diego Andrade  (BA)
Fábio Simões  (SP)
Wagner Pereira  (SP)
Rafael Moreira  (RS)

Cnovidado especial : sensei Kazuo Nagamine