quinta-feira, 4 de agosto de 2016

O karate é olímpico! E agora?


Foi decretado pelo COI que o karate será uma das modalidades que entrarão nas Olimpíadas de Tóquio, em 2020.

Mas qual karate, afinal? Há tantas federações e organizações, que fica difícil de entender.

Na verdade, não é tão difícil...
A federação que foi contemplada com a entrada nas Olimpíadas foi a mesma que já está presente nos Jogos Regionais, Jogos Abertos, Jogos Panamericanos, e Jogos Mundiais: a WKF

Para mim não causou nenhuma surpresa a escolha dessa organização, já que é aquela que, há décadas, vem se preparando e se moldando aos desejos do COI.

Com o objetivo de ser modalidade olímpica, a WKF passou a priorizar 100% as competições, e o karate virou um esporte. Deixou de ser uma luta, para virar um esporte.
Escrevo isso sem criticar. É apenas um fato.
O uso de protetores de tórax, luvas bem acolchoadas e caneleiras serve para evitar qualquer tipo de acidente. Não há mais como se nocautear batendo no corpo, e os golpes fortes no rosto são proibidos.
Com isso, os acidentes são minimizados - exatamente como pede o COI.

O karate Kyokushin, JKA e o Tradicional, são considerados muito violentos, e sempre serão, para os padrões do COI.
O uso de luvas pequenas, e a ausência de protetores de tórax e caneleiras, além da exigência do kime (força total nos golpes) e do sistema de pontuação de dois wazari ou um ipon (semelhante ao Judô), faz com que os golpes sejam mais fortes, e as consequências mais sérias...
Comumente vemos nocautes nas lutas da JKA e do Tradicional. Seja por golpes devastadores no corpo, seja por golpes válidos no rosto.

Mas isso quer dizer que a WKF é mais fraca?

Claro que não! São apenas objetivos diferentes, devido a regras diferentes.
Na WKF, o objetivo é tocar, então o que se prioriza é a velocidade. Os pontos múltiplos, fazem com que os atletas sejam mais versáteis.
Em contrapartida não se preocupam tanto com a potência das pancadas ou com a postura dos golpes.

E agora, o que muda para os praticantes de karate espalhados pelo mundo?

Para aqueles que já competem pela WKF, melhora muito, porque agora terão mais visibilidade e patrocínios, além de poderem sonhar com a participação em uma olimpíada.

Para as outras tantas organizações, creio que não haverá grandes mudanças. Aqueles que preferem um karate mais tradicional, com sistema de shobu ipon (dois wazari ou um ipon), sem proteções no corpo ou nas pernas, e possibilidade de nocaute, continuarão em suas organizações.
O Kyokushin é outro exemplo: suas regras exigem nocaute, eles não usam luvas e não podem socar no rosto. Vão continuar assim.
Já não éramos olímpicos, e continuamos na mesma situação.


Dou outro exemplo de duas lutas de chão: o jiu jitsu não é olímpico, a luta-livre é. Mesmo assim, há muitas pessoas que preferem praticar, lutar e competir na arte suave, mesmo sem poderem jamais sonhar com uma Olimpíada. Esses lutadores não abandonam o jiu jitsu pela luta-livre só para tentarem participar de uma Olimpíada.

Agora, resta a todos seguirem seus corações, escolherem a arte marcial e as regras que mais lhe agradem.

Há espaço para todos.

OSS!

** No link, matéria publicada no Portal do Vale Tudo
/http://portaldovaletudo.uol.com.br/hexacampeao-brasileiro-de-karate-analisa-inclusao-da-modalidade-nos-jogos-olimpicos/

7 comentários:

Ronaldier Rodrigues disse...

Acho de uma enorme inércia dos líderes internacionais. Agora sei que ocorrerão processos, Desculpas e muita conversa. Eu particularmente de um modo geral acho que não será positivo no que diz respeito à marcialidade, porém, se tratando de patrocínio realmente as portas tendem a abrir.

A questão é! Porque apenas a WKF? Isso enxergo com anticonstitucional. Ou se cria uma entidade com regras expecíficas para que exista um grau de igualdade, ou a WKF abri para que outros participem das seletivas. Eu caso fosse dirigente nacional, sem dúvidas teria antecipadamente tomado medidas cabíveis pois cabe uma discussão ampla à respeito, agora será uma expectativa dolorosa para todos os praticantes.

Lamentável

Ronaldier Rodrigues disse...

Corrigindo. Como anticonstitucional.

Ronaldier Rodrigues disse...

Corrigindo. Como anticonstitucional.

Ronaldier Rodrigues disse...

Acho de uma enorme inércia dos líderes internacionais. Agora sei que ocorrerão processos, Desculpas e muita conversa. Eu particularmente de um modo geral acho que não será positivo no que diz respeito à marcialidade, porém, se tratando de patrocínio realmente as portas tendem a abrir.

A questão é! Porque apenas a WKF? Isso enxergo com anticonstitucional. Ou se cria uma entidade com regras expecíficas para que exista um grau de igualdade, ou a WKF abri para que outros participem das seletivas. Eu caso fosse dirigente nacional, sem dúvidas teria antecipadamente tomado medidas cabíveis pois cabe uma discussão ampla à respeito, agora será uma expectativa dolorosa para todos os praticantes.

Lamentável

Naldão Artes Francisnaldo Esporte disse...

Eu acho que no karatê esporte ou olímpico desde que venha para somar com marcialidade e bom so deve e substituir, trocar um pelo outro e sim agregar.

Agora enquanto a questão do karatê nas olimpíadas eu to vendo um certo monopólio, tudo bem que a wkf tenha conseguido se adequar as exigência do coi. Mas será que foi consultado as outras organizações? Será que é realmente democrático? Que se não for deixa de ser esportivo e passa a ser apenas uma atividade que satisfaz o ego dos chefões que nesse caso da wkf. E isso é despautério para o karatê no mundo inteiro.

Enquanto a questão de patrocínio vemos muitos clubes e atletas fraudando arbitragens para construir mérito campeonistas para encantar patrocinador e continuar sendo patrocinado, é uma forma de espantar concorrência, e isso também vai parar nas olimpíadas?

É só meu ponto de vista.

Naldão Artes Francisnaldo Esporte disse...

Eu acho que no karatê esporte ou olímpico desde que venha para somar com marcialidade e bom so deve e substituir, trocar um pelo outro e sim agregar.

Agora enquanto a questão do karatê nas olimpíadas eu to vendo um certo monopólio, tudo bem que a wkf tenha conseguido se adequar as exigência do coi. Mas será que foi consultado as outras organizações? Será que é realmente democrático? Que se não for deixa de ser esportivo e passa a ser apenas uma atividade que satisfaz o ego dos chefões que nesse caso da wkf. E isso é despautério para o karatê no mundo inteiro.

Enquanto a questão de patrocínio vemos muitos clubes e atletas fraudando arbitragens para construir mérito campeonistas para encantar patrocinador e continuar sendo patrocinado, é uma forma de espantar concorrência, e isso também vai parar nas olimpíadas?

É só meu ponto de vista.

Helton disse...

Oss! Minha opinião segue: O karatê a muitas décadas se dividiu em dois grandes viés: esportivo e marcial! Caberá ao praticante que quiser usufruir do Karatê decidir se quer ser um atleta ou um praticante de defesa pessoal! Na WKF, apesar do foco ser a competição, não se pode negar que se aprende como lutar. E no Tradicional, Kyokushin, Seiwakai, Kenpo e outros, o foco é a defesa pessoal mas existe espaço para também ser atleta! Mas, em se tratando das olimpíadas, de fato foi a WKF que buscou a muito tempo atender às exigências do COI e em contrapartida as demais entidades internacionais não queriam abrir mão de suas características e conceitos e somente a poucos anos resolveram montar a UWK como uma medida desesperada de ainda conseguir respaldo junto ao COI! Assim sendo, vejo como indiscutível mérito da WKF ter alçado o papel de representante de nossa arte nos jogos olímpicos mesmo eu não fazendo parte desta organização!