domingo, 31 de janeiro de 2010

5 MIL VISITAS

Quem foi que disse que karate Shotokan JKA não dava Ibope?
A idéia de criar esse blog, e tentar mantê-lo sempre com conteúdo, novidades e notícias sobre o karate Shotokan JKA, nasceu da minha frustração por não existir nenhum canal de notícias que falasse sobre as competições da JKA, que descrevesse as lutas, desse mais informações sobre os lutadores. Há muita coisa interessante no site da JKA do Brasil (www.nkkbrasil.com.br) além de fotos impressionantes no site do fotógrafo oficial da JKA, Wagner Silveira (www.wsfotografias.com.br). Há muitos blogs e sites de karate Shotokan, de diferentes federações.
Mas minha idéia foi criar um jornal virtual, uma fonte de informações sobre a JKA, como por exemplo os resultados de todos os campeonatos brasileiros, e sulamericanos; histórias dos bastidores das competições nacionais e internacionais; informações sobre os principais atletas do nosso país; o karate Shotokan JKA no MMA.
E agora, 8 meses depois de instalar o contador no blog, alcançamos a marca de 5000 visitas. Para um blog de variedades, ou de futebol, pode não ser muito. Mas para um canal com informações sobre o karate Shotokan Tradicional / JKA é excelente.
Isso prova que o nosso Shotokan dá ibope.
E que venham as dez mil visitas.
OSS.

sábado, 23 de janeiro de 2010

CHINZÔ MACHIDA vs JAYME SANDALL

video

Luta válida pela semi-final brasileiro JKA 2007, em Arujá, SP. O árbitro central era sensei Imura.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Chinzô Machida no UFC

Chinzô (último, à direita), ao ser bicampeão sulamericano de kumite por equipes (JKA), no Uruguai em 2007.


Chinzô Machida, irmão mais velho de Lyoto, já lutou duas vezes em eventos de MMA, ambas no Jungle Fight. Na primeira luta, enfrentou Cristiano Rosa, e venceu por nocaute técnico (http://www.youtube.com/watch?v=n4L4jDitr8o). Na segunda, encarou Brian Rafik, e acabou sendo derrotado por finalização no segundo round, depois de dominar a luta completamente no alto (http://www.youtube.com/watch?v=7oRY6E9q-zg&feature=related). Na época, o carateca ainda não tinha um jiu jitsu afiado, mas ele vem treinando forte os fundamentos de chão nos últimos anos.

Agora, segundo notícias do jornal O Liberal e do site Sherdog.com, Chinzô vai lutar em 2010 no UFC. Segundo o próprio, a categoria que escolhereu será até 70 kg. Só para lembrar, essa é a categoria do casca-grossa havaiano BJ Penn, que inclusive já lutou - e perdeu -, para Lyoto. BJ vem de uma vitória formidável contra Diego Sanchez, e foi o primeiro gringo a ser campeão mundial de jiu jitsu.

Mas se Chinzô afiar bastante o seu jogo de chão - como vem fazendo - ele será um fortíssimo candidato ao título da categoria. Seu karate é incontestavelmente um dos melhores do mundo, e ele tem um estilo diferente do irmão. Chinzô é muito mais agressivo, vai para cima o tempo todo. Tenho certeza de que rapidamente vai conquistar os fã de MMA com seus ataques explosivos e sua agressividade.

A comunidade do Shotokan torce para que ele faça sua estréia rapidamente, e que conquiste mais vitórias para o nosso karate.




sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

FINAL DO BRASILEIRO JKA 2003

O pódio do kumite individual: Jayme Sandall (RJ), Fábio Simões (SP), Enobaldo Athaíde (BA) e Wagner Pereira (SP)


Depois de várias lutas, eu estava na final. Foi, até hoje, o campeonato brasileiro mais lotado que a JKA já teve. Confluíram para Porto Alegre, naquele dia 14 de maio de 2003, atletas do Tradicional, JKA, WKF. Lutadores do quilate de Wladimir Zanca (MT), Chinzô e Takê Machida (PA), Fábio Simões, Wagner Pereira, Caio Rocha (SP), Rafael Moreira, Juarez, Napoleão, Marlos (RS), Enobaldo Athaíde (BA), Roberto Pestana (RJ) e muitos, muitos outros. Inclusive um carateca da WKF que o Pestana conhecia dos anos que passou por essa federação, e que me disse antes da competição: “O apelido dele na WKF era Raio” me disse Pestana, que por ironia acabou perdendo para o Raio em seu dojô. O velocíssimo atleta da WKF acabou derrotado por Wagner.
A competição servia de seletiva para o cobiçado Mundial do Japão.
Lembro que quando separaram os dojôs, olhei para o meu e pensei: “é muita gente...”
Mas aos poucos, rodada após rodada, vitória após vitória, fui passando por meus adversários até chegar à finalíssima. Meu adversário era o até então desconhecido - para mim - Fábio Simões.
Mas eu não era bobo. Já tinha reparado naquele lutador ainda no dia anterior, no curso. Ele tinha excelente postura, uma boa visão e era muito, muito rápido. E tinha passado por Chinzô e Enobaldo para chegar à final. Do meu lado, eu tinha passado por Takê, Rafael (o então campeão) e Wagner.
Foi a primeira vez em minha vida que encarei uma luta de 5 minutos, ou dois ipon.
De cara meti um mae geri que explodiu na perna dele. Cheio de gás, fui para cima e meti um tet tsui de esquerda: wazari. Mas Fabinho virou, fazendo dois pontos de go no sen (contra-ataque). A luta seguiu, e lá pelas tantas ele meteu a mão na minha cara. Mais de uma vez. Como eu disse, não sou bobo. Bati também. Mais de uma vez. Daí, como dois bons lutadores, começamos a lutar duro, sem segurar nenhum golpe. Nenhum dos dois estava nem aí para o resultado naqueles minutos do meio da luta. Era pancada para todo lado.
Ele ainda tirou mais um wazari, e venceu por 3x1. Resultado justo para o lutador mais consistente daquele dia de competições.
À noite, estava eu sentado sozinho em uma mesa, com o jantar diante de mim quando ele sentou na minha frente.
- Cara, olha o que você fez com o meu rosto! – Disse apontando para o olho roxo, quase preto.
- E o que você fez no meu, não conta? – Devolvi, mostrando meu nariz inchado e uma bola vermelha na testa.
Começamos a rir, e depois disso viramos amigos.
Já ri muito com as histórias dele, que é a maior figura do karate brasileiro.
OSS.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

ROUBO EM COMPETIÇÕES


Tem atleta que nunca perde. Nunca perdeu uma única luta em toda a vida. É invencível. Ou ganha por pontos - ou decisão dos árbitros -, ou é desclassificado por dar pancada (e, em sua opinião, ganhou), ou é roubado. Perder, jamais!
Será que isso é saudável?
A grande maioria dos atletas, especialmente os de ponta, que se dedicam diariamente, se arrebentam nos treinos em busca de um almejado título, são pessoas competitivas. E detestam perder. Isso é normal, e em minha opinião uma característica necessária em alguém que deseja ser campeão. Mas ter gana de vencer, ser competitivo, lutar com unhas e dentes por um título é muito diferente de não saber perder.
Saber perder é uma das características de um grande campeão. Campeão de verdade, não alguém que vence competições.
Campeão é o lutador honesto, que faz questão de vencer sem nenhum subterfúgio; É alguém que detesta perder, mas sabe que faz parte da vida; É uma pessoa que tenta vencer uma luta difícil dentro das regras, que tenta virar um combate em que saiu perdendo, que não tenta ser desclassificado só para sair por cima, dizendo que perdeu mas bateu; É o lutador que sabe que acontece de levar um wazari que só o árbitro viu, mas que isso acontece ao contrário também, quando o SEU wazari não entrou, mas marcaram.
Acho curioso que o juiz sempre rouba só para um lado. Será?
Parcialidade existe. Falta de honestidade de algum árbitro ao longo de uma carreira pode existir. Mas o lutador que joga toda a culpa de todas as suas derrotas em cima de arbitragem não vai evoluir.
Para mim, vitória é saber que lutei melhor que meu adversário; É sair do kotô sem ter apanhado; É ter vencido a mim mesmo lutando com frieza, garra, inteligência, explosão, velocidade, técnica. Às vezes isso tudo vem acompanhado da vitória, às vezes não. Já venci lutando mal, já perdi lutando bem. Faz parte.
Como muitos lutadores casca-grossa me disseram: “achou que fez um wazari e não marcaram? Perdeu roubado? Treina mais, e da próxima vez dá um gyako tchudan que deixe o cara arriado. Você vai ver se não vão marcar...”

OSS.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

MAE GERI

Um mae geri perfeito, executado pelo sensei Kanazawa. Detalhe da posição correta do pé.


O mae geri (chute frontal) é um golpe muito potente que, aplicado de forma correta, pode terminar um combate.

É um dos primeiros chutes que se aprendem quando se inicia no Shotokan, mas nem por isso é o mais fácil de ser aplicado. Aliás, é raro vermos lutadores que aplicam o mae geri com eficiência em competições.

Mas como se aplica um mae geri de forma correta, eficiente?

Em primeiro lugar deve-se prestar muita atenção ao pé de apoio. Ele não deve perder a estabilidade, afinal, é ele quem dará sustentação ao chute. O pé deve ficar plantado no chão, ou seja, ficar na ponta do pé é contraindicado. A perna de apoio deve ficar ficar flexionada para aumentar ainda mais a estabilidade e o apoio para o chute.

Depois temos o quadril, que deve participar ativamente do golpe. Chutar só com a perna faz com que o golpe não alcance todo o seu potencial. O quadril deve penetrar (no caso dos chutes kekomi) ou balançar (no caso do keage, ou chicote). Apesar da penetração ou balanço do quadril, a postura deve-se manter. Não se deve jogar o corpo para trás, pois isso tira a força do impacto.

Temos por fim a perna do chute. Primordial que o movimento seja feito de forma correta, a perna partindo flexionada, totalmente dobrada, esticando-se apenas na hora do impacto. Logo após, deve-se recolher a perna. Sensei Machida me disse uma vez que 70 % do chute era o hiki ashi (recolhida da perna após o impacto). E ele sabe o que fala.

O pé deve estar esticado, apontando para frente, com exceção dos dedos. Esses devem estar o mais dobrados para cima possível, até porque chutar com a ponta dos dedos acarretaria um estrago maior no seu pé do que no aversário.

Nesse vídeo uma aula do sensei Kagawa: http://www.youtube.com/watch?v=4LttrJNu_us
OSS.


segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

JYU KUMITE vs SHIAI KUMITE


Essa é uma discussão comum entre praticantes de karate Shotokan. Afinal, qual das duas formas de luta é a mais real, a mais importante?

Desde a faixa branca, faço jyu kumite (luta livre). Tive muita sorte de ter sido "adotado" desde as faixas iniciais, pelo casca grossa Ricardo Arrigoni (Rico), que lutava comigo e com seu sobrinho, Christiano Arrigoni, dando várias escovadas na gente. Era coisa de sair com olho roxo, boca sangrando, dor nas costelas, canelas, pés... e por aí vai. Hoje em dia não seria considerado lá muito didático, mas que moldou nosso espírito de luta isso moldou. Foi a melhor coisa que poderia ter acontecido comigo, como lutador.

Nos anos que se seguiram, fiz inúmeras lutas dentro de diferentes academias, umas mais tranquilas, outras bem pesadas.

No jyu kumite não há regras. A luta não tem tempo pré-definido, pode durar menos de um minuto, ou muito, muito mais (eu e Vinicio Antony já fizemos uma luta que durou 45 minutos). Pode começar em pé e terminar no chão; pode ser leve, pesada, leal ou nem tanto. É, como o nome diz, livre.

O Shiai é bem diferente. É uma luta de competição, e como tal tem suas regras. Há tempo, árbitros, vencedor e perdedor (bem, pode dar empate também, em lutas por equipe). Muitas coisas são proibidas, visando preservar a integridade física dos atletas e a qualidade técnica dos golpes.

No Shiai, diferentemente da luta de academia, que pratica é atleta. Em geral, são pessoas com excelente condicionamento físico, que treinam horas por dia visando as competição. São karatecas selecionados, que treinam muito acima da média, e portanto conseguem ficvar mais rápidos, mais fortes. Geralmente, quem compete representando sua academia são os melhores dessa academia; as seleções estaduais são formadas pelos melhores de seus Estados, e as internacionais pelos melhores de seus países. É uma peneira, e quando se chega a uma competição mundial, o nível dos adversários será altíssimo.

Na competição ambos os lutadores desferem os golpes com toda força, e ai de quem não defender direito: pode ir à nocaute. Dá um nervoso imenso, um frio na barriga que às vezes quase foge ao controle antes de se pisar num kotô. Principalmente nas primeiras competições da carreira.

Na academia, por outro lado, apesar de muitas vezes se lutar com total controle, quando o bicho pega, pega mais do que na competição, porque não há tempo, juiz, regras. Muito lutador que não compete já travou batalhas dentro de um dojô.

Resumindo: na minha visão de lutador de academia e de atleta de competição, ambas são importantes, e o atleta jamais pode abrir mão do jyu kumite se quer ser um lutador. Lutador, e não apenas praticante ou esportista. Até porque, para mim, quem compete em karate Shotokan não é esportista, é lutador. É alguém que não admite vencer por desclassificação do oponente, vencer apanhando; é alguém que toma uma bomba na cara e nem coloca a mão; é alguém que coloca a honra na frente dos títulos.

OSS.