quinta-feira, 26 de maio de 2011

Entrevista com Marcelo Alonso






Ele é um dos pioneiros do jornalismo de lutas, começou em uma época onde todo mundo achava que essa profissão não daria em nada, e apostou no MMA quando o esporte ainda era mau visto pela sociedade.
Hoje, Marcelo Alonso é um dos responsáveis pelo site número 1 do Brasil, e terceiro mais visitado no mundo, o Portal do Vale-Tudo
Acompanhem a entrevista com esse grande nome do MMA:


- Marcelo, conte um pouco da sua experiência como lutador.

Muita gente me confunde com o Marcelo Alonso, um dos melhores faixas pretas do mestre Carlson... Até porque temos uma certa semelhança física, mas na realidade sou só faixa roxa do mestre Otávio Ratinho


- Por que escolheu o jiu-jitsu?

Comecei a trabalhar com lutas porque treinava na academia Clube Barra, no Riviera, com o professsor Claudio França que organizava a Copa Atlântico Sul (junto com Marcus Vinícius e Joe Moreira), que era uma espécie de brasileiro de JJ... Na época (1992) o dono da revista Kiai sempre precisava de fotos e eu cedia para ajudar o mestre. Um dia ele decidiu me pedir um relatório do evento, gostou do meu texto e eu passei a ser correspondente da Kiai no Rio, mandando textos, fotos e até vendendo anuncios. Resultado: em menos de um ano eu passei a ganhar muito mais como “representante da Kiai no Rio” do que como biólogo (na época eu era responsável por um laboratório de Microbiologia da Fundação Bio Rio)... Em 1995 larguei meu emprego como biólogo com carteira assinada e tudo para apostar numa profissão que ainda não existia: Jornalista de lutas.


- Fale um pouco sobre o grande Carlson. Lembra de alguma história engraçada ou curiosa?

O Carlson era uma figura única. Assim que passei a trabalhar com lutas me aproximei muito dele, graças ao Paquetá, seu melhor amigo, que até hoje é meu melhor amigo... Tive o privilégio de fazer dezenas de viagens com o Carlson nos primórdios do MMA. Fomos juntos ao Japão pela primeira vez, estávamos juntos em diversas edições do Pride e UFC. Em todas estas viagens vivi momentos inesquecíveis ao lado dele. Posso te dizer que conhecer o Carlson de perto foi o meu maior privilégio nestes 19 anos que venho trabalhando como jornalista de lutas. Nunca conheci ninguém com tanta humildade e carisma...


- Como você começou na Tatame ?

Em 1994 eu trabalhava na Kiai e como era o único jornalista especializado o Roberto Risada me pediu para ceder algumas fotos para um projeto que vinha fazendo ao lado de dois amigos da praia (Alexandre Esteves e Yan Bonder). Fiquei super feliz em poder ajudar um projeto de um jornal só sobre Jiu-Jitsu, O Tatame. Eles fizeram a boneca com fotos minhas conseguiram um anuncio do Bibi e botaram a primeira edição na rua. A capa é uma foto minha do Bruno Severiano com o joelho na barriga do Paulo da Alliance. Infelizmente os três sócios brigaram logo na 4º edição eu fiquei do lado do Alexandre Esteves (até hoje a frente da editora)... De colaborador passei a ser o jornalista mais presente na revista. Nos 15 anos que trabalhei na Tatame me orgulho em ter feito 80% das matérias de capa. Passei a ser conhecido e respeitado no meio graças as reportagens que tive oportunidade de fazer nesta revista.

- Durante estes 15 anos a Tatame era sua única fonte de renda ?

Muito pelo contrário. Durante todo este tempo também trabalhava como correspondente de revistas estrangeiras como Kakutougi Tsushin (Japão), Cinturon Negro (Espanha), Kampfkunst (Alemanha) e Full Contact Fighter (EUA). Posso te dizer que durante boa parte deste tempo eu reinvestia o que ganhava lá de fora na revista Tatame. Infelizmente a crise no mercado editorial brasileiro não permitia que o dono da revista nos pagasse em dia. Para você ter uma idéia cheguei a ficar quase 2 anos sem receber um tostão da Tatame, até porque se parasse de trabalhar a revista fecharia, então, mas como eu era um cara extremamente apaixonado pelo que fazia, não só continuava trabalhando sem receber, como usava o dinheiro que ganhava das revistas no exterior para manter a equipe da Tatame motivada. Além das minhas fotos e reportagens fazia questão de mandar material do Levy Ribeiro e Fernando Azevedo (fotógrafos da Tatame na época) para poder pagá-los e mantê-los motivados. É importante frisar, no entanto, que tudo que fiz na Tatame foi pago. Quando as crises terminavam o Alexandre sempre foi muito correto e pagou tudo que estava acumulado, tanto que sai da Tatame tendo uma excelente relação não só com ele, mas com toda a equipe, que aliás hoje tem um sistema extremamente profissional de trabalho. Eu costumo dizer para o Dudu e pra rapaziada da nova geração que eles são felizes e não sabem. Verdade seja dita, fazer revista de lutas nos anos 90 era coisa pra maluco.

- Hoje você continua trabalhando com veículos do exterior ?

A crise no Pride virou o mercado de lutas de cabeça para baixo. A Kakutogi Tsushin que durante 12 anos foi minha principal fonte de renda, faliu no ano passado. Continuo trabalhando com a Cinturon Negro e Kampfkunts e hoje sou correspondente do Sherdog no Brasil e da Fighters Only.

- Por que você decidiu sair da Tatame para o PVT ?

Acho que a vida é feita de desafios. Depois de 15 anos na Tatame, acho que não tinha mais nada que me mantivesse motivado. Quando o Gleidson me chamou para ser seu sócio no PVT não pensei duas vezes. Sempre admirei muito o Gleidson por ter criado o site de lutas mais democrático do Brasil. Só com a força de vontade dele, o Gleidson conseguiu reunir 17 mil pessoas para debater num fórum, transformando o PVT no maior site do Brasil e 3º do mundo.
Posso te dizer que estou muito satisfeito com a decisão que tomei. Em quase 2 anos de parceria conseguimos, juntos, dar uma boa implementada no PVT. Criamos uma editora, montamos um escritório no Rio (aliás onde o Gleidson mora), implementamos mais jornalismo ao site, fizemos uma revista virtual mensal (bilíngue) e uma rádio virtual, além de uma loja. Em menos de 8 meses pulamos de 33 para 44 mil (média de visitas diárias). No mês que vem o PVT faz 10 anos e nós temos muitos motivos para comemorar.

- Como foi parar no canal Combate?

Na realidade esta ida para o Combate foi outra reviravolta na minha vida. Depois de 20 anos trabalhando como repórter por trás das lentes, te confesso que nunca imaginei mudar de lado. Mas, como disse, a vida é feita de desafios. Aceitei o convite do Nairton Abade, botei a faixa branca na cintura e com a ajuda de parceiros de trabalho como André Araújo (redator e diretor), Viviane Ribeiro (repórter) e Claudio Presuntinho (cameraman) estou aprendendo a me portar do outro lado da câmera. Estou muito feliz apresentando o Cara a Cara ao lado do meu colega Luciano Andrade.

- Na sua opinião, quem é o melhor lutador de jiu-jitsu de todos os tempos? E no MMA?

De Jiu-Jitsu Roger Gracie
De MMA Anderson Silva

- Qual foi a maior luta de MMA da história, na sua visão?

Costumo dizer que Minotauro e Bob Sapp é uma luta que todo brasileiro deveria ter na cabaceira da cama. Quando você estiver desmotivado, achando que não vai conseguir atingir algum objetivo coloque o DVD e reveja aquela aula de garra do Minotauro. Sempre que vejo esta luta, lembro do meu falecido pai emocionado com lágrimas nos olhos ao ver o Minotauro pegando o braço daquele gigante depois de apanhar daquela maneira...

- Antes do surgimento do fenômeno Lyoto Machida, você já tinha contato com o karate? Conhecia alguém, ou tinha visto alguma coisa sobre a arte das mãos vazias?

Com certeza. Como te disse, cubro eventos para a Kiai desde 1992. Já tive oportunidade de cobrir mundiais de Kyokushin e brasileiros de Shotokan, onde inclusive conheci seu treinador Vinicio Antony. Quem acompanha a preparação de atletas no Kyokushin e Shotokan sabe que mais cedo ou mais tarde apareceria algum grande representante usando esta arte adaptada ao MMA. Eu sempre levei a maior fé nisso e, te confesso, fiquei muito feliz que este “escolhido” tenha sido o Lyoto, a quem acompanho desde muito cedo. Um exemplo de postura, obstinação, humildade e caráter. Fico feliz em vê-lo de volta motivado e confiante e confesso que acredito que ele seja o home certo para, com a tática certa, derrubar Jon Jones ...

sábado, 21 de maio de 2011

Entrevista no site Tatame




Saiu a entrevista que concedi a Guilherme Cruz, da Tatame, falando sobre a preparação do Vitor, sobre o karate no MMA e muito mais. Segue abaixo o link:

OSS!


sexta-feira, 20 de maio de 2011

Karate no programa Ponto Final - Canal Combate

Amanhã (21/05/2011), às 20 hs no programa Ponto Final, do canal Combate, uma análise técnica sobre o evento WFE Platinum, realizado sábado passado em Salvador, BA.
Apresentado por João Guilherme, o programa trará como convidados Guilherme Cruz (revista Tatame), Luciano Andrade (comentarista de MMA) e Jayme Sandall, este que vos escreve.
Mais uma vez o karate Shotokan Tradicional/JKA está na mídia.
OSS!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Fotos do Campeonato Brasileiro JKA 2011









Saíram as fotos oficiais do XII Campeonato Brasileiro JKA 2011.

Até o campeonato brasileiro do 2010, Wagner Silveira fazia todas as fotos, e era reconhecidamente um trabalho fantástico. Infelizmente, desde o sulamericano passado ele teve que parar de fotografar os eventos da JKA, e fiquei com muito medo de voltarmos a ficar "órfãos", tendo que nos contentar com as fotos amadoras tiradas por parentes e amigos.

Mas por sorte, exatamente no sulamericano 2010, em Belém, outro fotógrafo profissional, Sidney Oliveira, pai do atleta infantil Sávio Oliveira (campeão brasileiro e sulamericano), começou a fazer a cobertura dos eventos da JKA.
Dessa vez, novamente, ele usou seu olhar de lutador (é faixa-preta e treina com sensei Paulo Afonso, tendo participado do Brasileiro JKA de 2010), e tirou fotos fantásticas de todos os participantes da competição. Acima, uma amostra da qualidade das imagens.
Para aqueles que se interessarem em ver e ter fotografias desse nível, basta entrar em contato pelo email: sidneyoliveiraimagem@hotmail.com , onde Sidão poderá enviar previews das fotos.

OSS!

quinta-feira, 12 de maio de 2011

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Final do campeonato brasileiro JKA 2011


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Final do kumite individual: Fábio Simões vs Jayme Sandall


Parte 3.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Final do campeonato brasileiro JKA 2011


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Fábio Simões vs Jayme Sandall


Parte 2

domingo, 8 de maio de 2011

Final do campeonato Brasileiro JKA 2011


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Luta final do kumite individual no XII campeonato brasileiro JKA 2011, entre Fábio Simões (SP) e Jayme Sandall (RJ)


Parte 1.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

XII Campeonato Brasileiro JKA 2011

Campeão e vice: grandes amigos.

Pódio do kata individual.


Kumite individual.

terça-feira, 3 de maio de 2011

XII Campeonato Brasileiro JKA - 2011

Ugo Arrigoni

O pódio do kumite por equipes

Kumite individual

Kata individual




Neste final de semana aconteceram o curso com sensei Imura, e o XII Campeonato Brasileiro JKA.
Na sexta e sábado, o curso com sensei estava lotado. Sempre simpático, Imura esbanja conhecimento, especialmente sobre os katas, que sempre foram sua especialidade enquanto competidor (foi tri-campeão mundial por equipes, e bi individual).
Imura sensei passou por todos os Heians, Tekki Shodan, Basai Dai, Enpi, Jion e Kanku Dai, além de seu kata de competição, o Jite. Muito detalhista, ele tirava as dúvidas e mostrava a aplicação de vários movimentos. Um show!
No sábado à noite, exame de graduação. Os atletas da Seleção Brasileira Fábio Simões e Rousimar Neves fizeram exame para quinto Dan, e Alisson (SP), fez para quarto, além de Daniela Baldini, que fez para o terceiro. Os quatro foram aprovados. Sensei Ugo Arrigoni fez um exame pro forma, para confirmação de Dan. Fez para quinto também, e emocionou todos os presentes fazendo o kata Basai Dai, e lutando jiu kumite com Rousimar, Alisson e Fabinho.

A COMPETIÇÃO

Mais uma vez, o campeonato brasileiro foi um sucesso, com um grande número de participantes em todas as categorias. No feminino, Manuela Spessato (RS), confirmou a excelente fase por que está passando e venceu tanto no kata quanto no kumite individual. Depois de passar pela campeã brasileira e sulamericana de 2008, que está retornando de uma cirurgia, a paraense Marina Brito, e na semi-final pela baiana Daniela Baldini, Manuela abriu caminho para o título na final contra sua conterrânea Hanna Aires, filha do sensei Alfredo Aires. A luta de Manuela e Marina foi um clássico da JKA, e depois de empatarem, a gaúcha levou a luta no detalhe. Marina mostrou que está de volta, e que o tempo que passou parada, se recuperando da cirurgia, não afetou em nada sua qualidade no kumite.
No kata por equipes masculino, o GRB (Barueri), do sensei Ruy Koike, surpeendeu os atuais tricampeões do Dojo Rousimar, e ficaram com o título, deixando os mineiros com a prata.
No kata individual entretanto, Rousimar confirmou seu favoritismo, vencendo pela quarta vez, com seu excelente So chin. Andrew, de Barueri, ficou com a prata, deixando o barioca (mistura de baiano com carioca) José Renato com o bronze. Victor Lage ficou em quarto lugar, pelo segundo ano consecutivo. Eu perdi na eliminatória para Marcel (Barueri), que chegou a ficar entre os oito melhores, mas não avançou para a finalíssima.

Kumite por equipes: havia 12 equipes, de várias partes do Brasil. A equipe Arrigoni foi um híbrido de atletas alunos do sensei Ugo Arrigoni e do sensei Flávio Costa, além de José Renato, aluno do sensei Enobaldo Ataíde, que está treinando conosco no Rio de Janeiro há alguns anos.

De cara pegamos o GRB, que tentava vencer também no kumite, com a mesma equipe que levou o título do kata. Muito rápidos e perigosos, eram uma equipe enjoada de encarar logo na rodada de abertura. Depois das três lutas, tudo empatado, com uma vitória para cada lado. No desempate, conseguimos levar. Passamos em seguida pela fortíssima APAM, do sensei Machida, e com um Take inspiradíssimo e em excelente forma. Foi por pouco. Na semi-final fomos barrados pelos campeões de 2010, a Zanchin de Pederneiras (sensei Wagner Pereira). Eles conseguiram 2x0, e passaram para a final com todos os méritos.

Do outro lado da chave, lutas duríssimas entre Zanca Dojo, Sekai (BA), Dojo Rousimar, Shobukan e Paulo Afonso, entre outros. No final, os paraenses alunos do sensei Paulo Afonso foram para a finalíssima.
No koto central, os paulistas da Zanchin confirmaram que o título de 2010 não veio por acaso, e conquistaram o bi.

Finalmente, o kumite individual, com mais de 70 atletas de todo o país.
De cara fiz uma luta muito dura, e tomei um wazari. Percebi que o atleta me esperava para um deai, mas consegui encaixar um gyako jodan e empatar a luta. Depois, consegui um deai de gyako tchudan e virei. Passei em seguida pelo veloz aluno de sensei Enobaldo Ataíde, o Yura, e peguei o Take.
Take vinha muito bem, rápido, calmo, eficiente, economizando golpes. Geralmente o que ele tentava, era wazari. Seus chutes estavam muito explosivos, e com uma precisão cirúrgica.

Conheço bem Takehiko. Somos amigos há quase dez anos. Eu sabia que se desse uma chance ele me pegaria com seu chute potente, tanto mawashi quanto mae geri. Por isso mergulhei quando ele se mexeu, e consegui um deai de kizami. Depois emendei com um gyako tchudan, e venci, passando por um dos lutadores mais perigosos da competição.
Na final do dojo peguei um aluno do sensei Paulo Afonso – e como todos eles, bem perigoso. Consegui um mae geri e uma sequência de kizami e gyako jodan e me classifiquei para a semi.

Enfrentei o atual campeão paulista, Alisson (SP), que vinha embalado pela vitória sobre o vice-campeão de 2010, Anderson Moraes (PA). Venci por pouco, e me classifiquei para minha segunda final consecutiva.
Do outro lado, Diego Andrade (BA), tendo vencido Wagner Pereira na sua chave, chegava à sua segunda semi em dois anos. Pegou Fábio Simões, e perdeu com dois golpes de go no sen, a especialidade do paulista.
Era hora da grande final.
De um lado, eu, e do outro, meu amigo Fábio Simões. Sensei Imura entrou para arbitrar a grande final.

Depois de 9 lutas (entre equipe e individual), horas de competição, finalmente o momento tinha chegado. Os dois finalistas se encaravam de lados opostos da quadra central.
A luta foi muito difícil, com golpes fortes dos dois lados. Ele saiu na frente, mas consegui virar para 2x1. Como a final JKA é uma luta de 5 minutos, ou quem fizer 2 ipon ou 4 wazari primeiro, seguimos lutando. Ele meteu um lindo haitô na minha orelha, e empatou. No final dos cinco minutos, tudo igual. Lutamos mais dois minutos, e depois de muitas trocas de golpes, ele venceu, com méritos.
Fábio Simões sagrou-se tricampeão brasileiro de kumite individual (2003 / 2009 / 2011).
Eu fiquei com a prata, mas não saí triste pela derrota. A luta foi aberta, forte, justa. Perder assim não dá tristeza, mas sim orgulho por ter participado, por ter estado ali, no koto central naquele momento.

Rafael Moreira voltou depois da complicada cirurgia no joelho. Lutou bem, apesar de se sentir um tanto inseguro. Mais do que normal, em se tratando de cirurgia de joelho. Para a Tailândia, o “Best Eight” em 2006, estará 100%.
Confiram os resultados completos na página: Resultados.

OSS!