quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Por que o karate não tem espaço na mídia?

Quem pratica karate se acha injustiçado, e com razão.
Por que, afinal, o karate não está na mídia? Por que é praticamente impossível se ver uma competição de karate na televisão, seja em qual canal for?
Parte disso é devido ao fato de nossa arte marcial não ser olímpica. Mas cabe a mesma pergunta: por que ainda não é olímpico?

O karate é, inegavelmente, uma das lutas mais populares em todo o mundo. O número de karatecas espalhados ao redor do mundo é absurdo. Mesmo assim, revistas espacializadas em artes marciais não dão espaço quase nenhum para essa luta.

Pensei muito sobre esse assunto, e cheguei a uma conclusão. A culpa é dos mestres e praticantes de karate.
Vou explicar...

O karate explodiu no final da década de sessenta. Começou a ser praticado por quase todo mundo que gostava de lutas. Nos Estados Unidos, principalmente. E os norte-americanos sempre foram uma excelente vitrine para qualquer coisa. Mas, também, são os reis do marketing. E foi isso o que começou a matar o karate.

Ao perceberem a dificuldade dessa arte marcial, e em como os japoneses estavam anos-luz à frente do resto do mundo, começaram a criar suas próprias escolas de karate, com federações e competições. Logo de cara, o karate começou a se fragmentar.

Um exemplo disso foi quando Chuck Norris chegou aos cinemas de todo o mundo, popularizando o karate. Em 1969 ele ganhou a coroa tripla de Karatê por mais vitórias em torneios durante um ano, e o Lutador do Ano da revista Black Belt. Mas eu pergunto: de qual karate?
Nessa época, o Japão tinha uma safra de gênios lutando, entre eles Oishi, Masahiko Tanaka e Tabata. O Brasil já começava a despontar com Paulo Góes, Ugo Arrigoni e Watanabe. Em 1972, inclusive, Watanabe sagrou-se campeão mundial individual em Paris. Mas Norris jamais lutou contra nenhum deles.

Pois é, Norris já foi campeão de alguma organização criada nos Estados Unidos, alguma entidade paralela. E isso se reproduziu inúmeras vezes.

Na década de setenta já havia diferentes campeões de karate, que se diziam campeões mundiais.
A partir dos anos oitenta a situação piorou muito, pois a única entidade oficial e, na época, a mais respeitada, se fragmentou.
Nos anos noventa e 2000, foi uma farra. Novas federações eram criadas a cada dia, e os campeões mundiais se multiplicavam. Isso sem falar nos estilos, que fazem suas próprias competições com regras diferentes entre si...

Hoje em dia a situação é tão complicada que há dezenas de campeonatos mundiais. Pior, há tantas entidades, organizações, estilos e federações que todo mundo pode ter a sua faixa preta. Se não conseguir em uma organização respeitada e forte, basta procurar outra menos conhecida, e com certeza você vai conseguir a sua faixa preta... e vou além: há grandes mestres com dans elevadíssimos, que lhe são conferidos por eles mesmos! Sim, os mestres criam suas entidades de karate, e depois vão ganhando os dans deles mesmos (já que são os mais graduados de sua própria entidade)
Os picaretas se proliferam como erva daninha, pois encontram o terreno fértil da desorganização pela frente. Um picareta em meio a pessoas sérias é facilmente identificável e eliminado. Mas um picareta em meio a uma mistura de picaretas e pessoas sérias... fica bem difícil.

Entre os próprios praticantes e mestres há imensa discórdia. Um campeão mundial é chamado de fraco pelos praticantes da outra federação. Imaginem então um leigo (um repórter, por exemplo), o que pensa disso tudo?
Ele acaba ficando tão confuso que prefere não cobrir nenhum evento.

O crescimento do karate foi a sua ruína. Aliado à falta de um órgão central que controlasse tudo com pulso firme. A fragmentação foi inevitável...

Pior é que parece não haver uma luz no fim do túnel...

OSS

7 comentários:

Katsumoto's Karate do disse...

Inversao total de valores, e importancia dada a papel. Coisa de paises subdesenvolvidos como o Brasil.E o principal fator, Japoneses despreparados para administrar o Karate por aqui. Ao inves de colocarem Brasileiros natos na Administracao, queriam tudo pra eles, para manter o poder. Sobre o Topico em si, vc tem toda a razao. A Representatividade de um Torneio onde Norris foi Campeao se restringia somente aos EUA. Nishiyama foi o grande responsavel por nao deixar esses caras participarem dos eventos da IAKF da epoca.Nao considerava aquilo Karate.Assim como eu tambem nao considero.

Marcos Piolla disse...

Mas e agora?

Nishiyama se foi, Nakayama foi antes dele, Enoeda, Asai, Kaze, e tantos outros como meu velho Sensei Takeuchi e todos que não estão ficando nem um dia mais jovens e sabe-se lá quanto tempo estarão aí...

Apesar de hoje não ser afiliado a nenhuma, fui da ITKF e CBKT desde sua criação. Atualmente acho que a única maneira de não deixar o Karate morrer é uma fusão das associações sérias à JKA.

Funakoshi criou a JKA pra ser A ESCOLA de Karate, o cerne e a pedra angular de seu desenvolvimento.

A JKA deveria ser o órgão máximo que carrega o nome Karate-Do pelo mundo a fora, como já foi um dia.

Se não for assim, a coisa vai pro ralo. Aliás, já está indo, e com o aval do COI.

OSS!

Heiny Sugahara disse...

Acho que o karatê não em espaço na mídia pois ele na realidade não é compreendido. E pior, hoje em dia é até desacreditado. Na minha opinião, a popularização e disseminação do karatê como "esporte" contribuiu negativamente para a imagem de nossa arte marcial, ou seja, perdeu-se a conotação de arte marcial, diga-se "arte de guerra" e passou a ser apenas um jogo que se busca pontos. Enquanto as outras artes marciais a cada dia "endurecem" seus treinamentos para se enquadrarem à uma situação real de combate, o karatê, em nome da sua divulgação, "suavizou" o treinamento para virar um esporte e ganhar o mundo. OSU.

Heiny Sugahara disse...

A situação atual do karatê é preocupante. Outro dia assistindo a alguns vídeos no youtube, vi um "famoso" campeão brasileiro de karatê, para variar da WKF dizendo a infeliz frase em um seminário: "fazendo esta técnica desta maneira, pode-se perder a forma (diga-se eficiência), mas se é ponto, vamos fazer dese jeito." Agora eu pergunto, um leigo, que não sabe diferenciar ou nem sabe da existência de karatê tradicional e karatê WKF, assistindo um vídeo como este, vai acreditar no karatê? E esses leigos que são maioria vão dar oportunidade na mídia para o karatê? Acho que não !!!

Heiny Sugahara disse...

A situação atual do karatê é preocupante. Outro dia assistindo a alguns vídeos no youtube, vi um "famoso" campeão brasileiro de karatê, para variar da WKF dizendo a infeliz frase em um seminário: "fazendo esta técnica desta maneira, pode-se perder a forma (diga-se eficiência), mas se é ponto, vamos fazer dese jeito." Agora eu pergunto, um leigo, que não sabe diferenciar ou nem sabe da existência de karatê tradicional e karatê WKF, assistindo um vídeo como este, vai acreditar no karatê? E esses leigos que são maioria vão dar oportunidade na mídia para o karatê? Acho que não !!!

Cursos Atualizarh disse...

Pois é, triste. Eu sou praticante do estilo Shorin Ryu (acredito que quem entra nesse site não ira se perguntar o que é esse estilo) e fui buscar o muay thai por escutar coisas o tempo todo como "menos", "menos contato", "nenhum contato", "nada de contato", pois o karate precisa se tornar olimpico, desportivo e recreativo para todos...

Unknown disse...

Em parte tu tens razão, mas como sempre ninguém é totalmente correto, muita entidades foram fragmentadas pela política que o karatê tem que muitas vezes aquele que oferece mais dinheiro consegue representar e ganhar dans, principalmente em entidades como o KARATÊ TRADICIONAL, onde o que é mais valorizado o dinheiro do exame do que a própria avaliação. pois no sul é assim, infelizmente, onde um grande mester perdeu seu posto devido a um grande pucha-saco dos mestres e picareta assumir seu lugar, motivo de vários se fragmentarem no sul. Agora esse mestre que já foi o representante já tem sua própria federação e ele não conseguiu dans dele mesmo, foi avaliado pelo mestre SASAKI em todos, e eu firmemente argumento que o tradicional está perdendo "atletas pagantes" cada vez mais.