terça-feira, 30 de junho de 2009

Aulas no DEGASE


Vinicio Antony e Jayme Sandall

Há algum tempo, os agentes do DEGASE (Departamento Geral de Ações Socio Educativas), têm tido aulas de Karate Jutsu com uma equipe de professores, em um projeto promovido pela Federação do Estado do Rio de Janeiro de Karate-do Tradicional (FERJKT), sob a coordenação dos mestres Ugo Arrigoni, Eduardo Santos e Vinicio Antony. Nesse mês de junho, juntei-me à equipe, passando a dar aulas para os agentes.
Mas o que é Karate Jutsu, e por que os agentes do DEGASE têm aulas dessa arte marcial?
Os agentes que trabalham dentro dessa Unidade de Internação de menores infratores, normalmente, não possuem preparo técnico e físico ideal para lidar com as situações extremas a que são expostos muitas vezes - em casos de rebelião, ou mesmo um único menor infrator que fique descontrolado, tentando agredir os agentes. Por isso, Eduardo Santos e Ugo Arrigoni desenvolveram a idéia de preparar esses agentes através do Karate Jutso. Para isso, chamaram Vinicio Antony (faixa-preta quinto dan de karate Tradicional, faixa-preta segundo dan de jiu jitsu, e faixa-preta de Muay Thay). O ex-integrante da seleção brasileira de karate Tradicional desenvolveu um programa de aulas enfatizando chaves, torções, domínios de pegada. Ou seja, formas de se imobilizar e conter um menor descontrolado causando o mínimo de dano possível. Isso possibilitará que os agentes controlem uma situação extrema sem ferirem um menor.
O Karate Jutso, na verdade, é a volta à raiz de todas as artes marciais. No passado, as artes marciais preparavam o lutador de forma completa - da mesma forma como vem acontecendo com os atletas de Vale Tudo, por exemplo. O Karate Jutsu é o resgate desse tipo de treino.
Para aqueles que praticam karate Shotokan puro, pergunto: será que na nossa arte marcial não existem quedas, imobilizações, torções e chaves?
A resposta é sim, existe tudo isso. E no lugar mais evidente de todos: o kata. Desde técnicas para tirar o braço de alguém que o segura (Heian Shodan), passando por defesas de pegada na lapela (Heian Yondan), até torções e pegadas complexas (Basai dai, Kanku sho, etc...), os katas do nosso karate Shotokan possuem mil e uma técnicas do antigo Karate Jutsu. Só não são tão treinadas por nós.
As competições de karate - das quais sou admirador e adepto -, contribuíram em muito para a evolução de nossa luta. Elas nos deram visibilidade, popularizando o karate Shotokan. Além disso, são ótimas oportunidades do lutador se testar, verificar se um golpe realmente funciona "à vera", porque na competição, quem bate, bate com toda a força e velocidade, e quem defende faz de tudo para defender. Sem combinação, sem companheirismo de treino. É, como o nome diz, uma competição. Entretanto, com os campeonatos veio a parte prejudicial para o karate Shotokan. Muitos golpes - aqueles que não se utilizam nos torneios por não serem ponto - foram sendo treinados cada vez menos, até serem praticamente extintos (obviamente falo da maioria, pois sempre há exceções, mestres que mantém esses golpes em seu "cardápio" de aulas). Joelhadas, cotoveladas, golpes em gancho e em círculo, são exemplos. Tudo isso existe no Shotokan, mas são golpes pouco utilizados, bem como as torções e quedas.
Enfim, através do Karate Jutsu os agentes aprendem o karate Shotokan, com ênfase não nos golpes de competição, mas na parte de defesa pessoal, que para eles é essencial.
Mais informações sobre o projeto podem ser encontradas no site da FERJKT (http://www.ferjkt.com.br/), no site pessoal do sensei Vinicio Antony (http://www.vinicioantony.com/), ou ainda no site oficial do governo (http://www.imprensa.rj.gov.br/SCSSiteImprensa/detalhe_noticia.asp?ident=48305)

Um comentário:

DADir UniJorge disse...

Gostaria de parabenizá-los pelo ótimo trabalho desenvolvido. Comentar tb que O KAratÊ como já foi dito, tem torções, projeções etc, mas são esquecidos e que em vez de se repartir a cada discordância, criando novos estilos, que houvesse uma integração entre estes estilos e retomada total do que o caratê é na sua essência, lembrar das tradicõe s e trazer o conhecimento ocidental e moderno para aprimorar tal arte.