segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Vitor Belfort e o karate

Vitor Belfort e Andrews Nakahara

Francisco Filho, Gilbert Durinho, Vitor Belfort, Dórea e Artilheiro

Vitor Belfort e Jayme Sandall

Glaube Feitosa

Jayme Sandall, Vitor Belfort e Vinicio Antony (2009)

Vitor Belfort treinando karate é sempre notícia.
Já li muita coisa na internet sobre isso, por isso resolvi escrever aqui a história desse renomado lutador de mma com a arte marcial japonesa.

A primeira vez que o Fenômeno treinou karate Shotokan foi em 2001, para sua luta contra Heath Herring. Ele treinou com o mestre Vinicio Antony, grande campeão do Shotokan (Vice-campeão mundial, Seleção Brasileira por 6 anos, 14 títulos nacionais em diversas categorias...). Os dois se conheciam desde que Belfort era criança, pois viviam no mesmo bairro. Impressionado com a técnica de Vinicio, Vitor começou ali seus treinos de karate.

Anos mais tarde, quando ele estava lutando no extinto evento Affliction, voltou a entrar em contato com Vinicio, pedindo para que ele o treinasse novamente. Naquela época (2009), ele teria uma luta contra o casca-grossa Jorge Santiago, que atualmente é um dos treinadores principais da Blackzillians.
Foi nessa época, exatamente para essa luta contra Santiago, que Vinicio me chamou. Me apresentou ao Fenômeno, e desde então passamos a treinar juntos.

A luta, entretanto, jamais aconteceu, porque o UFC comprou o Affliction, e colocou Vitor para lutar contra Rich Franklin, na época um grande lutador americano. Vitor pediu que Vinicio o acompanhasse em seu camping, mas ele não pôde, devido a compromissos profissionais. Então, Vinicio disse a Vitor para me levar, e esse foi meu primeiro camping com Belfort: ficamos 5 semanas treinando na Xtreme Couture, em Las Vegas.

Lembro que logo após sua vitória, ainda dentro do vestiário, Dana Wite entrou com os irmãos Fertitta, e ofereceu a Vitor a chance de lutar pelo cinturão contra o então campeão Anderson Silva. Vitor disse que achava que ainda era cedo para a luta pelo cinturão, mas Dana insistiu. Ele então, mesmo a contragosto, aceitou a luta. Foi exatamente assim que aconteceu, eu estava lá dentro. Quando dizem que Vitor pediu a luta, isso não é verdade...

Nessa época, Vitor morava com sua família na Barra da Tijuca, que também é o bairro onde moro. Vinicio mora bem perto, no bairro vizinho do Recreio. Treinávamos quase todos os dias na academia do sensei Ugo Arrigoni, que na época também ficava na Barra. Foi assim de 2009 até 2011, quando ele se mudou para os EUA.

Vinicio então montou um treinamento para o desafio contra Anderson. Mas Vitor começou a sentir muito seu ombro, que ele tinha lesionado em um sparring na Xtreme Couture (eu me lembro quando ele levou uma queda, se não me engano de Frank Trigg, e machucou feio o ombro).
Foi Vinicio quem o convenceu a não lutar contra Anderson lesionado. Por isso, ele resolveu fazer uma cirurgia no ombro, e Demian Maia acabou o substituindo na luta contra Anderson em 2010, em Abu Dhabi.

Em 2011, viajei novamente para meu segundo camping com Belfort, na preparação para a luta válida pelo cinturão, contra Anderson Silva, a chamada " Luta do Século". Ficamos um mês treinando na Xtreme Couture. Nessa época, Vitor tinha se mudado para Vegas com a família.

Como ele estava morando em Vegas, passamos a não treinar mais regularmente.

Para a sua luta contra Anthony Johnson, Vitor treinou comigo e Vinicio antes de viajar para o seu camping, e voltamos a treinar na semana da luta. Nessa época, seu treinador principal era o Ray Sefo, lenda do kickboxing.

Em 2012, Belfort conheceu Francisco Filho, primeiro brasileiro a sagrar-se campeão mundial Kyokushin (na final, ele enfrentou o também brasileiro Glaube Feitosa). Impressionado com sua técnica, ele o chamou para integrar o time de treinadores do TUF Brasil. Nessa época, ele treinou muito com Francisco, e também com a fera Andrews Nakahara (também um campeão mundial do Kyokushin).

Para sua luta contra Jon Jones, Vitor me chamou. Mas nessa época eu estava reunido com a Seleção Brasileira Tradicional na preparação para o Campeonato Mundial que aconteceu na cidade de Lodz, Polônia, e por isso tive que recusar o convite.
Para essa luta, ele treinou com Francisco Filho e Andrews Nakahara.
E foram esses dois grandes nomes do Kyokushin que também o treinaram para a sua luta contra Michael Bisping, onde Vitor venceu com um nocaute espetacular (mawashi geri jodan)

Na luta seguinte, contra Luke Rockhold, consegui me organizar para ir novamente ficar um mês nos EUA, dessa vez na Blackzillians, na Florida.
Lá, conheci Andrews Nakahara, e me impressionei com seu karate.
Quando fui embora, Vitor trouxe o grande campeão do K1, Glaube Feitosa. Chegamos a ficar no mesmo apartamento por 2 dias, e pude perceber que além de um grande lutador, Feitosa é também uma pessoa exepcional, e um treinador muito inteligente. Vitor estava em excelentes mãos.

Envolvido com minhas competições de karate, e com o fato de ter sido pai, não pude ir aos campings das lutas contra Dan Henderson e Cris Weidman.

Após a disputa do cinturão, ele voltou ao Brasil e me chamou para treinarmos em sua academia na Barra, a Fortfit - academia essa onde o mestre Vinicio Antony ministra aulas de karate jutsu.

Ele pediu que Vinicio fosse o head coach (treinador - chefe) para a sua próxima luta, contra Dan Henderson.

Vinicio aceitou, e, pela primeira vez, viajou para um camping fora do Brasil, ficando três semanas na Florida, treinando o Fenômeno na academia que ele abriu, a OTB.
Cheguei para dar continuidade ao trabalho de Vinicio, e fiquei por um mês na Florida. Foi meu quarto camping fora do Brasil.


OSS!



3 comentários:

Unknown disse...

Parabéns Jaime pelo belo trabalho, cada dia q passa vejo mais sua dedicação. Continue assim guerreiro, oss.

Marcelo Rangel disse...

Parabéns Jaime pelo belo trabalho, cada dia q passa vejo mais sua dedicação. Continue assim guerreiro, oss.

Jayme Sandall disse...

Valeu Marcelo, grande abraço meu amigo!