terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Regras que destroem lutas

Regras são importantes em todas as lutas, lógico.
Mas vejo com preocupação e tristeza o excesso de regras que vêm sendo criadas nas diferentes modalidades de luta destruírem a essência delas.

Quanto mais simples as regras, melhor. Vejam o atletismo: em quase todos os esportes dessa modalidade, vence quem chega primeiro, ou quem pula mais alto, ou mais longe, ou arremessa um peso mais longe. Cada um que use sua tática, estratégia e técnica para atingir esses objetivos. Já pensaram se as regras dos 100 metros rasos começassem a ficar super complexas, e premiassem com pontos a largada, o estilo das passadas, a chegada... talvez o Bolt não fosse campeão, porque não larga bem, não tem as passadas mais técnicas... Ou seja, mesmo chegando na frente, perderia.

Parece absurdo o que acabei de escrever, mas é exatamente o que vem acontecendo com as lutas.

O tae kwon do, luta fortíssima de origem coreana, era uma arte marcial que premiava o nocaute. Com chutes violentíssimos, vencia a competição quem nocauteava, ou ao menos batesse mais, infligindo danos ao adversáio. Hoje, vence quem "toca" mais no colete ou capacete do adversário. Mesmo que chute sem força, sem técnica, sem objetivo algum de nocautear...

No mma, as regras atuais prejudicaram demais os lutadores de jiu jitsu, porque eles não podem mais se dar ao luxo de jogar por baixo, esperando o momento certo de tentar finalizar. Isso porque o lutador que fica por cima no chão vence o round, mesmo que não faça nada.

No judô, há tempos não vemos aquela profusão de quedas espetaculares. Ao contrário, nos acostumamos a ver grandes campeões olímpicos que conquistam sua medalha através de punição dos adversários.

Da mesma forma, o karate foi pelo mesmo caminho. E cada vez parece piorar mais.
 Digo isso independente da organização, essa é uma crítica ao excesso de regras, e não uma crítica política.

Quantas vezes não vemos um karateca nocautear o outro, com um golpe limpo, e ser desclassificado? E então o outro, que apanhou, vence a luta e fica com o título? Será certo? Algumas organizações estão começando a adotar a punição por falta de combatividade, como no judô. Mas com isso não estão prejudicando certas estratégias de luta? Como, por exemplo, esperar o momento certo de desferir um golpe definitivo?

Para mim, a competição de karate ideal seria um shobu ipon, com 3 minutos de luta, e sem desclassificação por excesso de contato. Ou seja: nocauteou, venceu por ipon. E para fazer wazari, deveria ser um golpe forte, e não apenas um toque leve. Com isso, na minha visão, estimularíamos os praticantes a treinar a potência de seus golpes, pensando sempre no todomewaza (técnica do golpe definitivo). E então, cada um que lutasse dentro de sua estratégia: uns se movendo mais, pulando, fintando; outros lutando mais parados. Uns atacando mais, outros esperando.
Em caso de empate? Decisão dos árbitros, como acontece no mma e no boxe.

Acredito que isso fortaleceria o Shotokan e faria com que voltássemos a ter uma arte marcial respeitada, como era na década de setenta.

OSS!


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