domingo, 4 de julho de 2010

O IMPORTANTE É O CAMINHO



No dia 16 de maio de 2010, conquistei o título brasileiro de kumite inividual.
Parece batido dizer que muita coisa passou pela minha cabeça naquele momento, mas é verdade.
Naquele último mawashi contra o perigosíssimo Anderson, aluno do sensei Paulo Afonso, vi em minha cabeça todos os anos de treino, o trabalho duro, as inúmeras vezes em que treino sozinho, puxando elásticos extensores, subindo escadas, socando e chutando aparadores...
Vi todas as pessoas que me ajudaram nesse título, meu professor Ugo Arrigoni, meu treinador Vinício Antony; meu amigo e companheiro de treinos Christiano Arrigoni; Eduardo Santos, responsável pelas primeiras competições nacionais que participei; Meus alunos e companheiros de treino Willians e Thiago; Ricardo Arrigoni, que me ensinou a ter espírito de luta; Giuliano Lorenzoni, o melhor lutador de academia que já vi na vida; Newton Costa, inspirador nos meus primeiros anos de treino, Roberto Pestana Jr, que me ensinou tanta coisa...
Passaram pela minha cabeça todos os outros brasileiros que disputei.
2001, meu primeiro ano na JKA, quando cheguei aos oito melhores, e perdi para o campeão Lyoto Machida; 2002, perdendo na semi-final para meu companheiro de treinos Roberto Pestana, e sendo convocado para a Seleção Brasileira pela primeira vez; 2003, vencendo cinco lutas, passando por cascas-grossa como Takehiko Machida, Rafael Moreira e Wagner Pereira, e perdendo a final contra Fábio Simões, sendo vice individual e campeão de kumite por equipes; perdendo as competições de kumite individual de 2004 e 2005 por conta de contusão; 2006, perdendo mais uma vez para Fábio Simões, dessa vez entre os oito melhores; 2007 fazendo uma bela luta contra Chinzô Machida pela semi-final; 2008, perdendo para o convidado japonês Takuma Yokoyama na terceira rodada; 2009, sem poder competir, mais uma vez por causa do ombro, mas dessa vez porque finalmente fiz a cirurgia de que precisava há tantos anos. Confesso que durante a dura recuperação cheguei a ter medo de não poder mais voltar a lutar.
E, finalmente, 2010.
2010, o ano em que venci todos os meus adversários, incluindo aí Paulo Afonso (PA) e o atual campeão Fábio Simões (SP).
A emoção foi muito forte, por ter finalmente conseguido o título.
Mas o mais importante é que ficou a certeza de que isso não fez ou faz de mim o melhor do Brasil. Isso não.
Eu consegui, naquela competição, naquele dia, contra aqueles adversários com quem cruzei, vencer. Mas talvez se eu lutasse em outra chave, ou em outro dia, o resultado poderia ter sido diferente.
Ser campeão não fez de mim o melhor. Foi bom, claro, e quero repetir essa sensação muitas vezes, mas seguir treinando é o mais importante. Que o título, e qualquer outro mais que venha, mostre para mim se os meus treinos estão corretos, ou não.
Afinal, o que vale mesmo não é chegar lá, mas o caminho que se trilha, e a forma como se trilha.
OSS.

3 comentários:

thiago disse...

Dizer que é o melhor do país, do mundo,da cidade, é muito complicado! Tem sempre alguém melhor! Mas o que faz a diferênça, é reconhecer a importância da vitória, e principalmente das derrotas. Não ter vergonha delas, e sim aprender com elas. São poucas as pessoas que não têm vergonha de contar como perdeu, nem de elogiar o outro atleta. É isso o que faz da pessoa, uma das melhores do país. OSS!!

Luís Eduardo disse...

Você tem toda razão Sensei Jayme, o mais importante é o caminho ou o DO em japonês, não podemos sair dele nunca, tanto no Dojo qto na vida. As vezes parece que estamos no caminho errado mas a vida nos mostra o contrário, devemos sempre continuar e não desaminar! Oss!!

Bruno disse...

Parabéns amigo Xããããimeeeeeeeee. Você realmente é um campeão!!!

Outras conquistas virão, tenha certeza.

Você merece!

Abs,
Bruno (Biguessssssssss)